- Não importa o que fez ou deixou de fazer no passado... Você é família agora! - Dizia Iroha enquanto corria pela floresta a procura de Arthur.
De repente houve um clarão no meio das árvores, seguido por um estrondo como o de um trovão a qual estremeceu o chão e as árvores, fazendo com que as folhas de primavera, que tinham acabado de nascer, caíssem.
Um vento quente soprou, fazendo com que seu cabelo, que até então estava preso, se soltasse e acompanhasse seu movimento.
Na sua frente, Iroha viu uma grande árvore que estava partida ao meio e completamente em chamas. A poucos metros dela, Arthur estava cabisbaixo e de joelhos; em sua frente havia um rastro de fogo que se estendia até a Arvore.
Ao ver aquela cena, ela correu e o abraçou pelas costas.
- Você não deveria ter vindo. - Disse ele.
- Mesmo assim eu vim...
Arthur levantou e ficou de frente a ela e disse:
- Ouça; eu não sou uma boa pessoa. Nunca fui.
- É sim! - Respondeu - Você é gentil e super protetor... Como que uma má pessoa iria se arriscar por mim da forma.
Arthur deus as costas e sentou no chão, sendo acompanhado por Iroha, a qual ficou do seu lado.
- Vou te contar algo que nunca contei pra ninguém antes. - Disse ele - Mesmo sabendo que depois de ouvir você vai me odiar...
- Me conte.
- Acontece que o senhor Hanz estava certo. - Continuou - Eu fui criado pelos militares.
FLASHBACK ON
Eu não lembro de nada da minha antiga família e nem de onde morava. Desde os seis anos fui criado por militares que me submetiam a treinamentos exaustivos, experimentos e até tortura. Eles ingeriam substâncias no meu corpo, fazendo com que eu ficasse até semanas doente.
Não tive infância, não estudei e nem sequer me lembro de ter me divertido uma única vez. Minha vida era resumida em treinar, ser usado como cobaia e torturado.
Eles queriam forjar um soldado de elite; e eu superei todas as expectativas. Com apenas dez anos já era capaz de matar, com as mãos limpas, qual quer pessoa mesmo ela sendo maior e mais forte.
Eu fazia parte de um esquadrão de cento e cinquenta adolescentes que eram submetido as mesmas coisas que eu, ma eles não duraram muito; aqueles que não morriam em combate, eram consumidos aos poucos por doença. Dessa forma, o número caiu rapidamente para cem adolescentes, depois cinquenta, depois vinte, cinco e, por fim, só sobrou eu.
Depois fui enviado para o pelotão especial de Crawford e acabei me tornando seu assassino preferido. Não importava se o alvo era homem, mulher, idoso ou criança; eu sempre cumpria com a missão sem deixar nenhum rastro... Muitas pessoas morreram pelas minhas mãos, nessa época. Eu era o melhor atirador de todo o exercito de Rio Pardo, mas quase ninguém sabia da minha existência. Na verdade, de forma oficial eu nem existia.
Então chegou uma época em que eu já sabia de mais e Crawford pôr um fim em mim; dando a ordem para uma missão simples em uma base que ficava em uma usina nuclear; eu tinha 14 anos.
Eles me levaram e, sem eu perceber, trancaram em uma sala totalmente lacrada e a prova de som. E então, tudo começou esquentar e eu senti uma pressão enorme sobre meu corpo; minha pele começou a queimar e meus olhos e nariz sangraram. Mas de repente uma explosão estremeceu tudo, quebrou a parede e expôs um cabo de energia a qual entrou em contato comigo e eu acabei sendo eletrocutado.
Aquilo era para ter me matado, mas aconteceu o inverso; minha pele parou de queimar, meus olhos e nariz não sangravam e eu não mais nenhuma pressão sobre meu corpo.
Logo as luzes se apagaram, uma nova explosão abriu a porta e eu corri para fora, matei o primeiro guarda com minhas mão limpas e, usando a arma que peguei dele, fiz uma limpa em todos os corredores da usina e fugi para a floresta.
Depois de tantos anos trabalhando para Crawford fielmente sem nem questionar nada sobre suas ordens eu acabei sendo descartado como se fosse um brinquedo... Isso não podia ficar assim.
Desde então passei a dedicar minha vida a matar Crawford. Eu queria me vingar a qualquer custo e, com isso, acabei matando muitas pessoas inocentes e outras que não tinham nada haver. Acabei me tornando alguém muito pior do que era quando trabalhava para ele; e mesmo assim continuei até que finalmente uma bala me encontrou, eu caí naquele rio e acabei sendo salvo por vocês...
FLASHBACK OFF
Iroha não conseguia olhar nos olhos de Arthur, porém o chão estava marcado por suas lágrimas.
- Eu realmente acreditei que poderia esquecer o passado e começar tudo do zero aqui. - Arthur enxugou a única lágrima que descia por seu rosto - Mas isso me persegue onde quer que eu vá.
- Eu ainda acredito que você seja uma boa pessoa. - Iroha respondeu - As circunstâncias que te deixaram assim.
- Mesmo assim o que eu fiz não pode ser desfeito.
- Arthur. - Iroha finalmente olhou em seus olhos - Pra poder recomeçar você precisa perdoar a si mesmo e, por fim, desistir dessa vingança. Caso contrário isso nunca vai ser deixado para trás.
Ele levantou e respirou fundo.
- Não sei se sou tão forte assim.
- Você precisa ao menos tentar.
- E se eu perder o controle?
Iroha levantou, o abraçou pelas costas e respondeu:
- Aí eu grito seu nome. E quando ouvir minha voz, você vai voltar ao normal.
- Não sei se isso funcionaria. - ele sorriu.
- De qual quer forma eu estarei lá... Dessa vez eu vou te proteger.
Arthur levantou a cabeça e sentiu uma brisa leve tocar seu rosto. As ultimas labaredas de fogo da árvore partida se apagaram e ele sentiu como se um peso saísse de seus ombros.
- Ta bom. - Ele sorriu novamente - Prometo que vou tentar.
Iroha apertou ainda mais o abraço.
- Mas antes - continuou - Preciso ir até o vilarejo Arnus para saber o que aconteceu com minha antiga família e pôr um fim nisso tudo.
Ela o soltou, ficou na frente dele e olhou em seus olhos.
- Então eu vou com você...
Arthur viu um brilho em seu olhar a qual mostrava uma certa determinação. Mas a viagem seria, ao certo, perigosa e ela não queria colocar a vida dela em perigo.
Porém, antes de ele se impor, Gabrielle e Beatriz surgiram ao fundo e gritaram:
- O que vocês estão fazendo aí? Voltem casa.
- Pois é, ficou todo mundo preocupado.
- Desculpem! - Uníssono.
Os quatro voltaram juntos para a vila.
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SOMBRAS DO DESTINO
RomanceApós a eclosão de uma guerra, o jovem Diego se viu obrigado a lutar para que além de salvar sua vida ele pudesse reencontrar seu amor. Porém as coisas não saem como o planejado, um acontecimento muda o rumo de tudo e faz com que segredos sejam revel...
