Luan ajeitou a blusa sobre o curativo enquanto esperava a liberação no hospital. Seu corpo doía, mas sua mente estava em outro lugar. Ele queria sair dali o mais rápido possível.
Foi então que a porta do quarto se abriu, e Amarildo entrou.
— Tá pronto pra ir pra casa, filho? — seu pai perguntou, um sorriso discreto no rosto.
Luan assentiu, mas o olhar atento captou algo diferente na expressão do pai.
— O que foi?
Amarildo sorriu mais largo.
— Benjamin já está seguro em casa.
O peito de Luan aqueceu, e ele se endireitou na cama.
— E aí? Como ele tá?
— Tá bem, tá se adaptando... Mas tem uma coisa que eu preciso te contar.
Luan franziu a testa, esperando.
— Quando ele chegou, viu uma foto sua na sala e disse que gostava das suas músicas. Ele já era seu fã antes de saber que você era o pai dele.
Luan arregalou os olhos, um sorriso involuntário surgindo em seu rosto.
— Sério?
— Sério. E quando a gente contou pra ele que você era o pai dele, ficou super animado. Disse que não vê a hora de te conhecer pessoalmente.
Luan sentiu um nó na garganta. Seu filho queria conhecê-lo. O filho que ele nem sabia que existia.
Ele passou a mão pelo rosto, tentando conter a avalanche de emoções.
— Eu não acredito nisso... — murmurou, rindo sem jeito. — Meu filho...
— Seu filho — Amarildo confirmou, orgulhoso. — E ele tá esperando por você.
Luan respirou fundo, absorvendo aquela verdade.
— Eu quero ver ele o quanto antes.
Amarildo assentiu, mas percebeu que o olhar do filho ficou distante por um momento.
— Tem alguma coisa errada?
Luan hesitou, mas depois olhou para o pai com determinação.
— Antes de ir... Preciso ver a Camila.
Amarildo não pareceu surpreso, apenas assentiu em silêncio.
Luan chamou o médico responsável e fez o pedido. O homem, a princípio, hesitou.
— Ela está na UTI, senhor Luan. A condição dela é extremamente delicada...
— Eu não quero entrar, eu sei que não posso. Só quero vê-la. Por favor.
O médico suspirou e, após um momento de consideração, concordou.
— Venha comigo.
Luan o seguiu pelos corredores do hospital, sentindo seu coração apertar a cada passo. Quando chegaram ao setor da UTI, o médico o guiou até uma grande parede de vidro.
Do outro lado, Camila estava deitada em uma espécie de incubadora, rodeada por equipamentos. Seu corpo frágil estava coberto por curativos e fios, enquanto monitores piscavam em um ritmo constante.
Luan prendeu a respiração.
— Meu Deus...
Ele nunca a vira tão vulnerável.
— O estado dela é extremamente grave — o médico começou a explicar. — As lesões estão espalhadas por todo o corpo, atingindo órgãos vitais. O coma induzido é necessário para que o organismo dela absorva o impacto do trauma e possamos tratar os ferimentos com mais eficácia.
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ABISMO
RomanceEla está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos? Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
