Uma sensação estranha tomou conta de Camila. Ela queria abrir os olhos, mas não conseguia. Queria falar, mas as palavras não saíam. Queria se mover, mas seu corpo parecia pesado, como se fosse feito de chumbo. Sentia um líquido escorrendo pelo corpo, mas não sabia o que era, e não conseguia fazer nada para que ele parasse. Um sono excessivo dominava seus sentidos. Ela se entregou a ele e voltou a dormir, mas não por muito tempo. Sentiu Luan chamando seu nome e, por mais que tentasse, as palavras não saíam com facilidade da sua boca. Sua cabeça pesava, e a única coisa que seu cérebro mandava era: "Durma."
...
Muito tempo depois, ela acordou em um lugar diferente. Aquele não era o quarto de Luan. Era... um hospital?
Não! Não podia ser!
Camila abriu os olhos com dificuldade e viu uma moça de costas. Tentou chamar a moça, com o pouco de força que ainda restava.
— A senhora acordou. Eu vou avisar ao médico.
— O que aconteceu? — Camila perguntou, com a voz fraca.
— Só um momento, Srta. Camila, o Doutor vai vir conversar com você.
Alguns minutos depois, bateram na porta e um médico de meia-idade entrou no quarto.
— Srta. Camila Bittencourt?
— Isso.
— Quer me contar o que aconteceu ontem?
— Não sei. Não consigo me lembrar de nada!
— Bom, pelo resultado dos seus exames, podemos dizer que a Senhorita misturou medicamentos com bebidas. Estou certo?
— Não. Claro que não!
— Não é o que os seus exames indicam.
— Eu bebi, doutor. Mas não tomei meus remédios, porque fiquei com medo de uma reação.
— Bom, vamos lá! Em hipótese alguma você pode ingerir qualquer quantidade de álcool durante o seu tratamento. Você está tomando doze comprimidos ao dia, de acordo com o seu prontuário enviado pelo Doutor Cézar Ribeiro. Essas substâncias não saem da sua corrente sanguínea de uma hora para outra. Elas são necessárias para manter você estável. Se você deixa de tomá-las ou faz uso de alguma substância que choque com elas, acontece o que aconteceu com você. Que bom que Luan a trouxe para cá, ou seria tarde demais. Você teve uma overdose, Camila. Quase fatal.
— Meu Deus! — Camila disse, apavorada.
— Misturar medicamentos com bebida é algo grave, menina. Você é jovem, tem uma vida inteira pela frente!
— Doutor, eu não sabia que...
— Eu entendo, mas, por favor, não faça mais isso! Hoje, você vai ficar aqui em observação e, se tudo se mantiver estável, amanhã eu te dou alta e você poderá ir para casa.
— E o Luan, já sabe?
— Sim. Assim que saíram os resultados, eu o informei.
— Eu posso vê-lo?
— Claro. Vou pedir para liberarem a entrada dele.
— Obrigada.
...
Camila estava morrendo de vergonha. Quase perdeu a vida por algo tão absurdo. Quando ela iria parar de ser tão imatura e irresponsável? Quando iria parar de agir por impulso e lembrar que tinha um filho, que dependia dela? Quando?
Luan entrou no quarto após bater na porta e pedir licença. Pelo semblante dele, Camila pôde perceber que ele estava confuso e decepcionado com ela.
— Me perdoa! Por favor! — foi tudo o que ela conseguiu dizer, com a voz embargada pela culpa.
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ABISMO
RomanceEla está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos? Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
