Caminhos cruzados e separados

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- Por que Torun? - Perguntou Arthur - Horto não seria a melhor opção? já que o rei é totalmente contra as idéias malucas de Crawford.

- Não seria uma boa idéia cruzar toda a província com a quantidade de idosos que temos no vilarejo. - Respondeu Hanz - E a fronteira com Torun é a mais próxima.

- Mas teríamos que contornar as montanhas. Isso nos levaría até as proximidade da capital ou ao Vale do Fim do Mundo, que é uma região pantanosa inviável para idosos.

De fato, se não fosse a cadeia de montanhas entre o vilarejo e a fronteira, seriam necessários apenas algumas horas de viagem.

- De qual quer forma teremos que passar pelo pântano. - O velho continuou - Só existe um local que dá para atravessar o riacho da vida a pé; e fica justamente na região do Vale do Fim do Mundo.

- E nós só temos um barco com três lugares. Atravessar nele seria inviável...

- Eu conheço um caminho que da para atravessar as montanhas em quatro horas. - Thúlio tomou a palavra após surgir no meio da multidão - Basta apressa o passo.

- Que caminho é esse? - Perguntou Hanz.

- É uma antiga rota de caça que eu usava com meu pai. Apesar de ser um pouco estreita é bem segura.

- Me responde uma coisa, senhor Hanz. - Disse Arthur - Como pretende atravessar o rio pardo?

- Eu conheço alguém que mora às margens do rio e tem um barco que usa para pesca. Não é muito grande, mas acredito que em umas quatro travessias dê tra levar todo mundo.

- E se encontrar com um dos barcos da marinha?

- É uma região com muitas corredeiras. A marinha não faz patrulhas por lá.

- Isso não deixa essa região perigosa para atravessia?

- Não pra alguém como meu amigo, que conhece o lugar como a palma da mão.

- E se...

- Meu Deus do céu, Arthur. Você faz perguntas de mais. - Beatriz gritou - Se o senhor Hanz disse que dá pra atravessar é porque dá... Vamos preparar nossas coisas e partir logo, se não os outros soldados vão chegar e você ainda vai estar aí fazendo perguntas.

Depois disso todos foram para suas casas preparar seus suprimentos, deixando Arthur de pé plantado e Iroha agarrada em seu braço.

- O que foi isso que acabou de acontecer?

- Um dia você se acostuma. - Iroha respondeu e o puxou pelo braço - Vamos, você precisa se limpar.

Depois de uma hora, todos haviam preparado suas roupas e suprimentos. O senhor Hans distribuiu as capas que tinha como estoque para o máximo de pessoas possível, para protegê-las do frio e da chuva que caía.

Os mais aptos recolheram as armas e munições dos soldados mortos, mas quase ninguém sabia como usá-las. 

Thúlio saiu na frente, seguido por Arthur, Iroha, que continuava grudada nele e as outras trezentas e quarenta e quatro pessoas do vilarejo.

Uma tristesa profunda tomou conta de todos, por deixarem suas casas e sua antiga vida para trás.

Mesmo o trajeto sendo um pouco difícil, ao meio dia todos ja tinham conseguido cruzar a montanha.

Próximo à margem do rio pardo havíam três pequenas casas cercadas por uma plantação de milho.

Em fila, todos andavam por um pequeno caminho a qual levava até as casas, quando Arthur parou de repente e disse em tom alto:

SOMBRAS DO DESTINOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora