Capítulo 40

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Lívia

Eu estava entediada e começando a ficar com raiva, desci para a sala de estar e liguei a televisão, nada que passava me prendia, então desliguei. De repente o telefone tocou e eu corri para atender.

— Alô. — falei, com o coração acelerado.

— O Demétrio já chegou?  — ouvi a voz desconhecida de uma mulher.

— Ele não está aqui. Quem está falando?

— Ele saiu daqui a duas horas e disse que iria me avisar quando chegasse e até agora ele não ligou, estou preocupada.

— Posso deixar, aviso a ele sim.

— Me chamo Charlotte, pede ele para me ligar quando chegar. — a mulher disse e desligou.

Me segurei no sofá para não sucumbir a tontura forte que me atingiu. Respirei fundo várias vezes com o coração batendo tão forte a ponto de dor.

Deus, não queria desconfiar dele, não queria... Não acreditava que o Demétrio havia sido capaz de me enganar. Será que ele realmente havia feito?

E aquele sumiço dele durante o dia todo? Ele estaria de folga e havia marcado comigo de passarmos o dia juntos na cabana.

Comecei chorar, um ódio tão grande tomando conta de mim por qualquer que fosse a situação. Estava sem acreditar, não podia se quer imaginar Demétrio beijando outra mulher que não fosse eu.

Se ele mentiu, me faria sentir nojo dele, em como ele teve coragem, como ele me falava coisas tão lindas, me tratava como uma princesa e fora capaz disso? Nada daquilo fazia sentido, meu coração estava a ponto de explodir, estava doendo.

Eu estava com raiva, não dele, mas porque parecia que nunca teríamos paz.

— Filha? O que houve? — ouvi de repente a voz do meu pai entrando na sala.

A última coisa que me lembro de antes de apagar, foi das mãos do meu pai em meu rosto.

Não sei depois de quantos minutos eu acordei, mas quando abri os olhos estava na minha cama com Demétrio, Maria e meu pai com olhares preocupados em minha direção. Ao acordar e ver o rosto de Demétrio meu coração apertou de novo e eu comecei a chorar, sem conseguir controlar.

— Linda, eu estava morrendo de preocupação. Você está bem? — Demétrio falou vindo em minha direção.

— Fique aí. — falei.

— Por que? — Demétrio perguntou, com expressão de confusão e isso fez doer ainda mais meu coração.

— Por favor, me deixem sozinha com o Demétrio. — pedi ao meu pai e a Maria.

— Tudo bem filha, se precisar de mim, me chama. — pegou a mão da Maria e saíram do quarto.

— O que aconteceu, linda? — Demétrio perguntou novamente.

— Quem é Charlotte? — perguntei.

Ele arregalou os olhos por alguns instantes e engoliu em seco.

— Não minta para mim. — pedi.

— Ela é a filha do dono da fazenda que eu e seu pai fomos visitar hoje. Ele me pegou de surpresa ao me chamar, estava tudo certo para nosso dia juntos, mas ele me pediu que fosse com ele pois ele quer comprar a fazenda e confia apenas em mim para acompanhar o processo.

— E mais o que?

— Eu iria te contar assim que chegasse aqui.

— Contar o que? Ela ligou para cá, me disse que você estava na casa dela e que ela é sua namorada.

— Lívia, meu amor, você precisa confiar em mim, isso só pode ser um mal entendido.

— Você já ficou com ela? — ele hesitou, desviando o olhar — Ficou ou não?

— Fiquei, mas foi antes de você, na verdade tem algum tempo.

— Vocês dormiram juntos?

— Meu amor, o que isso tem a ver? Eu nem sonhava em te conhecer e não foi nada sério.

— Vocês conversaram hoje?

— Eu iria te contar tudo, eu juro.

— O que você iria me contar?

— Ela tentou me beijar em certo momento que ficamos sozinhos. Mas eu me afastei, eu juro, linda. Eu amo você mais do que tudo.

— Por que a história que as pessoas estão contando, é bem parecida com a sua, mas você está omitindo tanta coisa?

— Eu não estou omitindo nada. — se afastou da cama.

— Tem certeza? Jure para mim. — pedi, o encarando.

Ele me olhou, parecendo decepcionado.

— Eu juro. Não estou acreditando que estamos passando por isso. Eu pensei que me amasse e confiasse em mim, a minha consciência está limpa Lívia, mas estou decepcionado por você preferir acreditar em fofocas do que em mim, vou descobrir agora mesmo quem inventou esta merda. — caminhou para fora do quarto e bateu a porta.

Me encolhi na cama. Eu estava confusa, desesperada e meu coração estava doendo. Será que fiz a coisa certa? O amor da minha vida saiu por aquela porta e podia nunca mais voltar, por minha causa, por causa da minha desconfiança.

O telefonema fazia sentido, as fofocas que estavam rolando pela fazenda. Meu Deus, eu tinha fama de chifruda? Será que Demétrio seria capaz disso mesmo? Ele sumiu o dia todo, não deu nenhuma explicação. Estava na fazenda da tal Charlotte, ela tentou beijá-lo de acordo com ele e eles já tiveram algo antes.

Mas e todo o tempo em que ele esteve ao meu lado, me apoiando, me protegendo, me fazendo sentir a pessoa mais importante e especial do mundo para ele? O Demétrio que eu havia me apaixonado e amava com todas as forças, nunca seria capaz disso.

Ele poderia ter feito, mas para mim, ele não fez. Eu confiava nele, em nosso amor, em nossa pequena história. Ele se abriu para o amor só para mim, ele me amava.

Sai da cama e corri para alcançá-lo, mas ele já havia saído da minha casa, corri até sua casa, mas somente Fredéric estava. Quase gritei de frustração, em como eu pude ser tão idiota.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora