Demétrio
Continuei olhando para a porta fechada mesmo após ela ter passado por ela e batido-a com força. Suas palavras se repassando em minha mente. Remorso se aponderou de mim como uma mão agarrando meu peito e espremendo-o.
Eu sempre deixava que minha raiva falasse por mim e tratava as pessoas de maneira rude, mesmo quando no caso de Lívia, não mereciam.
Eu merecia que ela me odiasse por ser um bruto. Mas acontecia que meu coração era de pedra e eu não conseguiria corresponder a ela com a mesma educação e doçura que ela tinha.
Talvez eu tenha exagerado, a culpa e o arrependimento me consumia cada vez mais, principalmente no momento em que vi lampejos de lágrimas e dor em seus olhos que eu tanto achava lindos. Não era o que eu queria estar sentindo no momento, mas depois de tanto tempo, nenhuma mulher jamais havia me deixado tão confuso.
Talvez também tenha sido o pior jeito que consegui para me defender do que eu senti assim que a vi, assim que olhei naqueles lindos olhos angelicais. Uma armadura mais dura do que de costume, que não permitiria ninguém me magoar de novo, então eu a magoaria, a trataria de forma rude para que ela fizesse o mesmo comigo e eu a odiaria ao invés de desejá-la.
Eu tinha um problema com mulheres de aparência inocente, porque foi assim que Kristen entrou em minha vida, eu acreditei que tinha encontrado a mulher da minha vida, meu anjo, quando ela me traiu da pior forma, destruindo toda minha confiança nas pessoas ao meu redor.
Ela me traiu com o cara que eu considerava meu melhor amigo, na minha cama, enquanto eu trabalhava para realizar o sonho dela de ter uma boa vida, com estabilidade financeira. Depois que terminamos, ela pediu abrigo na casa dos meus pais, pois não tinha para onde ir e o maldito com quem me traiu não a quis mais.
Eu larguei tudo na cidade quando conheci o Sr. Heitor em uma feira e o vi perguntar a um feirante se ele sabia de um bom capataz com experiência para a fazenda, eu não sabia muita coisa, mas instinti que me desse uma chance, que eu aprenderia rápido, o bom homem me deu o emprego e eu fui embora da cidade.
Quando duas semanas depois, minha mãe me ligou da cidade, aos prantos, dizendo que encontrou Kristen na cama com o meu pai. A tragédia estava formada, eu pedi a minha mãe para vir morar comigo, mas meu pai não deixou ela sair, então ela fugiu com o carro e Frederic, mas meu pai a perseguiu com o carro emprestado do vizinho acarretando em um acidente que tirou a vida dos dois.
Somente Frederic sobreviveu, ele tinha doze anos na época.
Meu mundo caiu, desabou e desse dia em diante eu vivi amargurado, coração fechado e cuidando de Frederic de maneira dura, mas apenas na intenção de torná-lo em um homem de caráter.
Balancei a cabeça com força, sentindo uma dor terrível em meu coração, tentando afastar as malditas lembranças.
Decidi que tinha que me desculpar com a Lívia, ela não merecia o jeito que vinha tratando-a.
Caminhei em direção a casa dela e entrei em silêncio, fazendo o mínimo de barulho possível na intenção de não ser visto. Estava tudo silencioso e não havia ninguém a vista. Quando cheguei a porta do seu quarto, dei algumas batidas leves mas ela não abriu. Não podia arriscar ser visto, então me atrevi a entrar.
— Lívia, estou entrando. — avisei, empurrando a porta do quarto. Mas não a vi, rapidamente imaginei onde poderia estar.
Subi as escadinhas e a vi sentada no chão com os braços cruzados sobre seus joelhos e sua cabeça afogada entre ambos. O arrependimento voltou a me consumir e me amaldiçoei mentalmente.
Tão pequena, tão frágil, tão sozinha.
Limpei a garganta.
— Imaginei que estaria aqui. — falei e ela me olhou, com olhos marejados.
— O que está fazendo aqui? Vai embora.
— Calma, não vai ser preciso falar comigo daquele jeito de novo garota da cidade. — dei um meio sorriso, um pouco tenso por dentro.
— Sai daqui, Demétrio. O que você quer? Falar grosseiria comigo de novo? Eu prometo ficar longe de você.
— Queria me desculpar. — declarei, caminhando lentamente em sua direção. A expressão de surpresa em seu rosto foi clara.
— Como é que é? — ofegou.
— Te peço desculpas por ter sido um idiota com você. — agachei em sua frente, peguei em sua mão e ela olhou em meus olhos profundamente.
Oh, baby, eu adoro seus olhos.
É que não eram olhos comuns, eram os olhos mais bonitos que já havia visto em toda minha vida. Eu era mais velho e muito mais experiente do que ela. Que merda essa garota estava fazendo comigo?
Me aproximei lentamente de seu rosto e encarei seus lábios rosados e apetitosos, que pareciam implorar para que eu os tomasse, com o simples fato de existirem.
Porra, estava fodido! O que eu estava fazendo? Não podia fazer isso com ela, ela não era para um caso casual de uma noite como eu estava acostumado.
Isso não impediu que meu rosto chegasse mais perto do seu até que nossos narizes se tocarem e eu sentir a respiração ofegante vindo dela. Eu precisava retomar o controle do meu corpo e ações, mas foi um inferno de impossível quando ela passou a língua molhando o lábio inferior.
Fechei os olhos, quase gemendo com o efeito que teve sobre meu corpo, fazendo-me reagir por completo, quando para minha surpresa, ela se afastou.
— Desculpas aceitas. Agora tenho que ir. — se afastou apressadamente.
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Maldito Bruto (Concluído)
RomansaEle é rude e ela um amor. Será que a doçura de uma moça conquistará o coração de um bruto? "Quando olhei para trás, avistei um homem alto e de ombros largos, uma muralha de músculos. Era muito bonito e forte. Sua camisa de botões entreaberta não co...
