Aliança

16 0 0
                                        

Ao acordar, Arthur se viu em um quarto pequeno, onde ele estava deitado em uma cama. Iroha dormia ao seu lado, sentada em uma cadeira e com o rosto encostado na cama.

Sem acordá-la ele levantou, cruzou a porta e desceu uma escadaria a qual o levou para outra porta, que dava acesso ao lado de fora.

Ao sair, ele se deparou com uma rua movimentada, onde muitas pessoas, incluindo civis, portavam armas. Algumas delas vestiam um tipo de macacão cinza camuflado.

一 Até que enfim você acordou. 一 Uma voz conhecida soou ao seu lado.

Ele olhou e viu Beatriz sentada na calçada observando o movimento.

一 Onde estamos? 一 Perguntou. 一 E os outros?

一 Aqui é o território da resistência. 一 Respondeu. 一 Eles nos encontraram depois que você apagou.

Os dois ficaram calados por alguns segundos a ponto de parecerem dois estranhos.

Beatriz esboçava uma expressão séria e pensativa enquanto mantinha seus olhos fixos no movimento à sua frente.

一 Sobre o que aconteceu mais cedo... 一 Ela quebrou o silêncio entre os dois. 一 Todos concordamos em não falar nada para ninguém.

一 Eu agradeço...

一 Mas você podia ter feito aquilo antes! 一 Gritou. 一 A gente quase morreu várias vezes, nos últimos dias; e você tinha aquele recurso, mas só usou no final.

一 Eu não usei antes porque era perigoso...

一 Mais perigoso do que um avião jogar bombas na gente!?

Arthur ficou calado.

一 Só não deixa mais ninguém morrer, tá bom? 一 Beatriz continuou. 一 E eu também não quero ser atingida por estilhaços de novo...

一 Sobre o que vocês estão conversando? 一 A voz de Iroha soou atrás de Arthur.

Ao mesmo tempo, um grupo de soldados, vestidos com macacões camuflados, se aproximou deles.

No meio estava uma mulher alta, forte e de cabelo curto.

一 Meus olhos não acreditaram no que viram, quando encontramos você. 一 Disse ela. 一 Eu realmente cheguei a acreditar quando o Tholansky me informou sobre sua morte.

Arthur virou para ela e disse:

一 Comandante Millize Dolson...

一 Você me conhece?

一 Já ouvi falar.

一 Me surpreende muito como uma pessoa que passou anos vivendo isolado na floresta está sempre bem informada. 一 Sorriu.

一 Eu dou meus pulos...

A comandante arqueou as sobrancelhas.

一 O que trás o famoso e temível Fantasma da Floresta até nossa humilde cidade? 一 Disse em tom de sarcasmo.

Arthur manteve uma expressão séria e amedrontadora.

一 Como você pode ver, eu não ando mais sozinho. 一 Respondeu.

一 Isso me deixa ainda mais surpresa.

一 Pois é. 一 Continuou. 一 Essas pessoas são muito importantes para mim e eu prezo muito pela segurança delas, mas sei que não vou poder ficar de olho nelas o tempo todo...

一 Então você quer que a gente fique de babá por você? 一 Millize interrompeu.

一 Sim. 一 Respondeu Arthur. 一 E em troca eu me junto a vocês.

一 O que? 一 Uníssono.

Todos pareciam completamente surpresos.

一 Eu não vou repetir.

一 Mas porque você decidiu isso só agora, depois tanto tempo? 一 A comandante perguntou.

一 Eu acabei de falar meus motivos... E também imagino que vocês estejam a fazer algo contra a capital. A final, tem um grupo gigantesco no Vale do Fim do Mundo, suas tropas e o apoio de Tholansky...

一 O que você quer dizer?

一 São números suficientes para invadir a capital. 一 Arthur sorriu de forma presunçosa. 一 A única dúvida é "quando?".

A comandante se manteve séria.

一 Venha comigo. 一 Disse ela.

Os dois desceram a rua e seguiram até um galpão onde havia várias caixas de munição e armas de diferentes calibres.

一 Uau! 一 Arthur arregalou os olhos. 一 Como vocês conseguiram tudo isso?

一 Estamos sendo financiados. 一 Respondeu.

一 Caramba...

Depois disso, os dois sentaram frente à uma mesa onde tinha o mapa de toda a província.

一 Me diga, Arthur. 一 Millize o serviu uma xícara de café 一 O que você oferecer para nós?

一 Se você já ouviu as histórias sobre mim, deve saber bem.

一 Sei sim, mas tem um problema.

一 Qual?

一 Você só é um.

Arthur começou a rir. Porém aquilo deu uma sensação de medo.

一 Nesse caso. 一 Disse ele. 一 Eu vou treinar seus soldados e fazer com que sejam os melhores dos melhores.

一 A Companhia Panzer?

一 De forma alguma. A Companhia Panzer terá seus blindados de volta... A minha especialidade é a infantaria.

A comandante tomou um pouco do café e disse:

一 Isso vai ser uma corrida contra o tempo. Porque nós seremos atacados em quarenta e dois dias.

Nesse momento Arthur parou de sorrir.

一 Como é que é?

一 Isso mesmo que você ouviu. 一 Millize confirmou. 一 Eles chamam de operação final. A Shuri irá nos atacar e sete dias depois os boinas vermelhas atacarão o Vale do Fim do Mundo.

Arthur pôs o cotovelo direito sobre a mesa e apoiou o ros com a mão, deixando o dedo indicador na frente da bola e o polegar na bochecha.

一 E por que você aparenta estar tão tranquila com isso?

一 Porque nós vamos invadir a capital antes disso. 一 Ela sorriu. 一 E deixaremos alguns explosivos de presente para explodirem na cara dos shurenses, quando eles entrarem na cidade.

一 Eu tenho outra pergunta. 一 Arthur continuou. 一 Como você sabe de tudo isso?

一 Nós temos uma informante dentro da palácio presidencial.

一 Isso é impressionante. 一 Arthur levantou. 一 Já que o tempo é tão curto, me dê apenas os melhores, que eu vou trabalhar direitinho com eles.

一 Vai transformá-los em fantasmas, também?

一 Esse título é só meu. 一 Sorriu presunçosamente. 一 Mas eles serão como sombras...

Millize arqueou as sobrancelhas e sorriu junto.

一 Sombras da morte?

一 Não. 一 Arthur caminhou até o arsenal, pegou um fuzil semi-automático e algumas munições. 一 Eu prefiro "Sombras do Destino"...

一 Ok, então.

一 Tem mais uma coisa que quero pedir. 一 Continuou. 一 Não conte à ninguém que eu estou vivo. E muito menos que me juntei a vocês. Pois isso poderia até mudar os planos dos inimigos e, consequentemente, o ataque à capital seria um completo fracasso.

Millize permaneceu um tempo em silêncio, mas depois respondeu.

一 Ok. Você será uma baita carta surpresa...

Arthur acenou com a cabeça, saiu do galpão e viu no céu o tom alaranjado do pôr do sol.

一 Que fome. 一 Sussurrou.



SOMBRAS DO DESTINOOnde histórias criam vida. Descubra agora