Uma nova resistência

8 0 0
                                        


Após se encontrarem com o seu grupo, no início do território da floresta de carvalhos negros, Arthur e Iroha seguiram rumo a fronteira com a Província de Horto.

Foram dois dias de completo silêncio até avistarem a margem do grande Rio Pardo no outro lado da província.

Mesmo seguindo em frente, o grupo estava abatido, triste e desanimado por conta das várias perdas nos últimos dias. Muitas pessoas queridas haviam morrido, pessoas inocentes que só queriam viver suas vidas em paz.

一 Era para ter uma ponte alí. 一 Arthur apontou para uma estrada de terra que se estendia até a margem do rio.

一 O que faremos agora? 一 Hanz perguntou.

一 Seguimos pela margem até achar outra ponte.

Nesses dois dias, Iroha se afastou um pouco de Arthur e passou mais tempo com Ví, para tentar consolá-la pela perda do seu irmão.

As duas passaram bastante tempo juntas, mas sem falar uma só palavra. Apenas ficavam uma ao lado da outra.

一 Olá! 一 Um grito ecoou ao fundo.

Arthur imediatamente sacou sua pistola e apontou para um homem de cabelo loiro e barba curta a qual estava acompanhado de uma mulher e uma garotinha.

一 Calma. 一 Ele disse ao sair do meio da árvores. 一 Vocês são do exército? Não parecem ser.

一 Quem são vocês? 一 Arthur perguntou. 一 E de onde vieram?

一 Meu nome é Thomas. 一 Respondeu. 一 Essa é minha esposa, Kaori; e minha filha, Fuuka. Viemos do vilarejo ao sul daqui.

一 Abaixa a arma, Arthur. 一 Iroha interrompeu. 一 Eles não parecem oferecer nenhum perigo.

Ele guardou a pistola e continuou a fazer perguntas:

一 Então vocês moram aqui perto?

一 Sim.

一 E o que aconteceu com a ponte? 一 Apontou para o rio.

一 Três dias atrás um caça veio e destruiu ela. 一 Respondeu. 一 E também bombardeou nosso vilarejo.

一 Mas que merda esses militares tem na cabeça? 一 Thúlio se irou.

一 Eles não querem que ninguém saia do país. 一 Arthur respondeu. 一 Aposto como todas as pontes foram destruídas.

一 O que vocês estão fazendo aqui no meio da floresta? 一 Thúlio perguntou para Thomas.

一 Achamos que vocês fossem a ajuda...

一 Não vai vir ajuda. 一 Arthur respondeu. 一 Vocês não viram que o próprio exército atacou o vilarejo de vocês? Não tem o porquê de os ajudarem agora.

一 Não do exército... Tem uma cidade ao norte que está resistindo faz um bom tempo. 一 Respondeu. 一 Alguns dos nossos foram até lá pedir ajuda.

一 Qual cidade? 一 Hanz perguntou.

一 Niran...

Surpreso, Arthur deu um passo atrás.

一 Achei que Niran apoiasse Crawford... Mas isso explica tudo. 一 Ele arregalou os olhos e pôs a mão na boca.

Depois da Capital Metrópoles e de Bedrock, Niran era a maior cidade de toda a província de Rio Pardo.

一 O que foi, Arthur. Por que você está assim? 一 Iroha perguntou.

一 A resistência está grande de mais. 一 Sussurrou. 一 Por isso Crawford ordenou o ataque aos vilarejos. Ele quer impedir que mais pessoas se juntem.

一 Essa é uma solução um tanto radical.

一 Estamos falando do Crawford...

Hanz tomou a palavra e perguntou:

一 O que faremos, Arthur?

Ele olhou ao redor, respirou fundo e respondeu:

一 Não temos escolha a não ser ir até Niran.

Enquanto isso, na capital metrópolis, Crawford entrou irado no hospital militar, batendo em todas as portas, de todos os cômodos até encontrar Bryan James.

一 Seu imprestável! 一 Gritou. 一 Eu te dei tudo o que você queria e, mesmo assim sua missão foi um fracasso!

一 Eu posso explicar! 一 Bryan levantou assustado.

一 Não tem explicação para o seu fracasso!

Crawford segurou na gola de sua camisa e o levantou somente com o braço esquerdo.

一 O Arthur... 一 Bryan se esforçou para falar. 一 Ele está vivo.

Nesse momento, Larissa apareceu na porta atrás deles e observou seu pai soltando seu noivo e dando dois passos para trás.

一 Isso não passa de incompetência sua! 一 Gritou. 一 Você me garantiu que tinha matado ele.

Depois disso, Crawford deu as costas, pegou seu celular, digitou alguns números e fez uma ligação.

一 Isso não é tudo. 一 Bryan continuou. 一 O Projeto Hori estava com ele...

Larissa continuou em silêncio ao ver o celular de seu pai escorregar de sua mão e se estraçalhar no chão.

一 Você tem certeza disso?

一 Tenho sim. 一 Bryan estendeu o braço com o curativo. 一 Ela cortou minha mão fora, com uma espada.

Após seu pai sair da sala, Larissa o acompanhou. Ambos cruzaram todo o hospital, onde estava um número enorme de soldados feridos. As coisas não estavam tão boas para a capital, mas Crawford parecia ter algo em mente, já que apesar de tudo ele continuava com um sorriso presunçoso.

SOMBRAS DO DESTINOOnde histórias criam vida. Descubra agora