De volta ao Front

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Logo a escuridão o frio e a neblina tomaram conta da cidade de tal forma que todos os soldados da defesa precisassem fazer fogueiras para se aquecer.

No QG, Diego analisava o relatório de baixa enquanto Dolson observava, da sacada do prédio, as tropas que logo iriam para a frente de batalha.

- Diego, vem aqui. - Disse ele.

- Senhor? - Respondeu Diego ao se aproximar.

- Você acha mesmo que o apoio realmente virá amanhã?

Diego franziu o cenho e o olhou desconfiado.
- Eu espero que sim! - Respondeu.

Dolson continuava com o olhar fixado em direção aqueles soldados. Ele estava preocupado, era como se o peso de cada morte caísse sobre seus ombros.

- Se não vierem, muito mais gente irá morrer.

Por um momento ambos ficaram em silêncio, até que Diego segurou a barra de proteção da sacada e perguntou:

- O Senhor acho que é possível juntar, em menos de vinte e quatro horas, um contingente grande o suficiente para combater a Shuri?

Dolson levantou sua sobrancelha direita, olhou de recanto para Diego e respondeu:
- Levando em conta que leva dez horas pra ir de carro daqui até a Capital?

- É impossível! - Diego suspirou.

- A não ser que o ataque já fosse esperado. - Continuou Dolson.

- O Senhor não acha isso, não é? - Diego encheu seus olhos de lágrimas. - Por que se soubessem teriam evacuado os civis, preparado as tropas e evitado todas essas mortes.

- Nunca se sabe. Mesmo assim temos que nos preparar para o pior e, principalmente, manter a moral de nossas tropas elevada, para que resistam o máximo de tempo possível.

Diego apertou a grade com toda a sua força, lançou um olhar de ódio em direção ao porto, onde estavam os soldados shurenses, e disse:
- Me deixe voltar ao front!

- Nem a pau! - Exclamou Dolson. - Tá maluco? Você levantou a moral daqueles soldados. Se morrer agora tudo o que fizemos terá sido em vão.

- Pense bem. - Diego colocou sua mão esquerda no ombro do seu comandante. - Se realmente acreditam que eu sou um super soldado, ficarão ainda mais motivados ao me verem lutando junto com eles.

Dolson olhou em seus olhos, sorriu e disse:
- Não sei se chamo isso de coragem ou loucura... - ficou um tempo em silêncio.- Ok, você pode ir, mas será para onde eu designar.

- Entendido...

Mais tarde naquela noite Diego se dirigiu ao front.  Ele andava pelas ruas sobre os escombros das casas destruídas pelos bombardeios. O tempo estava frio e o silêncio era mais que suspeito.

Tá muito quieto.

Os civis saíram pelas ruas a procura de comida e de água; idosos, mulheres e crianças, a situação era a mesma para todos em Bedrock.
A cidade estava em chamas, de tal forma que a fumaça cobria todo o céu. O vento era tão frio; e aquele silêncio, até que estava ficando bom, mas logo Diego ouviu uma intensa troca de tiros vinda do front e correu em sua direção.

Ao chegar no local ele se jogou em uma trincheira, onde vários soldados a defendiam ferozmente.
Os Shurenses avançavam como loucos, mas logo eram parados e dizimados pelo fogo da rajada das metralhadoras calibre 50 localizadas na trincheira. Os mesmos retaliavam com chuvas de projéteis disparados por morteiros a qual as explosões mexiam com o psicológico de todos.

Ao encontrar um oficial, Diego perguntou:
- Onde está a Companhia Alpha? - Era para onde Dolson o tinha designado.

O oficial segurava um mapa e transmitia ordens a medida que observava o andamento da intensa batalha.

- Siga a trincheira, rumo a zona industrial, até chega na periferia, lá você encontrará sua companhia. - Respondeu sem tirar a atenção de seus afazeres.

- Obrigado!

Imediatamente Diego correu dentro da trincheira na direção informada ao mesmo tempo que o combate se intensificava cada vez mais.

De repente ouviu-se um assobio como o de uma chaleira com água fervente.

- Se joguem no chão! - Gritaram alguns soldados fazendo todos deitarem na tentativa de salvar suas vidas.

Tudo durou cerca de dois segundos, desde o assobio ao cair das bombas que os acompanhava.

Depois disso o céu ficou coberto por terra e fumaça. Diego não conseguia ouvir nada além um ruído ensurdecedor a qual fazia seus ouvidos sangrarem.
Ao seu redor havia vários corpos irreconhecíveis que, em sua maioria, estavam com membros decepados.

Em seguida os soldados shurenses entraram na trincheira e perfuraram, com baionetas, o coração daqueles que ainda se mexiam.

Diego não conseguia mover um músculo sequer, sua respiração ficava cada vez mais pesada e seus olhos aos poucos se fechavam.
Parecia que nada mais se podia fazer a não ser esperar pelo fim.

Naquele momento o garoto apenas se manteve calmo, pois havia aceitado o seu destino. O jovem soldado apenas esperou até que sua visão ficou totalmente escura e ele finalmente apagou.

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