Lívia
Eu sabia que precisava ter calma, mas era difícil quando meus filhos estavam correndo risco, ninguém me disse nada mas eu sabia, se eles estivessem bem estariam aqui no meu colo ou rapidamente me confortariam com a notícia.
— A senhorita perdeu muito sangue, e isso prejudicou um de seus bebês. A menina. — o médico foi falando calmamente enquanto uma dor crescia dentro de mim e eu soluçava — O menino está saudável, porém como são prematuros, precisam ganhar mais peso e aprenderem a respirar sozinhos. Estão na incubadora.
Ao mesmo passo que eu estava aliviada pelo meu menino, estava preocupada pela minha menina.
— E minha filha?
— Sendo completamente sincero, ela está bem fraquinha, ela mal conseguiu chorar, está faltando forças para o pequeno pulmão inspirar, ela está nos aparelhos e entubada. Estamos fazendo o possível para ela conseguir, mas não posso mentir para você, sua filha corre riscos e pode ter apenas algumas horas mais de vida. — ele soltou essa bomba e saiu do quarto.
Não, não, não... Isso não podia estar acontecendo.
— Minha bebê... Ai meu Deus.... Que dor... Eu não vou suportar, eu quero minha filha. — falei aos prantos.
Nunca imaginei que quando conhecesse o maior amor do mundo, também conheceria a maior dor do mundo.
— Você precisa ter forças para seu garotinho, ele precisará de você. — Maria me abraçou me confortando.
Não conseguia me mexer, minutos depois, de tanto chorar, eu me sentia fraca, minha cabeça girava e eu adormeci.
Acordei mais tarde com Maria cochilando no sofá do hospital, meu coração ficou apertado, ela também estava grávida e não imaginava o que estava se passando na cabeça dela. Ela ficou ao meu lado o tempo inteiro, apesar de não ter idade para ser minha mãe, imaginava que aquela era a sensação de ter uma.
Ela se mexeu e abriu os olhos, se levantando o mais rápido que podia para vir perto de mim.
— Maria, me ajude a ir até os meus filhos. Mesmo que de longe. Gostaria apenas de olhá-los. Por favor, eu imploro.
— Eu farei isso, porque me sentiria da mesma forma se fosse o Miguelzinho nessa situação.
Ela saiu do quarto e voltou com uma enfermeira.
— Me ajude a colocá-la na cadeira de rodas e coloque uma roupa de hospital sobre ela.
— Maria, não sabia que o favor que me cobraria seria quebrar as regras do meu trabalho. — a enfermeira falou.
— Não se esqueça que eu sei como conseguiu ele. — a mulher ficou em silêncio e as duas me ajudaram a levantar muito lentamente.
A enfermeira colocou um pano na cadeira e me vestiu com uma roupa de hospital e eu me sentei.
A enfermeira empurrou a cadeira até uma sala, abriu a porta e me colocou para dentro e se foi rapidamente, Maria me acompanhou.
— O que estão fazendo aqui? — avistei o médico que fez meu parto — Você tem que repousar.
— Preciso ver meus bebês mesmo que de longe. — respondi.
O médico fechou os olhos e então abriu novamente, com olhar mais suavizado.
— Você precisa saber de uma coisa. A sua pequena está lutando muito. Ela é tão forte para suportar tudo isso, ela é só um bebê. Ela está tão cansadinha e tenho certeza que está sofrendo tanto quanto você mãe. — as palavras dele só serviram para eu chorar mais ainda.
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Maldito Bruto (Concluído)
Storie d'amoreEle é rude e ela um amor. Será que a doçura de uma moça conquistará o coração de um bruto? "Quando olhei para trás, avistei um homem alto e de ombros largos, uma muralha de músculos. Era muito bonito e forte. Sua camisa de botões entreaberta não co...
