CAPITULO 54

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Luan ajeitou a blusa sobre o curativo enquanto esperava a liberação no hospital. Seu corpo doía, mas sua mente estava em outro lugar. Ele queria sair dali o mais rápido possível.

Foi então que a porta do quarto se abriu, e Amarildo entrou.

— Tá pronto pra ir pra casa, filho? — seu pai perguntou, um sorriso discreto no rosto.

Luan assentiu, mas o olhar atento captou algo diferente na expressão do pai.

— O que foi?

Amarildo sorriu mais largo.

— Benjamin já está seguro em casa.

O peito de Luan aqueceu, e ele se endireitou na cama.

— E aí? Como ele tá?

— Tá bem, tá se adaptando... Mas tem uma coisa que eu preciso te contar.

Luan franziu a testa, esperando.

— Quando ele chegou, viu uma foto sua na sala e disse que gostava das suas músicas. Ele já era seu fã antes de saber que você era o pai dele.

Luan arregalou os olhos, um sorriso involuntário surgindo em seu rosto.

— Sério?

— Sério. E quando a gente contou pra ele que você era o pai dele, ficou super animado. Disse que não vê a hora de te conhecer pessoalmente.

Luan sentiu um nó na garganta. Seu filho queria conhecê-lo. O filho que ele nem sabia que existia.

Ele passou a mão pelo rosto, tentando conter a avalanche de emoções.

— Eu não acredito nisso... — murmurou, rindo sem jeito. — Meu filho...

— Seu filho — Amarildo confirmou, orgulhoso. — E ele tá esperando por você.

Luan respirou fundo, absorvendo aquela verdade.

— Eu quero ver ele o quanto antes.

Amarildo assentiu, mas percebeu que o olhar do filho ficou distante por um momento.

— Tem alguma coisa errada?

Luan hesitou, mas depois olhou para o pai com determinação.

— Antes de ir... Preciso ver a Camila.

Amarildo não pareceu surpreso, apenas assentiu em silêncio.

Luan chamou o médico responsável e fez o pedido. O homem, a princípio, hesitou.

— Ela está na UTI, senhor Luan. A condição dela é extremamente delicada...

— Eu não quero entrar, eu sei que não posso. Só quero vê-la. Por favor.

O médico suspirou e, após um momento de consideração, concordou.

— Venha comigo.

Luan o seguiu pelos corredores do hospital, sentindo seu coração apertar a cada passo. Quando chegaram ao setor da UTI, o médico o guiou até uma grande parede de vidro.

Do outro lado, Camila estava deitada em uma espécie de incubadora, rodeada por equipamentos. Seu corpo frágil estava coberto por curativos e fios, enquanto monitores piscavam em um ritmo constante.

Luan prendeu a respiração.

— Meu Deus...

Ele nunca a vira tão vulnerável.

— O estado dela é extremamente grave — o médico começou a explicar. — As lesões estão espalhadas por todo o corpo, atingindo órgãos vitais. O coma induzido é necessário para que o organismo dela absorva o impacto do trauma e possamos tratar os ferimentos com mais eficácia.

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