CAPITULO 84

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Luan já havia acordado há horas. Treinara na academia, tomara café e um banho relaxante, mas Camila continuava entregue ao sono. Ele sorriu ao vê-la tão serena, completamente envolvida nos lençóis.

Aproximou-se da cama e começou a distribuir beijos suaves por seu rosto.

— Bom dia, princesa — murmurou, roçando os lábios na pele dela. — Já está na hora de sair dessa cama, Bela Adormecida.

Camila suspirou, espreguiçando-se antes de virar para o outro lado, enfiando o rosto no travesseiro.

— Bom dia... — respondeu com a voz arrastada. — Mas por que eu tenho que acordar agora? — perguntou, manhosa.

Luan riu, deslizando a mão pelo lençol que cobria o corpo dela e acariciando sua barriga com ternura.

— Porque já vai dar meio-dia, amor. Você está dormindo há bastante tempo e precisa se alimentar. Tem que cuidar bem do nosso pacotinho de amor que está aqui dentro.

Camila abriu um dos olhos, preguiçosa.

— O bebê ainda não reclamou de fome... — argumentou, puxando o cobertor para cima. — Mas ele está pedindo pra deixar ele e a mamãe dormirem mais um pouco.

Luan balançou a cabeça, divertido.

— Tá bom, gatinha manhosa. Vou deixar você dormir até o almoço ficar pronto. Mas, depois disso, não tem escapatória, viu? Eu volto pra te acordar.

Camila sorriu de olhos fechados, se aconchegando ainda mais nos lençóis. Luan a observou por alguns instantes antes de deixar um último beijo em sua testa e sair do quarto.

Ele sabia bem que sua mulher era o mau-humor em pessoa quando era obrigada a sair da cama antes de estar pronta. Melhor evitar o risco.

Encostou a porta com cuidado e seguiu para o quarto de Benjamin, que ficava quase em frente ao deles. Encontrou o filho deitado na cama, completamente imerso no desenho que passava na TV. Ainda vestia o pijama, e ao lado dele, sobre o colchão, havia um prato com restos de leite e farelos de biscoito — uma prova clara de que já havia tomado o café da manhã.

Luan se apoiou no batente da porta, observando a cena antes de falar:

— Preguiça, campeão?

Benjamin assentiu sem nem tirar os olhos da tela.

— Sim...

Luan entrou no quarto e se sentou ao lado do filho.

— Suas tias estão aí. Não vai querer ficar com elas?

— Elas estão dormindo...

Ele riu, passando a mão nos cabelos bagunçados do menino.

Por alguns instantes, Luan se perdeu em pensamentos. Imaginou sua vida dali a alguns anos, quando o bebê que Camila carregava já estivesse crescido. Um mais velho, querendo assistir Cobra Kai, e o outro brigando pelo controle remoto para ver Bob Esponja ou alguma das princesas da Disney, caso fosse uma menina.

Como ele faria para se dividir entre os dois e dar atenção igualmente?

Sorriu, um pouco confuso, e decidiu deixar Benjamin no quarto para descer e conversar com seu pai. Se alguém sabia como criar dois filhos de idades diferentes, sexos opostos e com personalidades completamente distintas, esse alguém era Amarildo.

E, bem... apesar das faíscas ocasionais entre ele e Bruna, eles sempre foram muito unidos. Seu pai deveria ter algumas respostas para as dúvidas que começavam a surgir.

Com isso em mente, saiu do quarto do filho e seguiu para encontrar Amarildo.

...

Luan insistia, distribuindo beijos pelo rosto de Camila, tentando despertá-la.

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