Capítulo 20

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Lívia

Quando abri os olhos na manhã seguinte, estava deitada em minha cama, levei minha mão aos meus lábios rapidamente e me espreguicei abrindo um sorriso enorme quando me lembrei da noite passada.

— Será que Demétrio me trouxe para a cama ou eu estava com tanto sono que não lembro das minhas últimas ações antes de adormecer? — questionei a mim mesma — Eu me lembro de ter caído no sono com o ele... Oh, não! Será que tudo não passou de um sonho? — o sorriso sumiu do meu sorriso.

E mesmo que tivesse sido um sonho, tinha sido tão real e incrível que eu ainda podia sentir as mãos de Demétrio em minha pele e a sensação dos seus beijos. Eu mal podia acreditar que ele se declarou para mim, que eu praticamente beijei dois homens em um dia. Bem... Com o Marcos não havia sido exatamente um beijo, mas nós saímos em um encontro.

Não importava, não sairíamos mais.

Tomei banho, escovei os dentes, me arrumei e desci para encontrar meu pai me esperando para o café da manhã.

— Você parece feliz hoje, filha. — meu pai falou sorrindo.

— Eu tive bons sonhos... — expliquei, com o rosto ficando quente.

— O capataz vai até a cidade hoje resolver algumas questões da fazenda que estão pendentes e que ele ficou encarregado, você precisa de alguma coisa?

Era uma ótima oportunidade para ficar mais perto dele, meus olhos se encheram de animação e meu coração acelerou.

— Eu preciso ir lá, gostaria de comprar algumas coisas, será que o senhor poderia me dar algum dinheiro? — eu não precisava comprar nada, apenas pedi o dinheiro para parecer mais real.

— Claro! Eu sempre quis que minha filha adolescente me pedisse dinheiro. — meu pai gargalhou, contente.

— Papai, o senhor tem vontades estranhas. — gargalhei de volta.

— Tudo que tenho é seu, minha princesa. Ficava pensando quando teria problemas de pai de adolescentes quando você viesse morar comigo, mas você parece perfeita, além do que sonhei.

— O senhor que é, pai. — tive que me levantar do meu lugar para abraçá-lo.

— Bom que você passeia um pouco. Oh, também esqueci de te falar, mais tarde virá uma moça que substituirá a Luísa.

— O que aconteceu com a Luísa?

— Precisou fazer uma viagem para resolver problemas familiares.

— Entendo... A Maria continua aí, não é?

— Sim.

— Graças a Deus, pelo menos a Maria. — voltei a me sentar em meu lugar — E que horas o capataz vai a cidade?

— Esteja pronta em uma hora.

Assenti e tomei meu café da manhã, em seguida dei um beijo no rosto do meu pai e subi. Coloquei um vestido de verão com estampa azul, soltei o cabelo que estava preso em um coque, coloquei a bota de sempre e desci.

Quando estava no último degrau, avistei o motivo das batidas aceleradas do meu coração e frio na barriga. Os olhos verdes mais lindos do mundo estavam olhando fixamente para mim, com o chapéu na mão e estava sério, meu pai não estava lá.

— Lívia. — me cumprimentou, dando um leve aceno com a cabeça.

— Oi. — sorri — Vamos?

— Vamos. — parecia sério, mas não soava rude como antes.

— Devo avisar meu pai que estamos indo.

— Ele teve que ir supervisionar o parto de um bezerro.

— Que legal! Eu também queria ver. Perdi a oportunidade outro dia quando o M... quando uma outra vaca estava em trabalho de parto. — exclamei entusiasmada, omitindo imediatamente o nome do Marcos.

— Você quer ir ou quer ficar? Decida-se. — lá estava o grosseirão de sempre.

Ele abriu a porta da caminhonete para mim e eu entrei, decidindo consequentemente ir. Demétrio se acomodou no banco do motorista e deu partida na caminhonete, em silêncio.

Ele estava sério e eu estava começando a achar que minha noite com ele e todas as coisas que ele me disse, realmente havia sido um sonho. Até a metade do caminho ele não falou uma palavra se quer e nem tirou os olhos da estrada.

— Você se lembra de alguma coisa da noite passada? — decidi perguntar de uma vez. Minhas mãos estavam suadas e tremendo.

— Noite passada? — fez uma expressão de quem estava tentando se lembrar — Por que? — perguntou sem olhar para mim

— Como assim por que? — indaguei, indignada — Então foi... — murmurei e o encarei quando parou o carro e se virou para mim.

— Um sonho? — falou, chegando mais perto, até estar com o rosto bem próximo ao meu.

— Sim. — sussurrei levando uma mão aos meus lábios, realmente confusa.

Foi ou não foi?

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora