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 — O que você estava fazendo?  — Adele perguntou um tanto impaciente assim que entramos em meu consultório.

— O que houve?  — questionei ignorando sua pergunta em tom de julgamento. Estava totalmente sem paciência.

— Estou terminando de montar o quadro de cirurgias da semana que vem e preciso saber se você vai trocar o seu plantão com o Dr. Green.

Demorei alguns instantes para voltar à realidade. A minha mente estava nos acontecimentos das últimas semanas e em Cosima, que estava logo ali no andar de cima.

— Hm... Sim, vou substituí-lo. — respondi sem muita convicção, me apoiando no encosto da minha cadeira. — Mais alguma coisa, Adele?

— Certo... Depois preciso dar uma olhada melhor nas últimas escalas. — disse anotando algo em seu tablet — Agora vai me responder o que estava fazendo com Cosima ou vou precisar perguntar para ela?  — questionou sem me olhar diretamente.

— Estávamos conversando, apenas —  afirmo e puxo a cadeira, me sentando de forma desleixada. —  Sabe me dizer se vou conseguir folga para dia 25? Jantar de Natal com Paul e minha querida mamãe que está de chegada 

— Você vai continuar com essa palhaçada até quando?

— Do que você...

— Muito bem, vamos lá. — disse se sentando a minha frente. — Acho que depois de você mesma e seu avô, eu sou a pessoa que mais te conhece. Okay temos Marion mas ela eu ignoro.— bufou de forma divertida —  E como pessoa que mais te conhece, eu posso afirmar que você está apaixonada.

— Eu não...

— Ei! Eu não disse que você podia me interromper. — respondeu depressa, logo voltando ao seu raciocínio inicial. — Você vai querer negar, você vai querer espernear e falar que não está, mas você, minha amiga, que nunca se apaixonou antes, está sofrendo dos sintomas de um amor mal resolvido.

— Do que você esta falando? — fiz tom de ofendida tentando reerguer as muralhas.

— Você viveu tanto tempo sozinha, preocupando-se apenas em fazer planos para a sua carreira, que nunca se ligou de que quando se trata dos assuntos do coração, não existe plano nenhum que possa ser seguido. Você se apaixona e bum! não tem mais volta. E tudo bem se apaixonar. Tudo bem se importar com outra pessoa. Tudo bem priorizar os seus sentimentos, afinal, a sua carreira vai continuar te esperando. Tudo bem deixar alguém te amar.

Eu não soube o que responder. Nunca tive esse tipo de conversa com Adele. Quer dizer, por mais próximas que fossemos,  Adele era uma romântica incurável e se apaixonava por um cara novo a cada semana e, por conta disso, mal tinha tempo de sofrer pelo último amor. 

— Você pode falar agora.

Pisquei várias vezes seguidas a fim de voltar à realidade.
E, sendo sincera consigo mesma, a realidade era apenas uma: eu estava sim completa e perdidamente apaixonada por Cosima. Pela primeira vez, meus planos foram ignorados e minha vida deu um jeito de seguir de forma completamente diferente do que eu pretendia. 

Fui desperta dos meus pensamentos com meu Pager apitando. Precisavam de mim e isso era mais importante do que qualquer conflito interno mal resolvido. Assim que encaro as coisas, me sobrecarregando de trabalho.

— Preciso ir — levantei em um surto de adrenalina e prendi o cabelo rapidamente.

— Paul está ai, disse que precisava falar com você — disse me fazendo parar já próxima da porta. Respirei fundo e a encarei com súplica — Na verdade era esse o recado, mas queria ressaltar do quanto ele ficaria satisfeito em ver o que eu vi mais cedo. Tome mais cuidado, Delphine!

Out Of LineOnde histórias criam vida. Descubra agora