CAPITULO 96

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Luan estacionou o carro na garagem, estranhando a casa silenciosa. Ele havia saído do escritório mais cedo, pronto para aproveitar algumas horas de folga com a família.

Mas, ao entrar, percebeu que a casa estava vazia.

Camila havia mandado mensagem dizendo que estava no mercado com os gêmeos. Benjamin, por outro lado, deveria estar em casa.

Luan subiu as escadas com passos tranquilos, mas parou ao notar a porta do quarto do filho entreaberta.

Foi então que ouviu uma risada feminina.

A testa dele franziu no mesmo instante.

Empurrou a porta sem aviso.

O que viu o fez gelar de raiva.

Benjamin estava na cama com uma garota que Luan nunca vira antes. Os dois estavam rindo, descontraídos, mas quando perceberam a presença dele, a cor sumiu dos rostos na mesma hora.

O silêncio que se instalou foi ensurdecedor.

Luan fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando conter a fúria que queimava dentro dele.

— Me explica o que tá acontecendo aqui. — A voz dele saiu baixa, perigosa.

Benjamin se sentou na cama num pulo, gaguejando:

— Pai... eu... não é o que parece...

Luan ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Ah, não? Então me explica o que uma menina que eu nunca vi na vida está fazendo no seu quarto, dentro da minha casa, sem que ninguém soubesse?

A menina, visivelmente constrangida, tentou se recompor.

— Senhor, eu... acho melhor eu ir...

Luan assentiu, ainda mantendo o olhar fixo em Benjamin.

— Isso seria o mínimo a se fazer.

A garota pegou suas coisas rapidamente e saiu quase correndo, sem se despedir.

Benjamin passou as mãos no rosto, visivelmente desconfortável.

— Pai... olha, eu sei que parece errado, mas eu já tenho 17 anos, eu sou quase adulto!

Luan deu uma risada seca, incrédulo.

— Quase adulto?! Você se acha adulto, Benjamin?! — A voz dele subiu, carregada de indignação. — Um homem de verdade respeita a casa dos pais. Um homem de verdade respeita a menina que traz pra dentro dela! Você já pensou na situação em que colocou essa garota? No constrangimento que causou?

Benjamin abaixou a cabeça, sem resposta.

— E se fosse a sua mãe entrando aqui? Ou pior, seus irmãos?! — Luan deu um passo à frente, o olhar duro. — Você tem ideia do que isso significaria pra eles? Do que significa pra mim e pra sua mãe?

— Eu só queria privacidade... — Benjamin murmurou, sem encarar o pai.

Luan respirou fundo, tentando se controlar.

— Então, da próxima vez, busque sua privacidade fora da minha casa. Porque enquanto você viver sob esse teto, vai respeitar as regras dele.

Benjamin sentiu um nó na garganta. Sabia que tinha errado.

Luan apontou para a porta:

— Agora, desce e me espera na sala. Quando sua mãe chegar, nós vamos conversar.

O garoto hesitou por um segundo, mas a expressão do pai o fez se levantar sem discutir.

Assim que ficou sozinho, Luan passou as mãos pelo rosto, tentando controlar a fúria que ainda queimava dentro dele.

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