31 • O que acha da liberdade?

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Há quem diga que o silêncio pode ser assustador quando não se está mais acostumado com o próprio barulho que ele causa, além das amargas memórias sombrias que ele traz. Alguns dizem que, é no escuro desse silêncio que encontramos nossos maiores medos prestes a tornarem-se nossos maiores problemas, ganhando formas que são quase impossíveis de se pensar. Um bom exemplo disso, foi o que aconteceu com Gabriel enquanto estava em seu completo silêncio na sala do trono, envolto em uma culpa que se tornou uma mulher cruel e vingativa.

Sn ponderou várias possibilidades naquele dia, mas todas elas tinham o mesmo resultado de sempre, a mesma pergunta de sempre na maioria das vezes. Gabriel poderia aparentar estar enlouquecendo, mas não ao ponto de se autossabotar e morrer em questão de minutos como se estivesse enfrentando uma doença ou um envenenamento. O acontecido fez a cidade parar, fez todos os planos pararem para dar a ele um funeral adequado em respeito a família, ou ao menos para satisfazer alguma ideia de Sn.

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Com a família do garoto longe e sem outras alternativas para recorrer e correr, seus pés a guiam para as masmorras onde está aquele que pelo menos conseguiu salvar da própria desgraça. É nítido que nessa vida nem tudo são um mar de rosas, principalmente o salto de seus sapatos batendo contra o chão em uma melancolia entristecida. O som deixa Galliard em alerta, com uma resposta na ponta de sua língua para cada possível pergunta que a rainha fizer.

Sn — Bom dia, como passou essa última semana? Reiner me contou que tem se alimentado bem e bebido bastante água, fico feliz em saber disso. Lá fora está fazendo um calor infernal que eu gostaria de saber de onde veio. — O som da sua voz ecoa entristecido entre as paredes, como se um de seus filhos acabara de morrer. — Porco, o que acha de se libertar dessas grades hoje?

Galliard — Não seria ruim pegar um pouco de sol! — Ele se levanta de seu lugar já sabendo das notícias e se senta ao lado das grades.

Sn — Que bom que pensa assim, vou tirá-lo dessa sela ainda hoje!

Galliard — Eu soube o que aconteceu com aquele moleque de boca suja e com a sua filha. Por mais que eu ainda não sinta uma confiança certa na senhora, eu sinto muito que tenha passado por isso. A sua filha está bem?

Sn — Eu conheço aquela menina mais do que a mim mesma e por incrível que pareça, ela está bem dessa forma. Ela infelizmente precisava da morte daquele menino para poder enxergar a vida com outros olhos. Ela teve bastante coragem e quase matou pela primeira vez.

Galliard — Matar alguém nunca será fácil para quem realmente se importa demais!

Sn — Realmente!

Galliard — E como foi que aquele infeliz morreu?

Sn — Se lembra de eu mencionar o mistério de Marley? A causadora daquele incidente foi quem deu um fim em Gabriel. Entenda que nós estamos entre um mundo e outro que não conhecemos, com pessoas que não conhecemos e só nos restou aceitar essa verdade, sem buscar mais explicações.

Galliard — Isso é meio confuso!

Sn — Reiner te contou algo sobre mim? Claro, além das coisas que já te contei.

Galliard — Ele mencionou algo sobre você ser metade marleyana, ou melhor, confirmou algo que haviam me contado há uns anos atrás!

Sn — É exatamente isso. Minha mãe era uma mestiça assim como meus filhos e eu. Por isso as coisas costumam ser dessa maneira e sei muito bem como se sente em relação a tudo. Mas enfim, vamos tirar você desse lugar podre, já ficou aqui por tempo demais! — Ao lado de Sn quase como um vulto surge uma mulher que assusta Porco.

Nasty Desires - O Poder Em Nossas Mãos | Levi + Erwin + SnOnde histórias criam vida. Descubra agora