CAPITULO 57

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No caminho para o hospital, o carro estava preenchido pela música suave que Luan tinha gravado recentemente. Benjamin, sentado no banco de trás, parecia absorver cada nota. De repente, ele quebrou o silêncio, curioso.

– Como é o nome dessa música nova, papá? – perguntou ele, apontando para o rádio.

Luan olhou pelo retrovisor, sorrindo ao ver a empolgação do filho.

– Ilha. – respondeu, sem tirar os olhos da estrada.

– Eu gostei! – Benjamin disse com um sorriso grande. – Eu queria escrever uma música também!

Luan não conseguiu conter a surpresa e o orgulho ao ouvir aquelas palavras.

– Quando eu for compor, eu te levo, tá bom? – Luan respondeu, de forma afetuosa, embora com um toque de humor.

– Mas pai, eu achei que você escrevia a música em casa. Igual eu vi aquele dia você escrevendo no papel... – Benjamin comentou, tentando entender o processo criativo do pai.

– Sim. Também! – Luan sorriu, lembrando do momento em que esteve sentado no sofá, rabiscando suas ideias. – Algumas vezes, vem uma ideia na cabeça e eu anoto, e depois pego o violão e vou tocando... tocando...

Benjamin ficou em silêncio por um momento, refletindo sobre o que Luan acabara de dizer. Ele estava claramente inspirado por tudo o que via e ouvia.

– Eu quero escrever uma música para a minha mãe! – Benjamin anunciou, cheio de entusiasmo.

Luan olhou pelo retrovisor mais uma vez, sentindo o peso e a ternura da ideia. Não sabia exatamente como seria, mas podia ver nos olhos do filho que ele estava completamente dedicado àquela ideia.

– Vamos pensar nela juntos. – Luan respondeu com um sorriso suave, tentando tornar aquele momento ainda mais especial.

Benjamin estava visivelmente animado, como se já imaginasse a música tomando forma.

– E a gente pode cantar para ela quando estiver pronta? – ele perguntou, ansioso.

Luan pensou por um instante, sentindo um aperto no peito ao lembrar da situação delicada de Camila. Mas ele não queria frustrar as esperanças de Benjamin.

– Se o médico deixar, podemos! – Luan disse, com um sorriso tímido, tentando transmitir o máximo de otimismo possível.

– Yes! – Benjamin comemorou, dando um pequeno grito de alegria e batendo as palmas. A inocência e felicidade dele faziam Luan sentir uma mistura de alegria e tristeza, mas ele tentou focar na parte boa: o amor que existia entre eles e a esperança de que, em breve, Camila voltasse para casa, e quem sabe até ouviria a música.
...

– Filho, você vai ficar aqui com a tia Bia, enquanto eu vou lá dentro falar com o médico e perguntar se você já pode entrar, tá bom? – Luan disse, tentando manter a calma ao ver Benjamin tão ansioso para ver Camila.

– Tá bom! Vou me comportar e obedecer, tá! – Benjamin respondeu, com um sorriso travesso, mas totalmente disposto a ser obediente.

– Acho bom! – Luan sorriu de volta, se abaixando para dar um beijo na testa de Benjamin. – Oi, Bia.

– Oi, Luan! – Bia respondeu, acenando com a mão, e Luan a cumprimentou com um gesto rápido. – Vou entrar e, assim que liberarem, eu te aviso e você leva ele até o quarto pra mim?

– Tá bom. Eu levo ele sim! – Bia confirmou, com um sorriso acolhedor.

Luan, então, deixou Benjamin com Bia na recepção e seguiu pelo corredor do hospital. Era impressionante como seu coração apertava todas as vezes que ele caminhava por aquele corredor. Cada passo o fazia temer o pior, e, todos os dias, ele se preparava para entrar no quarto e receber a notícia de que Camila não resistira. Mas ele precisava ser forte. Respirou fundo e, com o peito pesado, entrou no quarto de Camila.

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