CAPITULO 76

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— Filho, eu quero que você seja sincero comigo. Eu estou aqui para te ouvir e te ajudar. Sou seu pai, te amo e quero o seu bem.

— Pai, isso já vem de muito tempo. Não é de hoje que o Luiz Otávio fica me implicando. Ele sempre diz coisas para me irritar, então eu acabo me afastando dele.

— E o que ele fala que te irrita tanto?

— Ele diz que você canta mal. Que suas músicas são de "veadinho", como ele fala. E ainda fala que a minha mãe só fica com você por causa do seu dinheiro.

— Filho, quando a gente escolhe ser artista, uma das coisas que precisamos aprender a lidar são as críticas. Vai sempre ter gente que não gosta do que a gente faz, e isso é normal.

— Eu sei, pai, eu entendo! Mas eu não gosto que ele fale essas coisas de você. Ele não tem o direito de falar assim de você, principalmente porque você é meu pai.

— Eu entendo você, filho. O que ele faz está errado. E o que ele fala de mim, ele pode não gostar, mas precisa respeitar você. Vou resolver isso na escola amanhã. Agora, sobre sua mãe, você sabe que isso é mentira. Eu e ela nos amamos. Claro que brigamos às vezes, mas isso acontece com todo casal.

— Sim, mas ele fala que a minha mãe é interesseira, que ela te deu um golpe... E isso me deixa muito irritado. Ele nem conhece ela, nem sabe nada da nossa vida! Às vezes, eu penso que seria melhor se ela não tivesse te contado sobre mim. Assim, eu não ia precisar ouvir essas coisas.

— Filho, eu amo tanto vocês... Se soubesse o quanto me dói ver você passando por isso... Eu sou tão grato por ter você. Você foi o presente mais precioso que Deus me deu. Eu sei que as coisas não são fáceis. A vida pública me coloca em situações difíceis, e indiretamente afeta vocês também. Mas não quero que você sofra por isso. Você ainda é uma criança, e não tem culpa das escolhas que eu e sua mãe fizemos. O que importa é que nós dois te amamos, e, independentemente do que aconteça, você sempre será o nosso filho, e o amor que temos por você nunca vai mudar.

— Eu sei, pai. Eu te amo! Só queria que você não fosse famoso, queria que você fosse "normal", como os outros pais.

— Filho, algum dos seus amigos tem pai que é médico?

— Sim, o pai do Lorenzo, a mãe da Valentina, o pai da Paloma, o pai da Maria Alice e a mãe da Giovanna, todos eles são médicos.

— E algum deles já reclamou da ausência do pai?

— Sim... Mas é diferente, né? Porque os pais deles trabalham salvando vidas.

— E quem disse que a música não salva também?

— Como assim?

— Eu conheço histórias de fãs que se recuperaram com a minha música. Às vezes, a música é como um remédio para as pessoas.

— Igual aquela história da menina que você contou outro dia?

— Isso, mesmo.

— Que legal, pai!

— Pois é, meu filho. Agora, eu quero que me prometa uma coisa: nunca mais brigue na escola, por qualquer motivo. Não quero que bata em ninguém e também não quero que ninguém bata em você.

— Eu prometo. Mas se o Luiz Otávio falar de novo mal da minha mãe, vou chamar você.

— Claro, você me chama que eu resolvo. E foi isso que ele disse hoje?

— Sim, ele falou: "Seu pai é um safado! Minha mãe chamou ele de filho da puta, e ainda disse que a sua mãe é uma trouxa, chifruda, que você tem amante em cada cidade."

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