Lívia
Meu coração sempre acelerava desesperadamente e um frio se instalava em meu estômago quando o via. Me aproximei lentamente, observando-o agachado, de costas para mim, mexendo em algo que eu não podia ver. Soltei o cachorrinho e continuei em silêncio. A pequena bola de pelos correu até Demétrio que começou a fazer carinho no bichinho.
A cena era tão fofa que não me contive e soltei um riso baixinho, ganhando automaticamente sua atenção. Quando me viu, abriu um enorme sorriso, levantando-se rápido e vindo em minha direção.
— Que surpresa linda! — se inclinou para alcançar meu rosto e me deu um selinho — Não posso te tocar, estou todo sujo.
— Eu não me importo no entanto. — deixei claro, sorrindo — Você está muito ocupado? — perguntei.
— Sempre, mas para você, nunca.
— Ótimo. Será que alguém vai entrar aqui agora? — indaguei.
— Acho que não. Mas vou fechar a porta, entretanto. Vem cá. — Demétrio me puxou totalmente para dentro e fechou a porta do celeiro.
— Bom, eu não me importo que esteja todo sujo e que não possa me tocar por isso, eu quero tocá-lo. — avancei sobre ele, dando um impulso para entrelaçar minhas pernas em sua cintura.
Demétrio me agarrou firme imediatamente, com as mãos em minhas nádegas e eu selei nossos lábios, aprofundando o beijo, beijando-o loucamente. Quando estávamos quase sem fôlego, afastei o rosto para respirar. Meu corpo estava em chamas, meu ponto de desejo inchado e dolorido, querendo-o mais do que qualquer coisa. Piorava quando eu sentia sua rigidez pressionar meu estômago.
— Nossa, linda. — ofegou — Você já estava com saudade? — brincou.
— Não, eu não estava não. — gargalhamos juntos.
— Quem era ontem? — perguntou, ficando sério.
— Era o meu pai. — meu semblante ficou triste.
— Aconteceu alguma coisa? — indagou, preocupado.
— Vamos sentar, irei te contar tudo.
E pela segunda vez no dia, contei a minha história, dessa vez para o homem por quem eu estava apaixonada. Todas as vezes que eu falava sobre o que passei, lágrimas vinham, mas eu tentava segurá-las.
— Não. Isso não pode acontecer! — pareceu bastante chateado e me abraçou forte — Eu não deixarei Lívia, eu te prometo. Eu darei algum jeito.
— Eu não sei se há exatamente algo que possamos fazer a não ser aguardar para saber o que Mariana realmente fará.
— Me perdoe pela forma como te tratei no início, eu sinto muito, muitíssimo, pelo que passou. Eu pensava que você era apenas uma garota mimada da cidade grande que sempre teve tudo, mas agora sei que não teve nada. Nunca irei me perdoar, mesmo que você o faça.
— Está tudo bem, eu já te perdoei.
— Obrigado. Confie em mim, linda. Farei o que puder para que não sofra novamente. Acredita em mim?
— Isso é uma promessa? — sorri levemente.
— Sim, é uma promessa.
— Eu acredito em você, e o meu pai também não deixará, ele também me prometeu.
Demétrio me puxou para mais perto e me beijou, lentamente, desfrutando de cada segundo.
— Eu não quero te perder agora. — sussurrou para mim entre o beijo.
— Só agora? — brinquei.
— Agora e nunca. Se me deixar, irei atrás de você até o quinto dos infernos e te trago de volta. — voltou a me beijar.
Meu coração doeu intensamente, uma sensação dolorosa e estranhamente boa, me consumiu e começou a martelar forte o meu peito. O beijo foi ficando mais profundo, quente e intenso, fazendo meu corpo sentir a necessidade de tê-lo ainda mais perto, aliviando minha dor que por ele crescia.
— Acho melhor eu ir, não quero atrapalhar mais o seu trabalho... — dei um sorriso de lado.
— Não vai... Vai me deixar assim? Você está sendo má. — pediu de forma tão doce que me deu vontade de ficar, mas eu não podia atrapalhar, alguém poderia aparecer a qualquer momento.
— A noite nos vemos, lá em cima. — pisquei.
— Quero que vá a minha casa hoje a noite. Lá em cima não é confortável.
— Tudo bem. Até a noite então. — pisquei novamente e quando fui me levantar, Demétrio puxou-me para mais um beijo.
Discretamente saí do celeiro, entrei em casa e corri para o meu quarto, quando na metade do corredor senti alguém puxar meu braço com força.
— Aí! — exclamei.
— Você estava com ele, não estava? — Kristen questionou, quase gritando.
— Não importa, não é nada sua conta! Me solta, você está maluca? — gritei com ela e puxei meu braço.
— Eu avisei garota! Eu avisei! — falou em tom de ameaça.
— Ele não quer nada com você, Kristen. O que tiveram acabou há anos, você o magoou de forma profunda. Deixe-nos em paz. — exigi.
— Nunca. Ele irá se casar comigo, e você ficará chupando dedo, porque é isso que crianças como você fazem. — sorriu com escárnio.
— Você está se ouvindo? Ele não seria capaz de ficar com você depois de tudo.
— Me aguarde pirralha. — deixou a ameaça e se afastou.
— Me aguarde você! — gritei — Insuportável. — murmurei e entrei em meu quarto, trancando a porta atrás de mim.
O dia se arrastou de forma lenta, dei graças a Deus quando a noite chegou. Ainda estava sem notícias do meu pai, será que ele estava fazendo alguma besteira? Estava muito preocupada e queria chorar, me sentia sensível e sozinha sem ele e sem poder ficar o tempo inteiro com o Demétrio.
Em seguida, lembrei-me do meu compromisso com ele e alegria me agarrou. Tomei um banho, passei um leve perfume, me arrumei e fui em direção a sua casa.
Quando estava a alguns metros, ouvi vozes, parecia uma discussão e vinha da casa dele, me aproximei mais, até estar na porta, imediatamente reconheci a voz do Demétrio e da Kristen, no entanto, de repente as vozes se calaram. Eu estava muito perto da porta, então só bastou empurrar para ver a cena que fez meu estômago embrulhar e eu sentir como se um tiro tivesse perfurado meu coração.
Kristen estava pendurada nos lábios do Demétrio, ele a empurrou com tamanha força que caiu sentada no sofá, ainda sem saber que eu estava ali e só então se virou para a porta, constatando minha presença.
— Linda? — enxerguei o desespero em seus olhos e em sua voz — Não é isso que você está pensando.
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Maldito Bruto (Concluído)
RomansaEle é rude e ela um amor. Será que a doçura de uma moça conquistará o coração de um bruto? "Quando olhei para trás, avistei um homem alto e de ombros largos, uma muralha de músculos. Era muito bonito e forte. Sua camisa de botões entreaberta não co...
