CAPITULO 35

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Luan passou a tarde inteira produzindo com a equipe. Dudu sempre foi seu parceiro; sempre que ele tinha uma letra, mesmo que inacabada, Dudu o ajudava com os arranjos ou até mesmo a terminava. E dessa vez, não foi diferente. Ele tinha uma música em mente, mas não conseguia terminá-la. Era algo assim:

"Tem dias que eu acordo pensando em você, e em fração de segundos vejo o mundo desabar... Daí que cai a ficha que eu não vou te ver, será que esse vazio um dia vai me abandonar?"

Ele tinha essas duas frases de início e a parte do refrão que era mais ou menos assim:

"Eu troco a minha paz por um beijo seu, eu troco meu destino pra viver o seu, eu troco a minha cama pra dormir na sua, eu troco mil estrelas pra te dar a lua... E tudo que você quiser, e se você quiser te dou meu sobrenome."

Passaram um bom tempo no estúdio, Luan tentando terminar a letra e construir o arranjo. E no final, deu certo! Ele pretendia colocar a música no seu próximo DVD, mas, por enquanto, ficaria guardada a sete chaves. No momento certo, ele a apresentaria para o público.

Depois de se despedir do pessoal e os acompanhar até a porta, Luan subiu para o seu quarto. Tomou um banho rápido, pegou o celular, e olhou no relógio. Eram quase 5:30 da manhã. Ele não tinha muita noção de horário, mas, mesmo assim, não conseguia esperar mais um segundo para tentar entender o porquê Camila havia ido embora. E, ao que parecia, dessa vez, de forma definitiva.

[5:29 A.M]

— Alô... — Ela atendeu, sua voz rouca. Devia ter acabado de acordar.

— Me diz que você não fez o que eu tô pensando que você fez! — Luan disse, furioso.

— Fiz o quê? — Camila perguntou, confusa.

— Foi embora... De novo! — Ele respondeu, chateado.

— Eu disse que eu iria. — Ela respondeu de forma simples.

— E tudo que a gente viveu? Não valeu de nada? — Luan perguntou, extremamente decepcionado.

— Você foi muito importante para mim, Luan. Mas eu preciso seguir a minha vida. Preciso curar as minhas feridas.

— Não faz isso comigo, Camila! — Ele chorava. Ela não podia abandoná-lo daquele jeito. Ele a amava.

— Eu... Sinto muito! — Camila disse, parecia triste.

Luan respirou fundo, tentando se recompor, mas a dor ainda o sufocava. Ele pensou por um momento e, de repente, lembrou-se de uma brincadeira que tinham feito juntos.

— Pergunta bônus. — Luan disse rápido, querendo, de alguma forma, voltar a sentir algo mais leve. — Em algum momento da nossa história você me amou de verdade?

Camila suspirou pesadamente, como se soubesse que não podia mentir. Era a regra.

— Sim. Eu te amei! Em todos os momentos em que estive junto contigo. Eu te amei! — Ela respondeu, após um breve silêncio. O coração de Luan disparou, suas batidas erraram.

— Eu posso te fazer mais uma pergunta. E... dependendo da sua resposta, será a última. — Luan disse, suspirando pesado.

— Pode... — Ela respondeu, com a voz baixa.

— Você vai voltar pra mim um dia? — Ele perguntou, a impaciência começando a tomar conta dele. Ele precisava de uma resposta.

Ela ficou em silêncio por um longo momento. Luan podia ouvir sua respiração do outro lado da linha. Aquilo o deixava ainda mais impaciente. Ele precisava saber.

— Camila... Me responda! Eu posso te esperar?

— Não me espere, Luan. Eu não sei se um dia eu vou voltar. Só preciso que saiba que, depois do meu pai, você foi o único homem que eu amei de verdade. Eu não vou me esquecer de você! — Ela respondeu, e logo em seguida desligou o telefone, sem ao menos deixá-lo se despedir. Aquilo machucou Luan profundamente.

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