Capítulo 39

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Demétrio

Meu coração estava estraçalhado em milhões de pedaços, mas com aquele abraço tão apertado que eu dei na minha Lívia, os pedaços se juntaram novamente.

Me sentia o pior homem do mundo por ter demorado e tê-la feito passar por algo tão horrível. Eu precisei andar muito para encontrar uma borracharia, mas fiquei conversando com o dono por mais de dez minutos depois que o pneu ficou pronto. Mesmo que não tenha sido minha culpa, em partes era sim, eu deveria estar lá por ela quando ela precisasse.

Me sentia furioso, irado, queria ter matado aquele maldito desgraçado.

— Meu amor, se sente um pouco melhor? — perguntei sussurrando em seu ouvido.

— Uhum. — ela assentiu — Quero tomar um banho.

— Eu te ajudo. Posso?

— Sim, é claro que sim.

Tirei seu vestido, sua calcinha e seu sutiã, por mais que eu fosse louco por ela, aquele não era o momento para ficar excitado, então só foquei em cuidar dela. Também tirei a minha roupa e a levei para debaixo do chuveiro, ligando-o.

Lavei cada parte do seu corpo com todo amor e carinho que ela merecia, quando terminei, a sequei, me sequei, vesti minha roupa primeiro e só então fui até o closet dela e peguei uma calcinha e uma roupa de dormir confortável.

Voltei para onde a deixei parada e a vesti.

— Eu daria tudo para você esquecer aquilo, sei que vai ser difícil, mas...

— Demétrio, deixa eu ficar no seu colo?

— Mas é claro que sim. Vem. — peguei sua mão, tirei a coberta da cama, peguei ela com cuidado e me sentei na cama, debaixo das cobertas, aconchegando-a em meu corpo — Ele... Ele te machucou?

— Não... Mas ele queria me machucar Demétrio... Ele queria... — Lívia começou a chorar novamente e isso quebrou meu coração.

Eu deveria mesmo ter matado aquele filho da puta.

— Linda, eu queria tanto acabar com aquele maldito. — apertei o maxilar de raiva, lembrando-me que só parei de bater nele porque ela me pediu.

— Você seria preso por assassinato e ficaria longe de mim.

— Eu não quero ficar longe de você, por isso parei, eu iria matá-lo com certeza.

— Eu te amo. — respirei aliviado por ouví-la dizer que me amava.

Uma parte idiota de mim estava com medo dela não me querer mais depois de tudo.

— Eu também te amo, mais do que qualquer coisa. — a abracei até ela cair no sono.

Lívia

No dia seguinte, fui a delegacia prestar um depoimento formal e também passei pelo exame de corpo e delito. Foi horrível e humilhante. Chorei um pouco mais quando voltei para casa e fui amparada pela minha família.

Meu pai foi até a faculdade e falou um monte porque não havia um maldito segurança no local, a diretora tentou argumentar que era um dia atípico, mas ele não se importou.

Dois dias depois, eu já me sentia um pouco melhor do que antes, o trauma não iria embora tão cedo, mas eu tinha o melhor namorado do mundo, o melhor pai e a melhor madastra, e estavam todos me apoiando e me confortando o tempo inteiro.

Era sábado e eu havia ido a casa do Demétrio mas ele não estava, tínhamos planejado passar o dia juntos, ele me levaria até a cabana novamente. Era muito estranho porque Demétrio nunca saia sem me dizer alguma coisa.

Decidi voltar para casa, logo ele apareceria para irmos.

— Oi, Lívia. — me surpreendi ao ouvir a voz do Marcos, ele havia parado de falar comigo desde o dia seguinte ao nosso encontro, me evitava a todo custo e nem sorria para mim quando nos víamos pela fazenda.

— Oi, Marcos. — o cumprimentei.

— Como você está?

— Estou bem e você?

— Melhor agora. — franzi as sombrancelhas.

— Que bom. Eu já vou. — falei e me afastei.

— Espera! — parei quando ele exclamou.

— O que foi?

— Sinto muito que você e o Demétrio tenham terminado.

— O que?! Nós não terminamos.

— Não? A Kristen disse que...

— A Kristen?

Eu quase não a via mais, ela havia parado de me encher o saco depois que Demétrio e eu assumimos o namoro e eu a evitava a todo custo também.

— Ela havia dito que vocês terminaram, que ele te deixou por outra e que inclusive foi passar o dia com ela.

— O que?! Ela só pode estar louca. Eu e o Demétrio estamos juntos e estamos muito bem. — falei na defensiva.

— E onde ele está?

— Não sei... Deve ter saído para resolver alguma emergência.

— Eu não ouvi nada a respeito.

— Hoje é o dia de folga dele, pode ser uma emergência familiar. Inclusive, meu pai está com ele, eu acho, porque ele também não está em casa.

— Você está em negação. Lívia, eu não queria te falar, mas vejo que está totalmente cega e uma pessoa que te trai, não merece sua confiança desta forma.

— Me trai? Como assim?  — exclamei indignada.

— Todos na fazenda estão comentando que o Demétrio está saindo com a filha do dono da fazenda ao lado, ela se chama Charlotte.

— Quem inventou essa mentira? — né alterei, furiosa.

— Estão falando por aí, só quero abrir seus olhos porque gosto muito de você.

— E se eu perguntar a outras pessoas? Eles vão confirmar sua história? Já que você disse que toda a fazenda está comentando.

— Pergunte ao Arthur, ao Jonas, ao Lúcio.

— Não pode ser. Você está mentindo! Por que está fazendo isso, Marcos? Eu pensei que fosse um bom homem. — balancei a cabeça, sentindo meus olhos ficarem marejados.

— Lívia, eu sinto muito. Sei que está em negação. Apenas pergunte ao Demétrio onde ele estava e se ele conhece a Charlotte, provavelmente irá mentir sobre a traição, afinal, quem iria confessar? Mas ele vai reconhecer o nome.

Engoli em seco, com o coração apertado e mãos trêmulas, um frio incomum se instalou em meu estômago. Voltei para casa e esperei por notícias do Demétrio durante todo o dia e não tive, Maria disse que e estava com meu pai. Eu não queria acreditar no Marcos, eu confiava no Demétrio, no entanto, as circunstâncias estavam começando a bem lado no fundo, me fazer duvidar.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora