Lívia
— Porra. — Demétrio xingou — Quem será a essa hora? — bufou.
— Eu não sei... Mas é melhor eu ir olhar, deve ser o meu pai e pode ser importante pela forma como está batendo. — falei preocupada ao mesmo tempo que desapontada.
— Estava tão bom. — falou sorrindo de lado e acariciando o meu rosto.
— Sim... Se eu pudesse ficaria assim por horas. — o beijei levemente nos lábios.
— Eu também, mas você precisa ir ver o que está acontecendo. Até amanhã, linda. — com um último beijo, nos despedimos.
Desci as escadinhas e corri até a porta, estando grata por ter trancando. Abri e avistei meu pai, aparentemente impaciente.
— Pai? Está tudo bem? — perguntei de imediato quando notei a aflição em seus olhos.
— Não filha, não está. Desculpa te acordar a essa hora, mas precisamos conversar seriamente.
— Claro pai. Entra. — peguei sua mão e fechei a porta, nos guiei para a cama e nos sentamos — Fique calmo. Me fale, o que aconteceu?
— Você se lembra de quando fui te buscar e eu agredi aquele desgraçado? — a voz dele ficou repleta de raiva ao citar o maldito.
— Lembro sim. — uma sensação ruim começou a me consumir.
— A maldita da sua mãe me denunciou por agressão. Ela me ligou dizendo que vai levar isso ao tribunal juntamente com acusações de sequestro, que iria alegar que não sou o seu pai e que nunca procurei por você, que um homem violento não pode cuidar de ninguém. Ela ameaçou tirar você de mim. — meu pai socou o colchão com raiva.
Minha mãe era uma mulher ruim e fria, ela era capaz de tudo para nos fazer infelizes. Não só judicialmente, mas ela poderia muito bem nos prejudicar de alguma outra forma.
Meu corpo gelou, uma angustia ainda maior tomou conta de mim e lágrimas deslizaram pelas minhas bochechas.
— Legalmente ela não pode me afastar de você, já sou maior se idade, talvez ela nem lembre a idade da própria filha e ainda pensa que sou menor.
— Pensei nisso também, embora com as acusações de agressão ela possa conseguir que eu vá preso, já que o desgraçado é policial e isso fará com que fiquemos afastados.
— Pai... — me joguei em seus braços e o abracei, tendo seu carinho em retorno — Não deixa isso acontecer, por favor. Eu posso depor ao seu favor, eles verão que não me sequestrou e que Mariana mentiu quanto a isso e que poderia muito bem estar mentindo sobre a agressão.
— Nada é tão simples, mas eu não irei permitir que ela nos separe, eu prometo.
— Estamos juntos nessa. — falei, segurando sua mão.
— Eu te amo tanto minha filha. Você é a coisa mais linda que já aconteceu na minha vida.
— Eu também te amo muito. — o abracei forte.
Meu pai ficou comigo no quarto até eu pegar no sono, mas percebi quando ele saiu, senti o vazio de presença e a falta de suas mãos que estavam acariciando meus cabelos.
No dia seguinte não acordei tão feliz e animada como antes. Me arrumei como sempre e desci, para piorar não encontrei meu pai me esperando para tomar café com seu enorme sorriso como sempre fazia, me senti triste, com medo de que a cena se repetisse por algum tempo se Mariana conseguisse o que queria.
Caminhei até a cozinha a procura da Maria, no entanto encontrei a pessoa que menos precisava ver, Kristen.
— Você sabe onde está a Maria? — perguntei de forma seca.
— Não sei e nem quero saber! — revirei os olhos e virei as costas, saindo da cozinha.
Estava saindo pelas portas de casa quando ouvi a voz de Maria me chamando.
— Lívia?
— Ei... — a abracei instantaneamente quando se aproximou — Você viu o meu pai?
— Eu não o vi. Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu... — murmurei, com os olhos cheios de lágrimas, mas não derramei nenhuma.
Maria me abraçou e me guiou até o sofá da sala.
— Me conta, desabafa comigo. — segurou minhas mãos.
Contei tudo a ela, inclusive o que passei nos anos que morei com minha mãe e como descobri sobre o meu pai e os planos dela para ferrar com ele.
— Meu Deus! — me abraçou novamente — Seu pai é um homem incrível, ele vai conseguir resolver isso e tudo vai ficar bem.
— Eu espero que sim, Maria...
— Tenha fé, querida. — ela beijou minha testa — Agora tenho que fazer minhas tarefas, mas se precisar de qualquer coisa, você me procura, pode ser?
— Tudo bem. Muito obrigada. — estava sem fome para comer qualquer coisa, então me levantei e fui para fora.
O dia estava lindo e eu poderia ver Demétrio por alguns instantes, tive certeza que fiquei um pouco pálida também quando vi o Marcos passando, pensei até que viria até mim para falar alguma coisa sobre nosso encontro ou citar o beijo, talvez até me convidar novamente. Já estava pronta para me levantar e fugir dele alegando estar com pressa para fazer qualquer coisa, entretanto, ele apenas acenou com a cabeça e passou direto.
Fiquei aliviada, embora tivesse achado estranho.
Passei alguns minutos observando a paisagem, os trabalhadores, alguns animais, os pássaros cantando. Tão harmonioso, tão cheio de paz, não queria perder isso, não queria voltar para aquela casa, nem imaginava o que minha mãe e o Leonel poderiam fazer comigo na intenção de se vingar do meu pai.
Perdida nesses pensamentos uma lágrima rolou pelo meu rosto. Abaixei minha cabeça entre meus joelhos até que senti algo fofo e peludo se sacudindo perto de mim, olhei e vi o cachorrinho do primeiro dia. Abri um sorriso ao vê-lo.
— Ei garoto... — ele começou a balançar o rabo e correu para mim — Você está bem melhor, não? — fiz carinho nele, observando como pulou em meu colo, me lambendo.
Comecei a brincar com o filhotinho fofo, até que olhei para o celeiro e avistei a porta aberta, talvez Demétrio estivesse lá, meu coração disparava somente em pensar em encontrá-lo. Sendo assim, peguei o cachorrinho no colo e comecei a caminhar até lá, na intenção de fazer uma surpresa para ele.
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Maldito Bruto (Concluído)
RomantizmEle é rude e ela um amor. Será que a doçura de uma moça conquistará o coração de um bruto? "Quando olhei para trás, avistei um homem alto e de ombros largos, uma muralha de músculos. Era muito bonito e forte. Sua camisa de botões entreaberta não co...
