CAPITULO 26

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Acordei com uma sensação estranha. Um arrepio percorreu minha espinha, espalhando um frio incômodo por todo o meu corpo.

Sentei-me na cama, assustada, e olhei ao redor. A janela do quarto estava aberta. Meu coração acelerou.

Levantei-me às pressas e a fechei, tentando afastar aquela sensação ruim. Olhei para o relógio: 3h48 da manhã. No Brasil, já estaria quase amanhecendo.

Suspirei e me encolhi debaixo das cobertas outra vez. Antes de pegar no sono, decidi mentalmente que ligaria para meu pai assim que acordasse.

Acordei enjoada, com o estômago embrulhado e uma preguiça absurda de sair da cama.

Peguei o celular e disquei para Stacy. Ela atendeu no segundo toque.

— Estou indo para aí — avisou, e eu murmurei algo em concordância antes de desligar.

Ao desbloquear a tela, vi uma mensagem do meu pai. Foi então que me lembrei: precisava ligar para ele.

Toquei no nome dele na lista de contatos e esperei.

"ESTA CHAMADA ESTÁ SENDO ENCAMINHADA PARA A CAIXA POSTAL E ESTARÁ SUJEITA A COBRANÇA APÓS O SINAL."

Franzi o cenho. Tentei de novo.

E de novo.

E mais uma vez.

Nada. Só caixa postal.

Talvez ele estivesse em trânsito, voltando para São Paulo. Melhor mandar uma mensagem. Ele veria antes mesmo das ligações perdidas.

"Paizinho, você confia mesmo na Marta? Não acredito que ela entregou os pontos tão fácil. Isso não me cheira bem... Tem coisa aí! Cuidado! Assim que chegar em São Paulo, me liga."

O interfone tocou, me tirando dos pensamentos. Era Stacy.

Abri a porta e a vi entrando com sacolas do mercado.

— Trouxe umas coisas para o café da manhã.

Sorri fraco. Stacy e eu sempre fomos boas amigas, mas ultimamente... ela se tornou essencial para mim. Nunca pensei que poderia ter outra melhor amiga além da Bia, mas nosso laço ficou mais forte do que nunca.

E eu precisava disso agora.

Eu não queria contar para Bia sobre a gravidez. Ela não aguentaria segurar essa informação e acabaria contando para Luan. Bruna? O mesmo.

Essa era minha luta.

Sozinha.

Luan não podia saber da existência desse bebê. Eu não fazia ideia do que ele poderia fazer se descobrisse.

E se ele tentasse tirar meu filho de mim?

Ele conhecia meu histórico. Sabia de tudo. Isso me assustava.

Eu não queria viver longe do meu filho.

E definitivamente não pretendia voltar para o Brasil para criá-lo perto do pai.

— Tá aí? — Stacy estalou os dedos na minha frente.

Pisquei, voltando à realidade.

— Desculpa, amiga. Meus pensamentos estavam longe. O que disse?

— Ligaram do Brasil...

Meu corpo enrijeceu.

— Quem?

— Luan.

Minha respiração ficou presa na garganta.

— O que ele quer?

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