Ela está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos?
Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
Luan permaneceu ali, acalmando Camila e conversando com ela até que adormecesse. Com cuidado, ajeitou sua cabeça no travesseiro, saiu da cama sem fazer barulho, puxou o edredom até a altura de seu pescoço e depositou um beijo na lateral de sua cabeça.
Ainda era cedo, pouco mais de sete horas da noite, mas para ela não. O Dr. Cézar havia explicado que, nesse início, os cuidados deveriam ser semelhantes aos de um recém-nascido. Camila precisava de atenção, repouso e evitar esforços. Seu corpo precisava se readaptar, e isso não aconteceria da noite para o dia, nem em uma semana.
Deixando a porta entreaberta, Luan saiu do quarto e caminhou pelo corredor até o de Benjamin, que estava deitado, assistindo a um desenho animado.
— Posso entrar? — perguntou, depois de bater na porta. — Oi, papai. Como está a mamãe? — Benjamin virou-se para ele, curioso. — Está bem, filhão. Estava cansada e dormiu. — Mas ela vai acordar? — Vai sim, meu amor. — Eu posso dormir com ela? — Hoje não. Ela acabou de chegar do hospital, teve a nossa surpresa... Foi um dia muito agitado para ela. — Papai? — Oi... — Posso jogar no meu celular? — Até eu voltar. - Luan bagunçou os cabelos de Benjamin. — Combinado. — Já volto. — Luan deu um beijo na testa do filho e saiu do quarto.
Descendo as escadas, encontrou sua mãe conversando com Jacira, a governanta da casa.
— Jacira, a partir de amanhã, nossa rotina vai mudar um pouco. Com a chegada da Camila, receberemos todos os dias a Daniela. Além de fisioterapeuta, ela foi enfermeira da Camila no hospital, então a convidamos para acompanhar essa primeira fase da recuperação, já que a Camila confia nela. Daniela virá sempre às oito da manhã e ficará até as dezoito horas. — Jacira assentiu com a cabeça, atenta às instruções.
— O cardápio da casa continuará o mesmo, mas precisaremos de um cardápio especial para a Camila. Ela ainda tem dificuldade para comer sozinha e mostrou resistência a alimentos com molhos ou líquidos, como sopas. Por isso, os médicos recomendaram uma dieta pastosa.
Jacira ouvia atentamente. Luan se aproximou e sorriu para sua mãe.
— Calma, dona Marizete! Vai ficar tudo bem... Aos poucos, tudo se ajeita.
Ela suspirou, assentindo, e Luan dispensou Jacira.
— Ah, meu filho! Quero que a Camila se sinta à vontade, como se aqui fosse a casa dela. — Agora é a casa dela, mãe. Pelo menos por enquanto... — Ele sorriu, beijando a bochecha da mãe. — Agora vá tomar um banho e relaxar.
Marizete se despediu e subiu as escadas para o quarto. Luan seguiu até o escritório, onde Amarildo o esperava para uma conversa.
— Oi, pai. — disse ao entrar. — E aí, meu filho? Como a Camila reagiu ao saber que ficaria aqui em casa? — Reagiu bem. Está dormindo agora, parecia exausta. — Você sabe que, assim que melhorar, ela vai querer voltar para casa. — Eu sei. Estou preparado. Mas, mais para frente, quero conversar com ela sobre isso... — Certo. Bom, vocês se entendem. Mas o que precisamos resolver agora é o comunicado para a imprensa. Vários jornalistas me procuraram querendo informações. — Sem entrevistas por enquanto, pai. Peça para a Arleide preparar um comunicado informando sobre a alta da Camila e explicando que, neste momento, estou cuidando dela e do meu filho. Ainda sem previsão de retorno aos palcos. Mais tarde, eu mesmo faço uma postagem nas redes sociais. — Tá bom, já imaginava... Estou alinhando isso com a Arleide. Vamos publicar ainda hoje.
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