Camila estava na cozinha, preparando algo para comer, quando sentiu uma pontada aguda na barriga. O incômodo foi tão intenso que ela levou instintivamente a mão ao ventre. Um calafrio percorreu seu corpo.
Segundos depois, sentiu um líquido quente escorrer por suas pernas.
Sua bolsa havia rompido.
O pânico tomou conta de seus sentidos. Tentou dar dois passos em direção ao celular, precisava chamar uma ambulância. Não conseguiria dirigir até o hospital sozinha.
Mas assim que se moveu, o chão molhado a fez escorregar.
A queda foi brusca.
Um impacto seco reverberou por seu corpo, fazendo a dor atingir um nível insuportável. Camila gritou. Tentou se mexer, mas era impossível. Tudo doía. Cada centímetro de seu corpo parecia ter sido atingido por uma onda de choque.
Tentou respirar fundo, mas o desespero crescia.
— SOCORRO! — gritou, com a voz embargada pela dor.
Nada.
A casa permaneceu em silêncio. Ninguém a ouviu.
Onde estava Kamala? Ela era sua única esperança agora.
As contrações vieram como punhais retorcendo suas entranhas. O tempo perdeu o sentido. A dor só aumentava, e o desespero se intensificava a cada segundo.
Camila não sabia quanto tempo permaneceu ali, caída, sozinha.
Aos poucos, a visão ficou turva, e então... o mundo escureceu.
Quando recobrou os sentidos, sentiu o balanço suave da ambulância. Piscou algumas vezes, confusa. O som de sirenes ecoava ao fundo, e uma dor excruciante latejava dentro dela.
Kamala segurava sua mão com força.
— Você está bem. Estamos chegando ao hospital. — garantiu ela, a voz firme, mas carregada de preocupação.
Camila tentou responder, mas a dor a impediu. O pânico voltou com força total.
E o bebê?
A Dra. Yandra já a aguardava na emergência, junto com sua equipe. Assim que a ambulância estacionou, a maca foi retirada às pressas e levada para dentro do hospital.
— Ela precisa ir direto para a sala de parto! — alertou a médica.
A situação era grave. A queda havia causado uma fratura em um osso do baço, e a demora para chegar ao hospital reduziu drasticamente a quantidade de líquido amniótico.
O bebê estava em risco.
E ela também.
As vozes ao redor pareciam abafadas. O turbilhão de sons e movimentos só intensificava sua angústia.
De repente, uma dor ainda mais forte rasgou seu corpo, fazendo-a gritar de desespero.
— LUAN! — o nome escapou de seus lábios em um soluço.
Ela queria ele ali. Precisava dele.
Mas estava sozinha.
As lágrimas escorreram por seu rosto pálido.
— Deus, não me deixe perder meu filho! — pensou, o coração apertado. — Ele é a única pessoa que eu tenho nessa vida.
O medo a consumia.
E então, antes que pudesse se agarrar à realidade, a escuridão a envolveu mais uma vez.
Camila perdeu os sentidos assim que foi levada para a sala de parto. Seu corpo estava exausto, sua mente à beira do colapso. A última coisa que ouviu foi a voz da Dra. Yandra ordenando que preparassem tudo para uma cesariana de emergência.
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ABISMO
RomanceEla está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos? Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
