O despertar

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Depois que o festival acabou e a maioria das pessoas ja tinham ido embora, Arthur e Iroha deitaram próximos a árvore no centro do vilarejo e ficaram observando o céu, que começava a ficar nublado.

- Ei, Arthur. - Sussurrou.

- O que foi?

- Existe algo que você nunca fez, mas tem vontade?

Tocando a ponta dos dedos, os dois pemaneceram com o olhar fixo rumo ao céu.

- Eu não sei. - Respondeu - As coisas que eu costumava querer fazer não eram desejos que deem orgulho...

Iroha olhou para ele e ambos deram as mãos por completo.

- Eu sempre quis ver um show de fogos...

- Mas teve fogos agora pouco.

- Eu não estou falanda dessas bombas de furaça barulhenta que estavam soltando. - Ela sorriu enquanto seus olhos brilhavam - Eu quero ver fogos de várias cores, formas e tamanho, igual narram nos livros.

Arthur se sentiu feliz ao vê-la entusiasmada com o que dizia.

- Deve ser muito bonito. - Sorriu - Um dia vou te levar para ver um show desses.

- Promete?

- Prometo!

Ambos se abraçaram durante alguns segundos, até que Iroha começou a chorar.

- O que foi? - O dois se afastaram - Por que você está chorando?

Ela limpou as lágrimas e desviou o olhar.

- Eu vou te falar algo que nunca falei para ninguém...

Nesse momento o som das batidas de um sino ecoou, acordando todos os moradores. Em pouco tempo, o som de caminhões pôde ser ouvido.

- São os soldados! - Gritaram.

Iroha segurou na mão de Arthur e disse:

- Eu tenho que esconder você. Vem comigo depressa!

Ambos correram juntos para sua casa, subiram as escadas e entraram no quarto de Arthur. Lá Iroha moveu a cômoda, revelando um pequeno buraco na parede a qual dava acesso a um esconderijo que tinha cerca um metro quadrado. Lá também tinha uma mochila com um fuzil semi automático, uma pistola e uma baioneta.

- Essas são minhas coisas! - Disse surpreso

- Mais tarde eu te explico tudo...

Depois que ele entrou e ela fechou o local, ambos puderam ouvir as vozes dos soldados que, entrando de casa em casa, retiraram a força todas as pessoas e reuniram no centro do vilarejo.

Logo um chute arrebentou a porta de casa de Iroha e os soldados a levaram para fora junto com seus irmãos.

- Por favor, não façam nada com eles. - Implorava a velha Alice - São apenas crianças.

- Não se aproxime, sua velha. - Os soldados a barraram.

Arthur conseguia ouvir e ver tudo através de pequenas frestas na parede.

Os homens de boina vermelha olhavam fixamente nos rostos de todos os jovens a qual foram colocados de joelhos em fila, até que pararam em Iroha.

- Essa garota. - O soldado tremeu - É ela!

O oficial no comando focou a lanterna em seu rosto e comparou com uma foto que havia tirado do bolso.

- É você mesma. - Sorriu maliciosamente - Projeto Hori...

Depois virou para seus soldados e deu a ordem:

- Embarquem todos os jovens nos caminhões e tratem essa aqui de forma especial - Apontou para Iroha - O presidente Crawford vai ficar muito contente em tê-la de volta.

Dois soldados agarraram em seus braços e começaram a arrastá-la.

- Me soltem. - Gritavam - Eu prefiro morrer do que voltar!

Alice tentou impedir os soldados, mas um deles a acertou com uma coronhada na cabeça, fazendo com que a velha caisse já inconciente.

Iroha se soltou, correu e socou o rosto covarde daquele soldado, a qual revidou com um chute em seu estômago.

Como resposta, o oficial sacou a pistola e apontou contra sua cabeça.

- O que pensa que está fazendo? 

Iroha derramava lágrimas em um choro profundo a qual molhava o chão a baixo de seu rosto.

O oficial caminhou até ela, puxou seu cabelo e pôs o cano da arma em seu rosto. 

- Eu poderia te matar agora...

De repente, toda a frente da casa foi destruida, arremessando estilhaços de madeira à vários metros. No entanto, não havia nada no local; o que deixou os soldados surpresos.

Em seguida, detrás deles surgiu um par de olhos vermelhos no meio da escuridão.

Rapidamente, dois deles tiveram seus rostos cravados no chão e, de forma quase instantânea, outros dois foram baleados na cabeça, restando apenas o oficial superior, a qual milésimos de segundos depois teve sua garganta cortada.

Com o rosto ensanguentado, uma expressão de raiva e seus olhos vermelhos encandescentes, Arthur limpou o sangue de sua baioneta e desapareceu no nevoeiro que estava começando a se formar.

Depois disso, os gritos de desespero dos outros soldados sendo mortos uma a um começaram a ser ouvidos, junto com os tiros efetuados por eles na tentativa de salvar suas vidas, mas era inútil.

Depois de um tempo, os gritos e tiros cessaram, depois um silêncio tomou conta de todo o local. Ninguém sabia ao certo o que tinha acontecido, mas também não se streviam a entra no nevoeiro para conferir.

Ao amenhecer, um vento trouxe uma leve chuva e fez com que o novoeiro de dissipasse, revelando os mais de cem corpos que estavam espalhados por todo o vilarejo.

De baixo da árvore ao centro, Arthur estava sentado imóvel e de cabeça baixa. Seu corpo estava coberto de sangue, mas nenhuma gota sequer era dele.

Todos ficaram apavorados com o que havia acontecido, mas Iroha levantou, foi até ele e o acraçou pelas costas.

- Não importa o quanto eu queira seguir em frente. - Disse ele - Meu passado sempre vai me perseguir.

Sem saber o que dizer, a garota apenas encostou o rosto em suas costas e apertou ainda mais o abraço.

Logo as pessoas do vilarejo se aglomeraram ao redor. A pesar de estarem com medo, ele sabiam o que os soldados teriam feito se Arthur não os tivesse impedido.

Ele levantou, revelando um rosto ensanguentado a qual estava parcialmente lavado porsuas lágrimas; e sua expressão era de profunda tristeza.

- Separem comida, roupa e se preparem para partir. - Disse ele - Vocês não podem mais ficar aqui.

- Como não? - As pessoas estavam confusas - Você acabou com os soldados e nos salvou.

- Por isso mesmo. - Continuou - Enviaram um pelotão para cá e o mesmo não vai retornar. Ou seja, eles irão enviar outro para ver o que aconteceu.

- Ele tem razão! - Hanz tomou a palavra - Não podemos ficar aqui.

- E para onde nós iremos?

- Província de Torun... 

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