A Criança De Olhos Vermelhos

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- Acorda, Arthur! - Gritou Iroha, na manhã do dia seguinte - Você ta muito preguiçoso.

Ele cobriu seu rosto com a coberta.

- Estou só recuperando o sono perdido nos últimos anos... Digo... Meses.

- Mas está na hora do nosso treino. - Ela arrancou fora a coberta - Levanta.

- Eu já fui seu saco de pancadas durante o mês inteiro. - Arthur sentou na cama - Quanto tempo mais vou precisar apanhar.

- Mas hoje vai ser especial... Minhas duas melhores amigas vieram treinar com a gente.

- Que amigas?

- Você não lembra? - Iroha sorriu - Elas me ajudaram a procurar por você quando se perdeu na floresta e trombou com o Thúlio.

- Em primeiro lugar: eu não estava perdido. - Arthur a empurrou para fora do quarto - E em segundo: preciso que você saia para eu me trocar.

- Ta bom... Vou esperar por você lá fora.

Depois de fechar, ele se encostou na porta, respirou fundo e sussurrou:

- Eu só queria dormir...

Cinco minutos depois, Arthur desceu as escadas e as viu sentadas à mesa conversando de uma forma um tanto empolgante.

Uma delas tinha os cabelos pretos, ao menos duas vezes mais escuros que os de Arthur; apesar de sorridente ela aparentava ser um pouco mais introvertida ou talvez reservada; mas de uma forma serena aparentava estar se divertindo tanto quanto as demais. Já a outra garota, que tinha cabelo loiro escuro, era bem empolgada com suas palavras, tendo assim sua voz em destaque dentre as demais. Ambas eram sorridentes e pareciam carregar uma amizade de longa data, a qual Arthur, de certa forma, se sentiu um pouco de desconforto em participar. Porém, antes que ele desse as costas, Iroha o chamou.

- Arthur, vem conhecer minhas amigas!

Ele se aproximou e ficou de frente a elas.

Iroha sorriu e disse:

- Essa se chama Beatriz. - Apontou para a de cabelo loiro escuro - E essa se chama chama Gabrielle. - Tocou no ombro da garota de cabelos pretos.

Arthur esboçou um leve sorriso a acenou com a cabeça, fazendo Iroha perceber que ele estava um tanto desconfortável.

Ela levantou e ficou frente a frente com ele:

- Você está bem? - Sussurrou.

- Estou sim. É que...

Alguém batendo na porta interrompeu a conversa.

- Bom dia, senhor Hanz. - Disse Iroha ao abrir a porta. 

- Eu preciso falar com o Arthur. - Disse ele.

O velho estava com uma expressão séria e cansada, como se tivesse passado a noite em claro.

Hanz e Arthur sentaram na sala enquanto as três garotas cruzavam a porta.

- Você pode participar da conversa, Iroha. - Disse novamente o velho.

- Ta bom. - Ela puxou uma cadeira e se sentou junto com eles.

- Se for sobre o que aconteceu ontem eu prefiro nem ter essa conversa. - Disse, Arthur.

- Calma. - Respondeu Hanz - Eu só quero contar uma história para vocês.

Por um momento o silêncio tomou conta daquele lugar, mas Arthur estava bem desconfiado.

De fato era bem estranho ver os olhos vermelhos de Hanz focados diretamente nele.

- Antes de vir pra cá, eu morava em um lugar chamado Vilarejo Arnus. - O velho quebrou o silêncio - Um dia os militares descobriram que todos os moradores eram descendentes dos Cavaleiros Do Pacto Real e invadiram o lugar. Depois disso passou a ser uma campo de concentração...

SOMBRAS DO DESTINOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora