CAPITULO 29

46 3 0
                                        

O hospital mais próximo surgiu no campo de visão de Luan como uma miragem no desespero. Ele nem pensou, apenas virou o volante bruscamente e freou na entrada da emergência. Antes mesmo do carro parar completamente, saiu apressado, dando a volta para abrir a porta do passageiro.

— Camila, aguenta firme... — sua voz era um fio de urgência enquanto ele tentava ajudá-la.

Ela estava mole, fraca, o rosto banhado em suor frio, os lábios trêmulos e pálidos. O sangue manchava seu vestido, e a visão fez um nó sufocar a garganta de Luan.

Ele a pegou nos braços sem hesitar e correu para dentro do hospital.

— Preciso de ajuda! — gritou, sua voz cortando o silêncio do local. — Ela tá sangrando!

Médicos e enfermeiros correram em sua direção.

— O que aconteceu? — uma das enfermeiras perguntou, segurando uma maca enquanto Luan depositava Camila sobre ela.

— Eu... eu não sei! Ela tava bem e, de repente... começou a sangrar!

Camila tentou dizer algo, mas sua voz não passava de um murmúrio fraco. Seus olhos encontraram os de Luan por um breve momento antes de se fecharem.

— Camila! — Ele tentou segurá-la, mas uma enfermeira o afastou.

— Vamos levá-la agora! — disse o médico.

E então ele ficou ali, vendo-a sumir pelo corredor enquanto a dor se instalava em seu peito como algo físico, cortante.

Ele nunca se sentiu tão impotente.

•••

O relógio parecia girar mais devagar enquanto Luan esperava notícias. Seu pé batia no chão repetidamente, a ansiedade corroendo seu interior.

Minutos que pareceram horas se passaram até que um médico apareceu.

— Você é acompanhante de Camila?

Luan se levantou de imediato.

— Sim! Como ela tá? O que aconteceu?

O médico suspirou, ajustando os óculos no rosto.

— Lamento informar que ela sofreu um aborto espontâneo.

A cabeça de Luan girou.

— Um... aborto?

— Sim. Ela estava grávida de algumas semanas. O estresse, o trauma emocional, somados a uma possível fragilidade do início da gestação... infelizmente, o corpo dela não conseguiu sustentar a gravidez.

Luan piscou, tentando absorver aquelas palavras. O ar ficou pesado, e uma sensação sufocante tomou conta dele.

Camila estava grávida.

Dele.

E agora não estava mais.

Ele levou uma mão ao rosto, tentando controlar a onda de choque e culpa que o atingiu.

— Ela já sabe?

— Não. Ainda não acordou. Mas está estável. Você pode vê-la agora.

Luan assentiu e seguiu pelo corredor, os passos pesados, a mente em um turbilhão.

•••

Camila abriu os olhos devagar, piscando contra a claridade fria do quarto de hospital. O teto branco acima dela, o cheiro de antisséptico, o bip suave de um monitor.

Uma movimentação ao lado chamou sua atenção.

Luan estava sentado ao lado de sua maca, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça baixa, perdido em pensamentos.

ABISMOOnde histórias criam vida. Descubra agora