Capítulo 34

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Lívia

Semanas se passaram e eu estava totalmente recuperada. Eu estava tentando evitar a continuação da conversa do meu pai com o Demétrio, mas sabia que não poderia fazer isso por muito tempo, estava preocupada. Demétrio era seu empregado, meu pai sempre foi um homem maravilhoso, mas eu era sua única filha, tinha medo de sua reação, ainda mais depois do que ele havia me pedido quando cheguei do hospital.

— Lívia, não posso mais evitar essa conversa com o seu pai, vou falar com ele hoje mesmo.

— E se ele ficar bravo? Você vai ter que ir embora e vamos ficar separados.

— Tenho certeza que ele vai entender, mas você precisa parar com esse pessimismo. — Demétrio começou a se chatear.

— Não é isso... É que eu tenho medo que... — ele me interrompeu.

— Você não quer assumir que estamos juntos, é isso? Seja sincera.

— Claro que eu quero, mas... — não me deixou terminar a frase.

— Muito bem. Eu já entendi. Achei que você me amasse como eu amo você. Você tem vergonha por eu ser o capataz e alguns anos mais velho do que você?

— Não! Lógico que não. Eu amo sim você, eu amo muito. É só um medo bobo de que aconteça algo que nos separe. Mas tudo bem, pode falar com ele.

— Quer saber? Acho que você está certa, não irei falar com o seu pai, agora ou depois. Nós vamos terminar, não vou ficar me encontrando escondido com você para sempre, Lívia.

— Demétrio, meu pai me pediu para não namorar agora. Tenho medo, só isso.

— Ele te pediu isso? — seu olhar de decepção partiu meu coração.

— Sim. Por isso estou com tanto medo de sua reação, porque simplesmente não sei qual será.

— E você não falou sobre nós imediatamente quando ele te pediu isso? — sorriu sem graça alguma — Lívia, eu estou disposto a tudo para ficar com você, mas pelo visto você não.

Demétrio disse essas palavras com a voz trémula e virou as costas. Ele iria embora? Estava ele me deixando? Eu era tão medrosa, tão inexperiente nesse assunto amor, mas eu não poderia deixá-lo ir. Não mesmo.

Entretanto, não consegui me mover, não consegui dizer uma palavra se quer, ele simplesmente foi e eu fiquei ali, parada, de pé e querendo chorar. O que havia acontecido comigo? Eu travei.

Depois de vários minutos ali, sem compreender o que deu em mim, ouvi a voz de alguém me chamar.

— Lívia. — era a voz da Maria.

— Oi... — disse desconcertada com lágrimas nos olhos.

— O Demétrio está lá dentro. Acho que ele vai falar com o seu pai sobre vocês. — Maria falou animada e meu coração acelerou.

— Maria, acho que ele não vai falar sobre isso.

— Por que? Você estava chorando? Vocês brigaram?

— Brigamos, ele terminou comigo, não sei se é sobre isso que irá falar. Eu só estava com medo da reação do meu pai, ele me pediu para não namorar e eu...

— Lívia, seu pai é otimo, ele vai entender. Vem comigo, vamos lá, talvez vendo seu belo rostinho ele amoleça mais, vamos! — Maria me puxou pela mão até entrarmos em casa.

Assim que entramos, ouvi a voz do meu pai.

— Como assim Demétrio? Você é meu braço direito aqui.

— Sr. Heitor, eu preciso dessa mudança. Não vai mudar em nada, o George é muito competente lá e será aqui também.

— Todos já estamos acostumados com você aqui. Até você se adaptar lá e George aqui, será difícil.

— Você vai embora?! — interrompi a conversa e os dois me olharam.

Meu coração estava apertado, quebrado por ele ter terminado comigo. Meu corpo e minhas mãos tremiam. Eu não iria suportar se fosse embora, não iria. Não iria suportar a dor da ausência dele. Eu o amava demais e me magoava que ele duvidasse do meu amor por ele.

— O Demétrio está me pedindo para ficar algum tempo cuidando da nossa empresa filial na cidade ao lado que também possui um criadouro de animais.

— Você não pode ir... — meus olhos encheram de lágrimas. Meu tom de voz praticamente implorando.

— Sr. Posso começar a arrumar minhas coisas? Está bem com isso? — me ignorou e se virou para o meu pai.

— Não estou bem com isso, mas se é sua decisão. Eu não vou perder meu melhor funcionário, apenas será transferido.

— Mais tarde volto para me despedir. — Demétrio falou e passou por mim.

Fui atrás dele, sentindo frustração por estar sendo ignorada. Não poderia simplesmente deixá-lo ir.

— Espera... — segurei seu braço mas ele se afastou e não olhou para trás — Não vai. Por favor... — meu coração estava em pedaços — Essa é a sua solução? Ir embora? Fugir?

Continuou me ignorando e caminhando.

— Nunca duvide do meu amor por você, seu idiota! Eu nunca terminaria assim com você, nunca te abandonaria por não fazer a minha vontade, é isso que está fazendo agora!

Não me importei com quem estava perto, com a reação do meu pai ou de qualquer um.

— Eu nunca tive nada na vida, muito menos um namorado, não sei lidar com um monte de situações, posso ser imatura e uma chata, mas eu nunca magoei você como está fazendo agora. Você não está agindo como um homem que ama sua mulher, está sendo impulsivo e um grande idiota! Adeus, Demétrio! — exclamei, furiosa e triste, com lágrimas rolando pelos meus olhos.

No mesmo segundo, Demétrio se virou, em sua expressão havia culpa e raiva, apressadamente andou em minha direção, meus olhos estavam cheios de lágrimas e senti quando seus dois braços abraçaram minha cintura, puxando-me para ele.

E, me beijou tão apaixonadamente que eu quase me derreti em seus braços, o correspondendo como se minha vida dependesse daquilo, como se fosse a última vez. Eu o amava, eu o amava tanto e jamais seria capaz de deixá-lo ir.

Após um minuto inteiro nos beijando, paramos, e quando paramos, nos deparamos com o olhar surpreso do meu pai sobre nós. Meu pai estava pálido, não sabia o que iria acontecer a partir de agora, mas sabia de uma coisa, eu iria lutar pelo meu amor.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora