Capítulo 31

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Lívia

Enquanto eu não resolvia meu impasse, o telefone do meu pai tocou e ele saiu para atender a ligação. Franzi o cenho, intrigada, ele poderia muito bem atender perto de mim, sendo assim, não contive minha curiosidade e fui atrás para ouvir.

— O que? Mas como? Você tem que me ajudar! Eu sou capaz de cometer uma loucura por ela. — ele tentava sussurrar, mas estava tão alterado que eu ouvia claramente cada palavra.

— Pai? — me aproximei — O que aconteceu?

Ele então desligou o telefone, pegou minha mão e entrou no quarto dele, fechando a porta e me puxou para sentar no pequeno sofá de canto que havia no cômodo.

— Quem era no telefone? Você parecia muito nervoso. — insisti e observei-o colocar as mãos no rosto e esfregar, o abracei tentando confortá-lo.

— Tenho que ir até a cidade resolver um problema. — se levantou bruscamente.

— Que problema? Ir até a delegacia? O que vai fazer? Me deixa ir com você. Por favor.

Eu sentia que ele estava prestes a cometer uma besteira, agir por impulso na hora da raiva não ajudaria em nada a situação, parte de mim também sabia que ele não iria somente até a delegacia. Meu pai parecia furioso demais para não querer fazer justiça com as próprias mãos.

Quem sabe não era uma armadilha de Mariana e do namorado, para fazer meu pai perder a cabeça e sair da razão, espancar o maldito e ser preso em flagrante. Haviam várias teorias.

— Não! Você fica. Eu vou cuidar de tudo, confia em mim. — abriu a porta do quarto e saiu.

— Pai? — corri atrás dele.

— Eu sou o seu pai e irei protegê-la. — ele andou tão rápido que já estava na porta do seu carro.

— Você disse que foi intimado, é para a delegacia que você vai? Eu tenho algo que pode fazê-los repensar nessa denúncia.

— O que é? — ele não parece mais calmo.

Me aproximei, para não gritar.

— O Leonel... Ele tentou abusar de mim uma vez, posso denunciá-lo.

— Aquele filho da puta fez o que? — meu pai gritou, mais furioso do que antes — Sinto muito, minha filha, não posso não fazer nada diante disso. Eu vou matar aquele desgraçado! — entrou no carro e deu ré em alta velocidade, se afastando.

— Merda! Por que eu fui falar? Isso não ajudou em nada, piorou tudo! Em qualquer lugar que eu falasse, meu pai reagiria desse jeito. — murmurei para mim mesma.

Por favor papai... Não faça nenhuma besteira.

A angústia tomou meu coração e uma crise de choro me atingiu.

— Chorando porque o Demétrio já te deu um pé na bunda? Será que ele cansou de brincar de casinha com a menininha?

— Cala essa maldita boca! Vai para o inferno! Péssimo momento para me encher o saco!

— Olha...

— Só cala a sua boca, sua maluca! Me deixa em paz, que inferno! Vai se foder!

Eu estava de saco cheio! Nunca mais iria abaixar a cabeça para ninguém.

De longe avistei o Demétrio, sem pensar duas vezes corri para encontrá-lo, meu único conforto para a aflição que apertava meu peito.

— Demétrio, oi... — o abracei forte.

— Linda... Eu também já estava com saudades. — retribuiu um abraço forte e reconfortante, mas se afastou no momento que percebeu um soluço meu — O que aconteceu? Seu pai brigou com você? Ele descobriu que dormimos juntos? — segurou meu queixo e olhou em meus olhos, com preocupação.

— Não — balancei a cabeça — Ele recebeu uma ligação, acho que do advogado, não tenho certeza, e ficou maluco, foi pra cidade dizendo que iria resolver um problema, mas antes de ir, contei para ele sobre o que Leonel tentou fazer, que isso poderia nos ajudar, no entanto piorou tudo, ele ficou muito mais furioso e saiu dirigindo em alta velocidade.

Demétrio cerrou os punhos.

— Eu o entendo, Lívia. Também queria ficar frente a frente com esse maldito e fazê-lo pagar pelo que fez.

— Demétrio! Isso não ajuda. Meu pai não pode cometer um crime, ou até mesmo sofrer um acidente pela maneira que saiu transtornado daqui.

— Está bem, me desculpa. Vamos atrás dele, na minha caminhonete. Você imagina onde ele tenha ido, certo?

— Sim... Muito provável que tenha ido atrás da Mariana e do Leonel.

— Ok, vamos.

Imediatamente entramos no carro dele e saímos da fazenda, eu estava nervosa, com as mãos suadas, morrendo de preocupação. Falei para Demétrio o endereço da casa em que eu morava e depois de uma hora em alta velocidade, chegamos.

Maldito Bruto (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora