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Por amor, ela quebrará as regras.
Aisling tinha apenas oito anos quando sua mãe foi peregrinar. Quinze quando seu pai entrou num perigoso jogo de t...
Não aguento. Meu corpo para de me obedecer assim que ouço o sino que indica, também, a hora que devo ir para a maldita oficina. Sigo para o Bhaile a passos desordenados, escancaro a porta do meu quarto e levanto o meu travesseiro, onde está o frasco do meala que Dian me deu.
Quero pensar nas consequências do que estou prestes a fazer, mas não tenho capacidade de cogitar a respeito, só quero que essa dor cesse, que minha cabeça pare de rodopiar, não importa de quem esse energético veio. Ser orgulhosa agora definitivamente vai ser o meu túmulo, por isso eu só abro o frasco e acabo engolindo um dos comprimidos esverdeados, sem nem me lembrar de que preciso tomar água.
O gosto de café forte desce pela minha garganta e eu fico agachada ao lado da cama, escutando a respiração trêmula saindo pela minha boca, sem forças para inspirar pelo nariz. Os meus batimentos estão lentos, mas de alguma forma os sinto tão acelerados que a região dói, ou trata-se de uma nova alucinação minha.
Dez. Só faltam dez. É uma contagem regressiva para o fim.
Preciso me trocar e ir para a oficina. Estou atrasada. De novo.
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Nunca trabalhei tanto num dia. Hoje eu não fui um estorvo e nem um corpo se arrastando.
Agora são quase seis da manhã e estou deitada na minha cama, sozinha no quarto, pois o horário de descanso do turno noturno de Muirenn e Muirne já acabou. Estou vendo as minhas mãos tremerem indiscriminadamente, de tão agitado que está o resto do meu corpo. Quero correr, forjar, escrever, falar, pular, gritar, tudo simplesmente junto. O meala é forte o suficiente para eu temer que o meu coração realmente dance até a morte.
Mas é inegável que esse energético me salvou do estado letárgico. Não me sinto mais indisposta.
Parte de mim acredita que devo fugir de Kildare, ignorando os avisos e a marca do nó no pescoço, como se eu fosse mais do que humana. A outra parte, a da razão, está gritando. Eu não aguento mais. Não consigo mais me mover. Respirar é difícil e minha boca está cada vez mais seca. Eu vou morrer se continuar assim, mesmo que termine a produção do arco e das flechas.
Esse realmente vai ser o meu último trabalho, ou talvez eu nem tenha fôlego para aguentar até a finalização. Quanto mais penso, mais sinto os meus olhos fundos e as pálpebras tremendo, próxima de ter uma convulsão ou novos espasmos imprevisíveis.
Estão todos me vendo, assim como Dian mencionou, isso inclui o assassino de Lapim, que já pode estar infiltrado no Crann Bethadh e à nossa procura. Ele vai perceber que sou a criada mais estranha e me seguir, nem que seja por precaução. Vai nos descobrir, e isso é culpa de Balor. Ela preferiu me punir a garantir a nossa segurança.
É porque, se morrermos, Balor pode ir atrás de novos humanos. O progresso da arma não será perdido. Somos terrivelmente substituíveis. O território humano é como um formigueiro, onde as opções nunca acabam, sempre haverá trabalhadores e gente disposta a ficar de bico fechado por quinhentas monas diárias.