CAPITULO 59

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CAPÍTULO 59

O show seguiu, e ele seguiu com o show. A cada refrão, a cada acorde, um pedaço de sua alma era colocado ali. Até que veio a música.

Aquela que ele escreveu há cinco anos, depois que ela foi embora "pra sempre".

Luan fechou os olhos por um segundo, como se precisasse se preparar. E então, a primeira frase escapou de seus lábios.

— "Você terminou com ele e tá chorando..."

A multidão cantava tão alto que parecia que o chão tremia sob seus pés.

— "Quer água com açúcar ou o meu amor?"

O estádio virou um só coro. Luzes de celulares brilhavam como estrelas espalhadas pelo mar de gente.

Luan caminhou pelo palco, engolindo o nó na garganta.

— "E se eu te contar que a água acabou... O açúcar que tem é só o meu amor!"

Deitou-se no centro do palco, sentindo o peso de cada palavra.

O público respondeu com ainda mais força:

— "Antes de desistir do amor..."

— "Tenta o meu por favor!"

— "Se não servir, se joga fora, vai embora e diz que não deu..."

A voz de Luan falhou.

Ele olhou para cima, respirou fundo, mas não conseguiu continuar.

A plateia percebeu e tomou as rédeas da canção. Cada verso era gritado com uma intensidade avassaladora, como se quisessem carregar Luan nos braços, sustentá-lo no momento em que ele não conseguia se sustentar sozinho.

Ele sorriu entre as lágrimas, sentindo o peito apertar.

E então, ele se levantou.

Ergueu a mão, pedindo silêncio.

O estádio inteiro obedeceu.

Ele fechou os olhos por um instante e, quando abriu, sua voz saiu firme, carregada de sentimento.

— ANTES DE DESISTIR DO AMOR...

O público respondeu com ainda mais intensidade:

— "TENTA O MEU POR FAVOR!"

— E vem, e vem!

— "Se não servir, se joga fora e diz que não deu...
Mas antes disso, prova um beijo meu!"

Luan ergueu as mãos, e a plateia o acompanhou.

— Levantem as mãos pro céu. Fechem os olhos. Eu não sei no que vocês acreditam, qual é a sua fé, mas hoje, não importa a religião. Só importa a energia, o amor, a força que podemos enviar juntos.

Um burburinho emocionado tomou conta do estádio.

— No três, quero ouvir vocês mandando essa energia para Camila, com tudo o que tiverem dentro de vocês!

Ele ergueu a mão.

— UM!

As luzes dos celulares se multiplicaram, transformando a noite em um céu estrelado.

— DOIS!

Lágrimas desceram pelo rosto de Luan, mas ele não as enxugou.

— TRÊS!

O estádio explodiu:

— "Oooooooooooooooh..."

O coro de vozes preenchia cada canto do lugar.

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