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Por amor, ela quebrará as regras.
Aisling tinha apenas oito anos quando sua mãe foi peregrinar. Quinze quando seu pai entrou num perigoso jogo de t...
Não dormi ontem, não dormi hoje e não dormirei amanhã. As minhas três horas de descanso são desesperadoras, só não são piores porque tenho a companhia de Muirenn e Muirne por umas duas horas, até que elas tenham de retornar ao trabalho.
A última hora do meu dia é indescritível. Eu fico deitada, mas com os olhos arregalados, como se quisesse enxergar através da escuridão, procurando por qualquer silhueta suspeita e me assustando até com as cadeiras que parecem gente. Eu já tentei tirar o cabideiro de chão do quarto para me assustar menos, só que ainda é uma tentativa inútil de sossegar, especialmente quando penso que o assassino foi alguém capaz de matar um druida e ainda esconder o corpo por meses, mesmo quando druidas têm o auxílio da natureza para desvendar os crimes mais hediondos.
Talvez seja um matador de aluguel, humano ou druida, não importa. Eu não me imagino tendo a oportunidade de matar um sujeito profissional.
É tão ruim mover os olhos rapidamente e ver vultos. Sei que já estou alucinando com a minha primeira semana sem dormir, apesar da produção estar indo satisfatoriamente bem. Liam, Quinn e Alby estão quase me carregando nas costas, e creio que não falta muito para começarem a reclamar do meu desempenho terrível.
Eu levanto as minhas mãos e as enxergo no escuro, não sei como. Ardem e tremem, iguais às minhas pálpebras.
E minha consciência se esvai. É assim todos os dias. Não durmo, desmaio.
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— Bridie, esses pratos não se lavam sozinhos! — Shira me repreende, estalando os dedos à frente dos meus olhos.
Dou um pulo de susto, sem a ter percebido antes, e volto a sentir o peso dos pratos sobre os meus braços. Quase posso ouvir o som das minhas articulações dos dedos gritando pela força que exercem para segurar a torre de louças.
Não me lembro de ter acordado ou de ter trocado de roupa para o vestido limpo de criada. O laço que amarra a minha gola falsa está bem apertado e a tiara que prende a minha franja para trás está arranhando a minha cabeça.
Eu desvio de duas criadas e fico na ponta dos pés para posicionar os pratos logo ao lado da pia da cozinha. Tomo uns segundos para recuperar o fôlego — pois não sou eu quem lava —, abano as minhas mãos formigando, e só esse pequeno intervalo já é capaz de me distrair da realidade.
O falatório dos empregados na cozinha é um ruído que não consigo discernir, ele incomoda e me desorienta, ainda mais quando meus olhos mal se focam no que está à minha frente. Meus instintos dizem que os druidas estão analisando o meu comportamento inadequado e poderão me reportar por mal serviço. Igualmente, eu olho para todos, procurando alarmada e paranoicamente pela sede de sangue do assassino.
Eu só trago mais desespero para mim, afinal assassinos profissionais são os mestres da enganação e furtividade. Nunca irei o encontrar e só estou parecendo mais suspeita por procurar.