Esclarecimentos

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— Eu não consigo entender, Delphine — eu falava andando em círculos — Eu estou com raiva de você mas ao mesmo tempo preciso de você aqui.

— Cos, eu terminei com Paul! — afirmou me fazendo paralisar. 

A minha feição logo mudou, eu não sabia dizer o que eu estava sentindo, mas eu fiquei realmente surpresa com aquela declaração, afinal, Delphine havia feito o que eu mais queria e menos esperava.

—  Eu não consigo pensar no que falar nesse momento. —  falei meio catatônica e soltei uma risada fraca — Eu não consigo raciocinar, Delphine não dá eu não estou entendendo mais nada e pra que todo esse circo.

—  Bom... —  fez uma pausa e me olhou — Senta aqui — me pediu com carinho estendendo sua mão e assim que eu a segurei, ela depositou um beijo nas costas da minha mão. Sentei ao seu lado e ela deu um longo suspiro. — Hoje eu tinha planejado de te ver, falar com você mas alguns fatos ocorreram e eu quero que me escute atentamente.

DELPHINE FLASHBACK

— Você está em casa! — disse ao entrar e ver Paul parado no meio da sala.

— Delphine, sente-se precisamos conversar.

Essa foi a primeira coisa que ouvi após bater a porta de casa. Sem cumprimentos e nenhuma abordagem delicada.

— Boa noite para você também, Paul. O meu dia foi ótimo, obrigada por perguntar. — bufei irritada.

Eu havia passado as últimas cinco horas em pé no centro cirúrgico, a última coisa que eu queria era ainda ter que aturar o mau-humor de Paul.

— É sério, Del, sem deboche agora, por favor, tem algo que eu realmente preciso te contar. — Algo na forma na qual ele me olhou me disse que o assunto exigia seriedade, portanto, respirei fundo, larguei minha bolsa em qualquer canto da sala e, a contragosto, sentei-me confortavelmente no sofá.

Enquanto o via inquieto, andando de um lado a outro do pequeno cômodo, tentei buscar em minha mente uma explicação para tamanho desespero. Olhei para o lado e vi duas malas grandes junto de uma mochila que Paul costumava levar para suas viagens.

— Onde você vai com todas essas malas? — falei em tom assustado vendo seu olhar firme ir de encontro do meu.

— Podemos conversar, Delphine? — seu tom de voz frio me atingiu, e ali eu soube que algo tinha acontecido. 

— Podemos até por que eu estou querendo falar com você a alguns dias — digo indo até a cozinha pegar um copo de água e ele me acompanha. — Paul eu serei direta, não aguento mais esse nosso teatrinho de casal feliz, andei pensando muito sobre.

— No que você está pensando? — pergunta me olhando profundamente.

— Estou pensando em como chegamos a esse ponto. — disse de forma fria e o encarei, colocando o copo sobre a bancada, me apoiando na mesma.

— Nós ainda somos os mesmos. Ainda somos eu e você. — fala baixinho buscando minha mão — Nós podemos resolver isso, eu sei que sim.

— Não, não sabe. — digo firme e me afasto dele. Posso ver que as lágrimas estão de volta em nossos olhos. — Eu preciso de um espaço, Paul. Preciso decidir.

— Decidir o que? — quase grita em desespero, me seguindo.

— Nosso futuro — digo me virando para ele. Nossos olhares se encontram, ambos em desespero. — Eu não posso...

Suspirei e fui até a sala, arrumando meu casaco sobre o corpo.

— O que você está fazendo? — me segura pelo braço me virando de frente para ele novamente — Eu preciso que me deixe falar.

Out Of LineOnde histórias criam vida. Descubra agora