CAPITULO 15

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[Ligação On]

— Alô, Testa, está no escritório já? — Luan perguntou, fazendo uma pausa, provavelmente esperando a resposta do outro lado da linha. — Então, me faz um favor? Avisa para o pessoal aí que já estamos a caminho. — Mais uma pausa. — Sim, eu sei! Houve um pequeno problema com o nosso almoço, mas já estamos a caminho. Pegamos um pouco de trânsito. — Outra pausa. — Não, tranquilo! Avisa que ela está comigo. Está certo! Meia horinha e a gente chega. Ok, valeu! ... Até! — Ele desligou.

Camila cruzou os braços, observando-o com um olhar desconfiado.

— Acabamos de passar em frente ao hotel. Houve um problema com um dos pratos... Nossa, não sabia que você levava tanto jeito para a mentira! — comentou, com um sorriso fraco.

Luan deu de ombros, divertido.

— Não são mentiras tão graves, vai... Queria que eu dissesse a verdade?

— Claro que não!

Ele riu e desviou o olhar para a tela do painel do carro.

— Chegamos. O que vai querer?

— Um sanduíche e um milk shake. — Ela deu de ombros.

— Qual sanduíche e qual sabor do milk shake?

— Gosto de todos!

Luan balançou a cabeça e se voltou para a atendente do drive-thru.

— Dois combos nº6 com milk shake.

— Ok, obrigada! — respondeu a voz do outro lado da cabine.

Seguiram para a próxima estação de pagamento. Camila pegou a carteira, mas antes que pudesse abrir, Luan pousou a mão sobre a dela, impedindo-a.

— Eu pago.

Ela revirou os olhos, mas não insistiu. Assim que o vidro do carro foi abaixado para pegar os pedidos, os funcionários não esconderam a surpresa ao verem Luan. O cantor sorriu, acenou para uma foto, agradeceu o carinho e seguiu viagem.

(...)

— Nossa, até que enfim vocês chegaram! — disse uma voz impaciente assim que Camila e Luan entraram no escritório.

— Peço desculpas pelo atraso, tivemos um imprevisto no caminho — Camila se adiantou, dando uma desculpa rápida.

Carlos, seu pai, cruzou os braços e a encarou com severidade.

— O que aconteceu, Camila? Não acredito que me fez passar essa vergonha!

Ela respirou fundo, tentando manter a calma.

— Pai, não tivemos culpa! Eu disse para o senhor sobre o almoço, e o senhor disse que estaria ocupado, mandou que eu fosse sozinha. Se estivesse com a gente, teria se atrasado também!

— E por que passaram no drive-thru agora há pouco?

— Como o Luan disse, tivemos um problema com nossos pedidos no restaurante. Começou a demorar muito para virem os pratos certos, então optamos por comer um sanduíche para não atrasar mais.

Carlos manteve o olhar desconfiado por alguns segundos, antes de suspirar.

— Espero que tenha sido só isso mesmo.

— E foi — garantiu ela. — Não tenho por que mentir!

Antes que o clima ficasse ainda mais tenso, Amarildo se aproximou, acompanhado por uma mulher que Camila ainda não conhecia.

— Acho que podemos começar a reunião, então — ele disse, olhando de um para o outro. — Me acompanhem, por favor.

Seguiram o "Comitê Santana" até uma das salas e, depois que todos se acomodaram, deram início à apresentação. O pai de Camila começou a contar a história da empresa:

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