CAPITULO 3

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Camila estava jogada no sofá, entediada, por um bom tempo. Olhava para o teto, e as palavras de Luan invadiam sua mente, fazendo-a refletir sobre cada uma delas. O jeito preocupado e ao mesmo tempo autoritário com que ele havia falado com ela a fez bufar de raiva. Ela afastou esses pensamentos e se levantou, indo até a cozinha. Queria comer alguma coisa, mas ao abrir os armários e a geladeira, não encontrou nada que a agradasse.

— Que saco! — murmurou, irritada. — Além dela viajar, não deixa nada comível em casa! O jeito vai ser ir até o mercado.

Ela tomou um banho e, ao passar um pouco de xampu sobre seus cabelos, sentiu uma ardência forte onde havia batido a cabeça mais cedo.

— Ai, filho da puta! — exclamou, sentindo a dor. Depois de enxaguar os cabelos e passar o condicionador, desligou o chuveiro. Secou-se rapidamente e vestiu sua roupa íntima. Quando se dirigia ao espelho em seu quarto, distraída arrumando seu sutiã com a toalha enrolada na cabeça, percebeu alguém a observando do outro lado da varanda. Ao olhar para o reflexo, viu Luan correndo para se esconder.

— TARADO! — gritou, enquanto se enrolava mais na toalha e fechava a porta da sacada. Terminou de se arrumar e colocou uma roupa simples: um short jeans e uma blusinha de alça. Colocou os chinelos, pegou sua carteira e óculos de sol, e saiu de seu quarto, descendo as escadas para procurar as chaves de casa e do carro.

— Mas eu sempre deixo as duas juntas! Onde foi parar a chave de casa? Puta merda... — reclamou, frustrada, como se alguém pudesse ouvi-la.

Luan estava em seu quarto, procurando uma camisa quando passou pela porta da varanda e teve uma visão inesperada. Camila estava apenas de calcinha e sutiã, ajeitando-se em frente ao espelho. Ele ficou observando, surpreso com a cena, até que ela o percebeu e gritou "tarado", fazendo Luan soltar uma risada. Rindo para si mesmo, pegou a primeira camiseta que encontrou e saiu do quarto, indo para a cozinha onde encontrou seu pai.

— Filho, como você conseguiu entrar na casa da vizinha? — perguntou o pai, ainda sem entender.

— Pulei a janela da cozinha, pai! — respondeu Luan, rindo da situação.

— Mas menino! Você não quebrou nada, né?

— Não, quer dizer... não sei. Acho que não. — Luan coçou a cabeça, meio incerto.

— Luan... — o pai começou, como se fosse corrigir o filho.

— Falar nisso, preciso devolver a chave dela. — Luan disse, já se preparando para sair, enquanto tomava um gole de água. — Já venho, pai, vou entregar esse belo chaveiro à dona! — sorriu de maneira cínica, e seu pai balançou a cabeça em sinal de desaprovação.

— Ei, espera aí! — gritou Luan, acenando com a mão para que Camila o aguardasse.

Camila, já perto de sair, olhou para ele, ainda irritada.

— O que você quer agora? Já fez a sua boa ação, eu já te agradeci. Agora me deixa em paz. — respondeu, sem perder a compostura, embora visivelmente irritada.

— Calma, não quero brigar. Só vim te devolver isso, você saiu da minha casa correndo e não deu tempo de te entregar sua chave. — Luan estendeu a mão, oferecendo a chave.

— Ah... obrigada! Eu fiquei procurando um tempão. Acabei pegando a reserva. — Camila pegou a chave, ainda com um semblante fechado.

— Vai sair? — perguntou Luan, curioso.

— Vou na casa da Bia. — respondeu Camila, já se virando para ir embora.

— Ah, sim... espero que esteja melhor! Eu... vou indo. Só vim te devolver isso. Um bom domingo. — Luan disse, um tanto intrigado, já que Bia havia confirmado que viria ao churrasco em sua casa.

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