Eu cuidarei dele

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A princípio estava tudo bem. Quer dizer, na medida do possível. Até Heeseung começar a dirigir mais rápido. Tentei não me assustar e deixá-lo continuar sem interferir, mas aí ele deu início a uma direção brutal, desviando violentamente dos carros pela rodovia. Comecei a encará-lo tentando entender o que ele pretendia com isso, ele tá tentando um suicídio? Deveria avisá-lo que não quero morrer agora? — interferi.

— Heeseung. — Chamei. Mesmo assim ele resolveu me ignorar e continuar sua corrida desnecessária. — Heeseung para a droga desse carro agora!

Ele não me olhou, tão pouco me respondeu. Apenas pisou no freio e aos poucos o carro perdeu velocidade. O silêncio agora era pior que antes. Eu não queria gritar com ele, mas as vezes é preciso pegar uma pessoa e estapeá-la até que ela recobre a consciência. Era isso o que eu realmente queria fazer com ele. Mas não podia. Chegando em uma parte mais calma da estrada ele encostou o carro em uma parte aberta.

— Desculpa.

Foi tudo que ele disse. Ele de fato, estava errado em dirigir daquela maneira, mas então por que fui eu quem sentiu um aperto no peito ao ouvi-lo falar? Por que eu queria abraça-lo e dizer que vai ficar tudo bem? Eu posso mesmo fazer isso? Posso cuidar dele? — em questão de segundos o silêncio que existia foi tomado pelo som de choro do rapaz. Ele se segurava para não chorar alto demais, eu sentia isso. O que me fez refletir um pouco mais; ele foi capaz de se abrir e chorar na minha frente. Não fez isso na frente dos amigos, mas fez na minha frente. 

Não importa mais.

Tirei o cinto que limitava meus movimentos e me aproximei dele. O envolvi em meus braços, abraçando-o forte. Ele não demorou a retribuir, escondendo o rosto molhado pelas lágrimas em meu pescoço. Minha mão deslizou pelos seus ombros largos, dando leves batidinhas ali. Seu choro reprimido logo tomou um tom mais alto. E eu não o soltaria até que estivesse bem; Não o deixaria ir até que me mostrasse seu rosto seco, sem as lágrimas que o cobriam agora; sem as lágrimas que escorriam de seus olhos e molhavam meu ombro.

Eu cuidarei dele.

Minutos depois já não se ouvia mais o som incessante de choro. Tudo que eu podia ouvir era sua respiração profunda, engolindo o choro. Me apertou em seus braços sinalizando para que eu não o deixasse agora. Se mexeu e apoiou melhor a cabeça. Minha mão subiu de suas costas, deslizando até sua nuca e adentrando manhosamente seus fios. Afaguei.

— Por favor não pense que eu estou assim porque ainda gosto dela.

Heeseung quebrou o silêncio. O que ele disse me tirou um enorme peso. Mas isso significa que existe realmente algo que eu ainda não estou sabendo. E o que poderia ser? O que seria tão ruim a ponto de deixá-lo nesse estado? Totalmente fragilizado?

Que porr* é essa?

— Você se importa de não fazer perguntas agora?

— Quem disse que eu ia fazer perguntas?

— Eu sei que você quer fazer perguntas.

— É mesmo? E você também sabe que não se faz perguntas em uma hora como essas?

— As vezes as pessoas não se importam com isso.

— Mesmo que não fosse o meu namorado de aluguel chorando aqui na minha frente eu não faria perguntas.

— Namorado de aluguel? — riu fraco. — Mas sou eu quem paga o aluguel.

— Para de ser chato.

[...]

— Você vai ficar bem? — perguntei relutante em abandoná-lo.

— Vou sim. Por que todo mundo tá me tratando como se eu tivesse cinco anos hoje? — Indagou sem tirar as mãos do volante.

A contract - Lee HeeseungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora