Ela está afundando. Ele está brilhando. Mas e se, no fim, ambos estiverem perdidos?
Camila sempre teve tudo: dinheiro, privilégios, excessos. Mas quem olha de perto vê as rachaduras - festas intermináveis, vícios perigosos, mentiras que a sufocam. E...
O pai de Camila sempre foi muito justo com todos ao seu redor, e com ela não seria diferente. Segundo ele, todos aqueles que trabalhavam com ele batalharam para conquistar seus cargos; ele não poderia simplesmente colocá-la no topo apenas por ela ser sua filha. Ela teria que conquistar isso. Ele lhe "ensinou" que o nome disso era meritocracia, e Camila acabou compreendendo. Seu salário era igual ao dos outros estagiários, mas seu pai não permitia que lhe faltasse nada. Nos dois primeiros meses, Camila reclamou, mas depois chegaram a um acordo: ela entraria na universidade e, em troca, ele lhe daria uma mesada à parte. Aceitou.
Nos Estados Unidos, o ingresso às universidades é bem diferente do Brasil. Não existe um processo seletivo como uma prova simples. Aqui, você preenche um formulário com mais de 100 questões pessoais, socioculturais e socioeducativas. Junto com o formulário, é necessário entregar o histórico escolar e acadêmico. No caso de Camila, seu pai entrou em contato com a escola em que ela estudou e solicitou uma carta dos professores sobre seu comportamento e desempenho acadêmico ao longo dos anos. Também há uma visita guiada pela universidade e uma conversa com o reitor. Essa conversa é o que define a aprovação ou não. Para o curso que Camila escolheu, ela foi aprovada em três universidades, nenhuma delas em Miami. Uma estava no Colorado, outra em Nova York e a última na Pensilvânia.
Decidiram que ela estudaria em Nova York, já que seu pai possuía uma filial lá. Assim que receberam a carta de confirmação, viajaram para NY para efetuar a matrícula, acertar o pagamento das mensalidades e, por fim, procurar um apartamento próximo à universidade, onde ela pudesse ficar durante a semana. Encontraram um apartamento a cerca de 20 minutos de carro da universidade e a 15 minutos da filial onde ela continuaria o estágio. Claro que essa proximidade foi um dos motivos para escolherem aquele imóvel. O apartamento era lindo, estava todo reformado, parecia uma casa de boneca. A proprietária alugava somente para meninas, e, de preferência, que estivessem estudando. O valor do aluguel era definido de acordo com o tempo de permanência no imóvel, então decidiram firmar um contrato de 4 anos, já que o curso teria essa duração. Alugaram o apartamento por esse período e quitaram o primeiro ano de aluguel. Tudo certo? Voltaram para Miami.
O pai de Camila solicitou sua dispensa da empresa, informando que ela seria transferida para a filial de Nova York. Ela aproveitou os dias em Miami para organizar suas coisas. Era impressionante como, em apenas três meses, ela conseguiu acumular tanto! Como sua casa continuaria sendo em Miami, arrumou apenas o necessário para levar. No final da semana, ela e seu pai viajaram novamente para NY. Ele a acompanharia para comprar algumas coisas para o apartamento, como comida, roupa de cama, utensílios domésticos e material necessário para o início das aulas. O acordo entre eles era que todas as despesas, como aluguel, alimentação e faculdade, seriam custeadas por ele. No entanto, ela teria que administrar seu salário para cobrir as despesas do seu dia a dia. Poderia utilizar o cartão de crédito apenas em emergências, como farmácia, gasolina e mercado. Ou isso, ou nada feito. Camila assentiu.
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UMA SEMANA DEPOIS
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