CAPITULO 73

50 4 2
                                        


[TRÊS ANOS DEPOIS]

Camila fechou a mala e soltou um suspiro pesado. Havia adiado aquela viagem por tempo demais. Sabia que precisava ir, mas, mesmo assim, a ansiedade apertava seu peito.

Luan estava encostado no batente da porta, os braços cruzados, observando-a com uma expressão que misturava frustração e preocupação.

— Eu sei, Luan! — Ela se virou para encará-lo. — Mas eu preciso fazer essa viagem. Já adiei demais.

Ele passou uma mão pelo cabelo, claramente incomodado.

— Você não pode esperar mais três meses? Em fevereiro eu saio de férias e vamos todos!

Camila negou com a cabeça, tentando manter a calma.

— Não. Você sabe que eu não posso. Desde que me recuperei, Stacy tem me pedido para ir a Miami. Ela tem comandado tudo sozinha por lá. Preciso ver como estão as coisas em Madri também. Kamala ficou responsável por tudo, mas Stacy disse que ela precisa de um descanso. Eu a deixei sozinha!

— Ela não ficou sozinha. — Luan rebateu, o tom mais firme. — Eu quis que ela ficasse, mas ela preferiu voltar.

Camila cruzou os braços, desviando o olhar.

— Eu sei. Mas agora eu preciso ir até lá, ver como os negócios estão indo, colocar a minha casa à venda...

Luan estreitou os olhos.

— Você está se despedindo?

Ela bufou, revirando os olhos.

— Não precisa ter medo. Eu vou voltar.

— Claro que vai. — Ele descruzou os braços, caminhando até ela. — Se não voltar, eu vou atrás de você.

Camila sorriu de canto.

— Não vai precisar. Ben vai ficar com seus pais.

Luan assentiu devagar, mas sua expressão continuava tensa.

— Quando você viaja?

— Amanhã.

Ele travou o maxilar.

— E não tem previsão de volta.

Camila soltou um riso fraco, balançando a cabeça.

— Você está mesmo me cobrando uma volta? Está há 40 dias na estrada, de uma cidade para outra. Eu e o Ben te vimos três vezes durante esse tempo, e mesmo assim, foi coisa rápida. E eu que fui até você.

Luan respirou fundo, vencido.

— Você sabia que seria assim...

— Sim. E não estou reclamando nem te cobrando.

Ele passou a língua pelos lábios, pensativo, antes de ceder.

— Tá. Tudo bem! Eu volto no final da semana para São Paulo, pego o Ben e ele fica comigo durante a semana. Esse mês de novembro está mais tranquilo. Não tenho muitos compromissos durante a semana, e a maioria dos shows são na capital ou no interior. Acho que só tem um final de semana que é no Rio. Mas eu o levo.

Camila congelou.

Seu corpo inteiro ficou rígido, o estômago se revirando.

— NÃO! — A voz dela saiu mais alta do que queria. O peito subia e descia rapidamente, e Luan franziu o cenho, surpreso com a reação. — NÃO LEVE O MEU FILHO PARA AQUELE LUGAR!

Ele deu um passo na direção dela, agora preocupado.

— Calma... O que aconteceu?

Camila piscou várias vezes, tentando conter a torrente de emoções que ameaçava transbordar.

ABISMOOnde histórias criam vida. Descubra agora