Capítulo 40

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"Eu não quero viver trancado por dentro." — Butt Out, T1419

" — Butt Out, T1419

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2020.

Foram as duas semanas mais chatas da minha vida.

Ficar dentro do quarto de Paloma tendo apenas o celular como passatempo foi insuportável. Ficar sem interagir com Charlie deixou tudo pior — nosso contato era limitado a ele levar comida até meu quarto, fora isso sempre se trancava no próprio quarto quando eu saía. Eu sabia que fazia parte da minha quarentena, mas era óbvio que o guri também estava chateado pela minha negligência.

E em duas semanas, eu havia colocado todas as minhas séries em dia, respondido todos os questionários pendentes da faculdade e... Comecei a ouvir kpop. Pelo menos eu tinha uma desculpa para reclamar do Charlie falando só do Jungkook o tempo todo, pois eu podia falar que tinha um membro favorito do BTS agora — eu ainda não sabia pronunciar o nome dele, mas era meu favorito mesmo assim.

E no dia exato que completou duas semanas, tirei a roupa amarrotada e troquei por uma melhor, abri a porta do quarto, fui até o banheiro para fazer tudo o que precisava naquela manhã que prometia algo diferente, e então saí de fininho pelo corredor rumo à sala, encontrando Charlie concentrado no sofá com o notebook em seu colo, como sempre.

— Ei... — falei baixo para chamar sua atenção. Meu cabelo estava bagunçado, mas o de Charlie conseguia estar bem pior que o meu, volumoso e com a franja descolorida cobrindo sua testa. Ele ajeitou o cabelo rápido e olhou para mim.

— Como tá se sentindo?

— Bem, como sempre, te falei que não peguei covid. — Dei de ombros e fui até à mesa de jantar para puxar uma cadeira e me sentar perto dele.

— Podia ter o vírus e não ter manifestado os sintomas, precisava ficar de quarentena assim mesmo.

Mordi a própria língua para não reclamar, pois eu sabia que Charlie estava certo. Cruzei as pernas e estiquei os braços no alto para me alongar.

— Mas então, tu quer voltar a falar sobre o que rolou? Com o meu pai e tudo o mais?

Charlie parou de digitar alguma coisa no notebook e balançou a cabeça. Em seguida, deixou o aparelho em cima do rack e ficou mais relaxado no sofá.

— Senta aqui. — Apesar da frase autoritária, ele falou com a voz tranquila e até um pouco doce e manhosa. Me levantei e fui até seu lado no sofá, mas antes que eu me sentasse ele me puxou pelo braço para cair no seu colo.

— Ô guri! — Reclamei, rindo e um pouco envergonhado por ter ficado em cima dele, com as pernas de lado no sofá e meu quadril em cima do seu colo. Charlie me puxou para que eu deitasse em seu corpo e começou a acariciar meu cabelo. — Acordou com o cu virado pra lua, foi?

— Tava com saudade de você, seu chato. Tu me magoou muito, tem que parar de ser assim.

— Desculpa... — se Charlie pudesse ver meu rosto, teria visto que fiquei corado de vergonha naquele momento. Ele apoiou sua cabeça na minha e passei o braço por sua cintura.

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