Capítulo 10

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Lívia

Ele estava demorando... Será que não viria mais? Eu estava com os braços nos joelhos sentada quando senti alguém se aproximando, olhei para frente e meus olhos encontraram a pessoa que fazia meu coração acelerar e meu corpo estremecer.

— Frederic não vai poder sair com você. Ele tem aula. Não sei para que prometeu que te levaria em algum lugar em horário de aula. — Demétrio informou-me com olhos cheio de raiva.

Ele estava montado em um cavalo, a visão de sua camisa de botões entreaberta e seus cabelos caindo nos ombros de forma selvagem, fez meu corpo esquentar.

No mesmo instante, vi meu pai se aproximando de nós.

— Filha? Ainda está aqui? Demétrio bom dia.

— Bom dia, Sr.Heitor. — Demétrio cumprimentou, com a mandíbula tensa.

— Fredéric tem aula de manhã, eu não sabia e ele teve que ir, Demétrio veio me avisar agora. — o informei, chateada.

— Demétrio não tem muito trabalho a fazer hoje. — meu pai se virou para ele — Você pode acompanhar Lívia até a cachoeira? Ela estava tão animada e eu confio muito em você.

Meu coração acelerou e meus joelhos enfraqueceram, senti um enorme frio na barriga e uma pontada de felicidade somente em pensar na ideia de ficar sozinha com ele novamente.

Mas lembrei-me que ele era a arrogância em pessoa e que não seria tão bom assim.

Demétrio hesitou antes de responder.

— Eu, — coçou a cabeça, parecendo ter um nó na garganta — Eu a levo. — não parecia feliz no entanto.

— Obrigado Demétrio, divirta-se filha. — meu pai me deu um beijo na testa e entrou em casa.

Demétrio me encarou e eu o encarei de volta.

— Não precisa se incomodar comigo, eu falo com o meu pai que não quero mais ir, sei que você não quer me levar de verdade.

— Seu pai me pediu um favor e eu vou fazer esse favor, para de ser dramática e vamos logo. — falou descendo do cavalo e gesticulando para que eu me aproximasse.

— Vamos de cavalo?

— Sim, eu não vou andar malditos vinte minutos dentro daquela mata.

— Você vai pegar um só para mim? Eu andei com meu pai no meu segundo dia aqui, mas ele conduziu o tempo todo. Você pode me ensinar?

— Não, você poderia se machucar e eu não quero ter problemas.

— Eu não vou me machucar.

— Como sabe? Pelo que sei, veio da cidade grande, é muito delicada e eu não vou arriscar.

— O que tem a ver ser da cidade grande? Tem preconceito?

— Eu preciso dizer com todas as palavras que pessoas de cidade grande estão acostumadas com moleza? — o desdém em sua voz não foi perdido por mim.

Eu o olhei sem entender nada e fiquei parada no mesmo lugar. Meus olhos estavam queimando com lágrimas que queriam descer, mas eu as pisquei de volta.

— Você vai vir ou não? Não tenho o dia todo.

Eu havia cansado desse modo de tratar dele para comigo sem eu nunca ter lhe feito nada.

— Demétrio, é muito mais fácil você dizer que não quer me levar, porque pelo que sei, não está sendo obrigado a fazer esta merda. Desde o dia em que eu cheguei aqui, você vem me tratando dessa forma e dane-se se você é assim com seu irmão ou com todo mundo ao seu redor, eu não te fiz mal nenhum, e eu não sou como essas meninas de cidade grande não, apesar de minha pouca idade eu já passei por coisas que você duvidaria se eu te dissesse. Não sou mimada e muito menos acostumada com boa vida, eu sofri demais para estar finalmente aqui hoje com o meu pai. Eu vim para cá para ter uma nova vida, melhor do que a que eu tinha que era péssima, não para ser tratada com arrogância por um bruto como você e eu não vou mais aceitar isso, seu idiota. — desabafei.

Ergui minha cabeça e caminhei de volta para dentro de casa, engolindo a vontade de chorar.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora