CAPITULO 2

158 7 0
                                        

Camila acordou no dia seguinte com a luz do sol forte refletindo em sua janela. Xingou mentalmente a si mesma por ter esquecido de fechar a cortina na noite anterior. Ainda estava morrendo de sono e queria dormir mais... levantou-se para fechar a cortina e deu de cara com Luan do outro lado, encostado em sua varanda, falando ao telefone. Fingi que nem o viu e fechou a cortina, voltando para a cama. Era "cedo" para se levantar, e vamos ser sinceros, quem é que se levanta antes das dez da manhã de um domingo? Ninguém! No mínimo você levanta meio-dia e meio... E ainda assim é cedo.

— Alô! — Atendeu com a voz rouca pelo sono.

— Bom dia, princesa! Ainda estava dormindo?

— Pai? — Deu um pulo da cama ao ouvir sua voz.

— Tudo bem, filhota? — Ele perguntou.

— Tudo! Pai, quando você volta? Estou com saudades! — Falou triste, já se levantando da cama.

— Não sei ainda, meu amor, mas vou demorar ainda. Como estão as coisas aí? Sua mãe? Estou ligando no celular dela, mas só dá caixa postal!

— Mamãe foi para o Rio hoje de manhã, tinha uns eventos sociais para participar... — Falou revirando os olhos e indo para a varanda do quarto.

— E você? Vai passar o fim de semana sozinha? Por que não foi com ela? — Disse preocupado.

— Não quis! Na verdade, eu e a mamãe não estamos nos dando muito bem, pai. Ela mal para em casa, a gente mal conversa, e quando estamos juntas só sai briga.

— Já falei que não quero você discutindo com a sua mãe, Camila! — Ele a repreendeu, e dessa vez, a briga foi com ele. Não se conteve e acendeu um cigarro, sem ao menos ter comido ou bebido nada de manhã, estava completamente de estômago vazio, enquanto seu pai e ela discutiam no telefone. Entre uma tragada e outra, ficou tonta. Tentou se equilibrar no parapeito da varanda, mas foi tarde demais.

...

Luan ainda estava no quarto, deitado. Acordou cedo, pois teria um churrasco à tarde e precisava fazer uns contatos. Depois de tudo resolvido, voltou para a cama, queria descansar na hora que a turma chegasse. Ligou a TV e ficou deitado na cama tentando prestar atenção no que passava, mas roer seus dedos estava mais interessante. Sim, roer os dedos, pois unhas, ele nem tinha mais para isso!

Algum tempo depois, ouviu vozes alteradas vindo do outro lado da sacada e não se surpreendeu ao ver Camila esbravejando com alguém no telefone. Nossa, essa garota era realmente insuportável! Ela brigava com todo mundo, como ela conseguia? Outra curiosidade: como Beatriz, uma garota tão meiga, a aturava? Os gritos dela chamaram sua atenção, e ele foi até a varanda, como quem não queria nada. Observou que, enquanto ela discutia no telefone, acendeu um cigarro. Mas já? Que vício, hein? Uma, duas, três tragadas e, de repente, viu Camila se apoiar no parapeito da sacada. Por um segundo, achou que ela voaria lá de cima, mas logo ela recuou e, nesse momento, a viu se estatelar no chão.

Saiu correndo do seu quarto, o que assustou a todos em sua casa.

— O que aconteceu, Luan?

— Não dá para falar agora! Pai, vem comigo...

— Para onde?

— Só vem!

Seu pai foi acompanhando-o e não parava de fazer perguntas enquanto atravessavam a rua.

— Aonde está indo, Luan?

— A menina que mora aqui, ela estava na varanda e, do nada, desmaiou!

— E você viu?

— Eu estava na sacada na hora que ela desmaiou — respondeu, disparando a campainha da casa dela na esperança de que alguém atendesse. — Droga... Abre essa porta, pelo amor de Deus, alguém!

ABISMOOnde histórias criam vida. Descubra agora