Capítulo 12

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Lívia

Desci as escadas, entrei em meu quarto e fechei a porta da varanda, puxei a cortina e me encostei na parede, tentando acalmar as batidas frenéticas do meu coração.

Estava grata por ter tido forças o suficiente para me levantar sem que meus joelhos fraquejassem quando os lábios de Demétrio quase tocaram os meus e as sensações que sua proximidade me fez sentir, como minhas mãos trêmulas e suadas e meu corpo quente.

Eu tinha quase certeza que ele me beijaria e eu estava a ponto de fazê-lo também. No entanto, consegui me recompor e me afastar antes que pudéssemos fazer algo que nos arrependeríamos depois, eu não, mas ele sim e eu não iria mais tolerar suas grosseirias.

Mesmo quando tão de perto eu estive ainda mais ciente da beleza daquele homem, cada detalhe do rosto masculino, a barba por fazer, os lábios carnudos e os olhos castanhos, me fizeram suspirar.

Ele havia sido um idiota e mereceu que o deixasse lá em cima, poderia não ser experiente quanto aos homens, mas eu jurava que havia visto desejo em seu olhar.

Tomei um banho e me deitei na cama para ler um livro quando meu pai me chamou para almoçar, desci e tentei disfarçar que meus pensamentos não estavam no maldito capataz.

Mais tarde naquele dia, estava assistindo a um filme com meu pai e quando as letras começaram a subir, indicando o fim, me levantei do sofá e me espreguicei, ouvindo o estalo das minhas costelas.

— Pai, posso dar uma volta aqui na frente?

— Que horas são?

— Onze e um pouco.

— Não é muito tarde?

— É que eu amo observar a lua lá de fora.

— Tudo bem, mas não entra muito tarde.

— Não o farei. — sorri para ele e caminhei para fora.

Do topo das escadas, notei que o celeiro estava com a luz acesa, decidi ir até lá para dar uma olhada nos cavalos. A porta estava aberta quando me aproximei, entrei e comecei a caminhar na frente dos cavalos, acariciando-os e falando coisas bobas. Eu sempre acreditei que os animais poderiam entender os humanos perfeitamente.

— Vocês são muito lindos e bonzinhos. — sussurrei fazendo carinho em cada um dos três que haviam lá.

— Falando sozinha? — sobressaltei quando ouvi a voz sussurrante de Demétrio e meu coração saltou junto.

— Que susto! — exclamei, me virando para encará-lo.

— Então você fala sozinha. — repetiu.

— Sozinha não, com os cavalos.

— Consegue se comunicar com eles? — não perdi o tom irônico em sua voz.

— Para mim os animais são melhores do que algumas pessoas para conversar.

— Afiou bem a espada, hein? — murmurou e eu franzi as sombrancelhas.

— Como assim?

— Para me dar esse corte. — reprimiu um maldito sorriso, enquanto arrumava algumas coisas no galpão. 

— Oh, entendi. Então isso significa que você tinha um arsenal de armas muito bem afiadas desde que eu cheguei, hein? — o provoquei.

Ele me encarou por alguns segundos e então voltou a fazer o que estava fazendo, sem demonstrar nenhuma expressão no rosto. Tentei ignorá-lo ao máximo e voltei a fazer carinhos nos cavalos, mesmo que em alguns momentos eu podia sentir seu olhar queimando sobre mim.

— Tenho que trancar o celeiro. — sua voz falou atrás de mim, muito perto. Ofeguei levando um susto novamente.

— Você me assustou de novo. — reclamei.

Me virei para encará-lo e para minha surpresa, ele estava mais perto do que eu imaginava, poucos centímetros separavam nossos corpos, ergui a cabeça, olhei para seus lábios carnudos e meu corpo ficou quente novamente.

Maldito homem bruto e... Tão bonito.

— Obrigado por ter se afastado e descido, Lívia. — ele passou a língua nos lábios para molhá-los e eu quase fechei os olhos ante o desejo que me inundou de sentí-los.

— Não sei do que está falando. — me fingi de boba.

— Você sabe. Claro que sabe. — sussurrou. 

— Ok, eu sei. Por que está me agradecendo por isso? — indaguei, querendo de alguma forma ouvir sair de seus lábios que ele também me beijaria, mesmo sabendo que todas as suas expressões diziam isso.

Ele ficou em silêncio, olhando profundamente dentro dos meus olhos, como se procurasse alguma coisa.

— Por que, Demétrio? — perguntei mais uma vez, nervosa, e ele chegou mais perto.

— Me ajudou a não fazer algo que talvez você não gostaria. — deu uma pausa e me surpreendeu quando cheirou meu cabelo — Ou gostaria? — ele chegou ainda mais perto, se inclinando para alcançar meu rosto, deixando-os a milímetros um do outro.

— N-Não... — sussurrei, fechando automaticamente meus olhos quando ele passou as pontas dos dedos em meu rosto, meu corpo todo estremeceu com o toque.

— Não? — começou a passar os lábios levemente em minha bochecha, eu quase soltei um gemido, mas sofri para segurá-lo na garganta.

Quando de repente, ele se afastou. De imediato abri os olhos me odiando por estar frustrada por ele ter parado de me tocar.

— Tem certeza? Não foi o que pareceu, você estava tão preparada para que eu te beijasse, estava quase implorando.

— Argh! Você é tão idiota! — falei irritada e decepcionada saindo do celeiro a passos largos, parei na porta e me virei para ele — Você queria tanto quanto eu, não tente se sentir melhor colocando-me como a única que queria. Você sabe disso, mas não voltará a acontecer. — voltei a me virar e caminhei para casa.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora