CAPITULO 21

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Camila organizou suas malas em tempo recorde. Meia hora depois, já estava fazendo o check-out no hotel e aguardando o táxi que solicitara na recepção. O carro não demorou a chegar, e logo ela cruzava o saguão do aeroporto em direção aos guichês de compra de passagem.

Contou uma história triste, manipulando a atendente da companhia aérea para conseguir embarcar de última hora.

Em menos de 24 horas, já havia mentido duas vezes.

Isso a assustava um pouco. Mas o que importava agora era que tinha conseguido o bilhete.

O destino? Califórnia.

Lá, precisaria comprar outra passagem para Nova Iorque, mas tudo bem. A única coisa que queria era sair do solo brasileiro.

Horas depois, já acomodada no avião, ouviu a voz da comissária ecoar pelos alto-falantes:

— Atenção, passageiros. Apertem os cintos e tenham uma boa viagem. Desejo a todos um Feliz Natal.

Camila fechou os olhos e encostou a cabeça no assento, tentando afastar o nó que se formava em sua garganta.

UMA SEMANA DEPOIS

— Eu quero matar você! — Bia esbravejou do outro lado da tela. — Não acredito que foi embora sem se despedir! E eu achando que íamos passar o Ano Novo juntas...

Camila suspirou, ajeitando o celular sobre a mesa do apartamento em que estava hospedada.

— Eu precisava, Bia. Você, melhor do que ninguém, me entende. Precisava desse tempo sozinha.

— Sei... Mas olha, o Luan ficou louco quando percebeu que você tinha sumido.

Camila abaixou os olhos, evitando encarar o próprio reflexo na tela.

— E só pra te avisar... Ele ainda está tentando descobrir quem deu aquela guitarra pra ele.

Ela soltou um riso fraco.

— Vocês não falaram que fui eu, né?

— Claro que não. Ele acha que foi algum fã.

— Que continue assim...

Bia hesitou por um instante antes de perguntar:

— Ele já sabe que você não está mais no Brasil?

— Não. A Bruna só te contou porque insistiu para falar comigo e queria ir atrás de mim no hotel.

— E seu pai? Como ele está?

— Bem... Ele contou para todo mundo que minha mãe voltou do Rio e que eu fui para São Paulo passar o Réveillon com ela.

— E ele acreditou mesmo nessa história?

Camila suspirou, desviando o olhar.

— Eu não consigo esconder nada dele. Acabei contando o que aconteceu entre mim e o Luan.

Bia arregalou os olhos.

— O quê?!

— E por isso ele anda dando umas olhadas bem bravas pro Luan. — Ela riu sem humor. — E o Luan fica todo sem graça.

— Eu imagino!

— Mas eu deixei claro para o meu pai que o Luan não tem culpa. Eu fiz porque quis! E não fiquei com ele porque...

Sua voz falhou por um segundo.

— Porque eu não quis também.

— Mas pai é pai, né, amiga? Você sabe como é...

ABISMOOnde histórias criam vida. Descubra agora