Depois de longas duas horas em um silêncio gritante dentro daquele carro, chegaram à chácara. Assim que Bruna e Bia viram o carro de Luan, se empolgaram, já sabiam que Camila viria com ele. Ele estacionou e ela desceu sem esperar, abriu a porta de trás e retirou suas coisas. Seguiu até a entrada da casa e parou para abraçar suas amigas, morrendo de saudade delas. Bruna pegou sua mala e a guiou até o andar de cima, onde ela se acomodaria.
— Vocês demoraram, o que aconteceu? — Bia perguntou, curiosa.
— Prefiro não comentar sobre isso. — Camila suspirou, confusa.
— NÃO! VOCÊS... NÃO! — Bia perguntou entusiasmada.
— Chega, tá. Não quero falar sobre isso. — Camila respondeu, seus olhos denunciando o que ela não queria dizer.
— O que aconteceu, amiga? Por que está com essa cara de choro? — Bruna perguntou, preocupada. Toda a empolgação delas havia dado lugar a olhares ansiosos.
— Seu irmão é um cretino!
— O que ele fez?
— Nada... Na verdade, eu sou uma completa cretina e imbecil.
— Não estou entendendo... — Bia disse, parecendo ainda mais confusa.
— A gente... A gente transou, tá legal? E depois acabamos pegando no sono. Ou, pelo menos, eu peguei no sono. Quando acordei, ele estava me observando, aí eu disse assustada que meu pai chegaria a qualquer momento e ele respondeu que estava tudo certo. Tinha se certificado de que meu pai ainda estava na "reunião" com o pai de vocês e um outro pessoal. Aí, eu, sem querer, perguntei se ele tinha armado aquilo tudo para poder ficar comigo. E ele se ofendeu. A gente meio que discutiu e eu pedi que ele me deixasse sozinha para me arrumar. Dei um chá de canseira nele...
— Bem-feito! — Bruna comemorou.
— Mas não foi só isso. Quando eu estava saindo do quarto, ele estava na porta, preocupado, achando que tivesse acontecido alguma coisa comigo. E eu novamente o tratei mal. — Camila deu um suspiro pesado, e as lágrimas voltaram a cair. — E a gente discutiu de novo. Já no carro, ele me disse coisas que mexeram comigo. E ele tem razão. Eu sou uma pessoa fria, amargurada! A gente nunca daria certo. Ele não está errado. Ele precisa ficar com a Mariana. Ela é a pessoa certa para ele. Como ele mesmo me falou, ela é doce, carinhosa, meiga... Eu não sou nada disso! Sou o oposto do que ele procura em uma mulher. — Camila não conseguiu se conter e se pôs a chorar.
— Eu vou matar o meu irmão! — Bruna disse, enquanto afagava os cabelos de Camila.
— Não! Você não fará nada! Esse assunto está encerrado. — Camila disse, limpando o rosto. — Eu vim para aproveitar as minhas amigas. E amanhã é véspera de Natal. Temos muito o que aproveitar durante o dia. E à noite, eu tenho uma surpresa para vocês duas!
— Tô tão ansiosa! — Bia bateu palmas.
— Bia, seus pais deixaram você vir ficar com a gente de boa?
— De boa não. Eles relutaram bastante. Mas eu falei que depois das festas passaria uns dias com eles em São Paulo. Aí eles ficaram mais tranquilos.
— Eu também vou precisar estender a minha estadia aqui por mais 15 dias depois das festas.
— Por quê? — Bruna perguntou.
— Ordens do seu pai, amiga. Por causa do projeto que eu e seu irmão inventamos. Agora a equipe dele quer elaborar um concurso cultural. E meu pai exigiu que eu acompanhasse todo o processo de perto. Sendo assim, ficarei por mais 15 dias aqui, volto para Nova York e vou intercalando as reuniões entre lá e cá. Mas creio que não nos estenderemos muito. Uns três meses serão o suficiente para que tudo esteja no esquema e já possamos colocar o projeto no ar.
— Eu fiquei tão feliz quando soube... — Bruna disse animada.
— Eu também! Mas eu quero saber de tudo sobre Nova York. A faculdade, os gatinhos, as festas da universidade... É tipo American Pie mesmo, amiga?
— Não chega a tanto! — Camila riu. — Eu fui a algumas festas, mas sempre de forma mais contida. Sabe como é... Estava super focada nos meus estudos e no trabalho na empresa do meu pai. Eu ia mais para socializar um pouco, dar uma respirada, mas nunca me joguei de verdade. Sempre acabava voltando cedo, porque sabia que no dia seguinte teria um monte de coisas para resolver.
— Nossa, Camila! Parece que você estava em outra dimensão! — Bia comentou, admirada.
— Pois é, amiga... Minha vida foi mais sobre estudar, trabalhar e fazer acontecer. Não sei se é certo ou errado, mas sempre foi o que eu senti que devia fazer. Claro que, em alguns momentos, eu queria me soltar mais, mas o trabalho me puxava. Enfim, não tenho arrependimentos.
— Você foi focada, amiga, e isso é o que importa! — Bruna disse, sorrindo.
...
— Pode entrar. — Bruna respondeu, após baterem na porta.
— Pi, a mãe mandou chamar você e as meninas, que o jantar está pronto. — Luan estava sério e a fitou enquanto falava com a irmã.
— Tá bom, já vamos descer. — Respondeu calma.
— Ok, não demora. Estou com fome! — Disse, encostando a porta e saindo.
— Vamos descer, né? Depois a gente continua com o papo.
...
— Camila... Camila... Camila...
— Ah, oi! — Camila respondeu assustada. Sua cabeça estava em outra dimensão.
— Está tudo bem, minha filha? Você mal tocou na comida. — Marizete perguntou, preocupada.
— Desculpa, tia, a comida está uma delícia. Sou eu que não estou com muita fome. — Camila sorriu fraco.
— Você me parece triste, menina. — Marizete a olhou com doçura. Como Camila desejava que sua mãe a olhasse assim. Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Só cansaço, tia... Não precisa se preocupar. Eu... Vocês me dão licença. — Camila apressou-se a se retirar da mesa e subiu para o quarto de Bruna.
Abriu sua mala, retirou um pijama de Bruna e foi em direção ao banheiro. Quando voltou, estava vestida com o pijama e havia dobrado a roupa anterior. Colocou-a sobre a mala e andou até uma das camas, prendendo o cabelo. Estava distraída e não percebeu quando esbarrou em alguém. Um corpo. Olhou para cima e lá estava ele. Parado, como uma estátua.
— Me desculpa! Não vi que estava aí... — Camila disse baixo, sem encará-lo.
— Eu... Acho que a gente precisa conversar. — Luan disse calmamente.
— Acho que não tem mais nada a ser dito. — Camila sorriu fraco.
...
Essa revisão mantém o tom natural da conversa e evita a repetição excessiva do tema das festas, tornando a leitura mais fluida. Se quiser mais algum ajuste, é só me avisar!
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ABISMO
RomanceEla está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos? Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
