O hospital mais próximo surgiu no campo de visão de Luan como uma miragem no desespero. Ele nem pensou, apenas virou o volante bruscamente e freou na entrada da emergência. Antes mesmo do carro parar completamente, saiu apressado, dando a volta para abrir a porta do passageiro.
— Camila, aguenta firme... — sua voz era um fio de urgência enquanto ele tentava ajudá-la.
Ela estava mole, fraca, o rosto banhado em suor frio, os lábios trêmulos e pálidos. O sangue manchava seu vestido, e a visão fez um nó sufocar a garganta de Luan.
Ele a pegou nos braços sem hesitar e correu para dentro do hospital.
— Preciso de ajuda! — gritou, sua voz cortando o silêncio do local. — Ela tá sangrando!
Médicos e enfermeiros correram em sua direção.
— O que aconteceu? — uma das enfermeiras perguntou, segurando uma maca enquanto Luan depositava Camila sobre ela.
— Eu... eu não sei! Ela tava bem e, de repente... começou a sangrar!
Camila tentou dizer algo, mas sua voz não passava de um murmúrio fraco. Seus olhos encontraram os de Luan por um breve momento antes de se fecharem.
— Camila! — Ele tentou segurá-la, mas uma enfermeira o afastou.
— Vamos levá-la agora! — disse o médico.
E então ele ficou ali, vendo-a sumir pelo corredor enquanto a dor se instalava em seu peito como algo físico, cortante.
Ele nunca se sentiu tão impotente.
•••
O relógio parecia girar mais devagar enquanto Luan esperava notícias. Seu pé batia no chão repetidamente, a ansiedade corroendo seu interior.
Minutos que pareceram horas se passaram até que um médico apareceu.
— Você é acompanhante de Camila?
Luan se levantou de imediato.
— Sim! Como ela tá? O que aconteceu?
O médico suspirou, ajustando os óculos no rosto.
— Lamento informar que ela sofreu um aborto espontâneo.
A cabeça de Luan girou.
— Um... aborto?
— Sim. Ela estava grávida de algumas semanas. O estresse, o trauma emocional, somados a uma possível fragilidade do início da gestação... infelizmente, o corpo dela não conseguiu sustentar a gravidez.
Luan piscou, tentando absorver aquelas palavras. O ar ficou pesado, e uma sensação sufocante tomou conta dele.
Camila estava grávida.
Dele.
E agora não estava mais.
Ele levou uma mão ao rosto, tentando controlar a onda de choque e culpa que o atingiu.
— Ela já sabe?
— Não. Ainda não acordou. Mas está estável. Você pode vê-la agora.
Luan assentiu e seguiu pelo corredor, os passos pesados, a mente em um turbilhão.
•••
Camila abriu os olhos devagar, piscando contra a claridade fria do quarto de hospital. O teto branco acima dela, o cheiro de antisséptico, o bip suave de um monitor.
Uma movimentação ao lado chamou sua atenção.
Luan estava sentado ao lado de sua maca, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça baixa, perdido em pensamentos.
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ABISMO
RomanceEla está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos? Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
