Lívia
— Achamos ele. — Demétrio exclamou, de longe já havíamos avistado o carro dele estacionado de qualquer jeito na entrada.
Desci do carro e comecei a andar rapidamente em direção a casa, porém Demétrio me fez desacelerar os passos quando segurou minha mão.
A porta estava aberta e entrei primeiro quando alcançamos, a cena fez meu coração ir até a garganta e voltar para o lugar, Leonel estava com uma arma apontada para o meu pai, mas seu rosto estava todo machucado e sangrando, pior do que havia ficado quando meu pai me buscou pela primeira vez e o espancou.
— Chegou quem faltava para completar a festa, o motivo de toda a desgraça. — Leonel se referiu a mim.
— Porra, minha filha. O que está fazendo aqui? Eu disse pra não vir! — meu pai me olhou desesperado.
Demétrio entrou na minha frente, de forma protetora.
— Largue a arma. — disse, erguendo as mãos, demonstrando que não agiria.
— Quem é você? — Leonel gritou.
Lentamente, Demétrio deu alguns passos em direção a ele, mas parou abruptamente quando teve a arma mirada para si.
— Para trás.
— Pai... — sussurrei, com lágrimas nos olhos.
No momento que Leonel olhou para mim, Demétrio pulou em cima dele na tentativa de arrancar a arma de sua mão e eu corri para abraçar o meu pai.
— Se afaste! — ouvi Demétrio gritar e ergui o olhar, encontrando Demétrio apontando a arma que ele tomou de Leonel, para o mesmo.
Para surpresa de todos, Leonel retirou outra arma da parte de trás da calça e um barulho muito alto soou, seguido de mais dois. Gritei no momento que senti algo perfurar a minha pele da barriga, tão doloroso que me fez cair no chão e minha visão ficar turva, ouvi gritos abafados ao meu redor, mas tudo que me chamava naquele momento, era a escuridão e o vazio.
Demétrio
No momento em que ouvi o disparo saindo da arma escondida de Leonel, não pensei duas vezes antes de atirar contra ele também, ele caiu, sendo atingindo, mas o grito do amor da minha vida, fez todo o sangre drenar do meu rosto e o meu coração bombear tão forte que doeu.
Um grito do sr. Heitor soou, tão doloroso quanto eu poderia ter feito, se não tivesse me sentindo culpado demais. Fui para ela o mais rápido que pude, mesmo vendo que seu pai já a amparava. Ela estava no chão desacordada e sangrando, parecia que o chão havia sumido de debaixo de mim.
— Minha filha, minha filhinha. Por que você a trouxe, Demétrio? Por quê? — ele gritou desesperado e meu coração rachou em milhões de pedaços, a culpa me consumindo cada vez mais.
Eu nunca me perdoaria.
Ele tentava pegá-la no colo, mas parecia desnorteado demais para conseguir se equilibrar, a tomei de seus braços e corri em direção a caminhonete.
— Lívia, me perdoa. Me perdoa. Por favor, não nos deixe, por favor, por favor... — murmurei, com lágrimas me cegando e a dor me massacrando.
***
Lívia estava na sala de cirurgia. Eu e o Sr. Heitor estávamos inquietos e impacientes na sala de esperava, eu que não era de rezar, estava fazendo isso a cada segundo. Queria me socar, me infligir dor, até ser o suficiente para pagar pela dor dela. Se ela morresse... Se algo acontecesse com ela, eu morreria junto, não suportaria.
A culpa era minha.
A culpa era minha.
— Se aquele desgraçado não estiver morto, eu vou derminar o serviço. — Heitor caminhou até mim e segurou com força o meu ombro — Cuida da minha princesa. Eu sei que ela vai voltar para mim. Ela vai ficar bem. — ele apertou mais forte meu ombro, com tristeza e raiva estampada nos olhos e saiu do hospital.
Eu estava um caco. Sentei na cadeira do hospital, joguei a cabeça para trás e desabei, não aguentei. Era a minha Lívia, a garota doce que conquistou meu coração depois de anos de amargura.
Não podia perdê-la. Comecei a chorar feito uma criança, algumas pessoas passavam me olhando, mas eu não estava me importando, estava sofrendo, me sentindo culpado e não iria esconder isso, poderia sufocar se o fizesse. As memórias de quando trouxe minha mãe depois do acidente e como fiquei angustiado aguardando respostas, só fizeram tudo pior.
Por favor, minha princesa... Fique bem, fique comigo.
Horas se passaram e nenhuma notícia de Lívia ou do sr. Heitor. Minutos pareciam horas e as malditas horas, anos. Tentei saber de alguma coisa com alguns médicos que passavam, mas ninguém me respondia naquela merda.
— Caralho. — grunhi, furioso.
Esperava que o filho da puta do Leonel estivesse morto. Eu sabia que o tinha atingido.
— Olá. — me viro em direção a voz e avistou o médico que entrou correndo junto a maca de Lívia — Você é familiar de Lívia Garden? — o Dr. parecia sério.
— Sim. Como ela está? Por favor doutor, me diga que ela está viva e bem?
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Maldito Bruto (Concluído)
RomanceEle é rude e ela um amor. Será que a doçura de uma moça conquistará o coração de um bruto? "Quando olhei para trás, avistei um homem alto e de ombros largos, uma muralha de músculos. Era muito bonito e forte. Sua camisa de botões entreaberta não co...
