— Amanhã a noite.
— Assim tão rápido? — às vezes tenho a leve impressão de que ele espera pra me dizer as coisas em cima da hora, porque é mais fácil pra eu me ferrar. — Você e sua mania de me avisar em cima da hora.
— Eu também não sabia, meu pai marcou de última hora.
— Tanto faz, vou ter que comprar roupa nova de qualquer jeito.
— Eu posso comprar se você quiser.
— Não precisa, de verdade.
— Tudo bem então. — ele diz. Eu não aceitaria de qualquer modo, mesmo que ele vá me dar dinheiro daqui um tempo, no meu ponto de vista ainda é cedo pra cobrar algo dele, mesmo que ele já esteja exigindo bastante de mim. — Acho que já vou.
— Você vai direto pra casa? — indago vendo ele se levantar, eu não estava cobrando explicações dele, mas é que a mãe dele acabou de ligar, então não acho que seria inteligente voltar agora. — É que... Sua mãe acabou de ligar...
— Vou dar um tempo na rua, depois volto pra casa.
— Certo. — falo e ele segue em direção a porta. Após passar esse tempo com ele, sinto que o conheço um pouco mais que antes. E me deixa aliviada saber que ele não é o cara totalmente arrogante que eu tinha em mente. — Você vai me explicar como funciona esse evento depois né?
— Eu te ligo depois pra conversar sobre isso. — Heeseung diz me olhando uma última vez e depois vai até o carro que estava estacionado aqui em frente.
Ele adentra o carro de cor preta e logo some na esquina. Fecho a porta e volto até a sala. Percebi que tinha me sentando no sofá onde ele tava, quando senti o perfume inebriante que estava impregnado no estofado. O que ele tá tentando fazer? Marcar território?
O pior é que vai demorar pra sair, e toda vez que eu sentar aqui e sentir o cheiro dele, vou lembrar da vergonha que passei aquela noite.
[...]
Já era por volta das 6:30 da noite. Heeseung tinha me ligado mais cedo pra falar sobre o tal evento. Ele disse que vai ser algo formal, mas que vão ter bastante convidados; e fotógrafos.
Ou seja, além de atuar para os pais dele e para as pessoas, eu também teria que posar para as fotos. Atualmente desenterrando meu lado atriz. Engraçado que quando era pra mentir para a minha mãe eu não sabia atuar desse jeito.
Enfim, comprei um vestido longo, que deixava meus ombros a mostra. Tinha também um decote na perna. Digamos que ele era simples mais impactante o suficiente. Ele é azul claro, e acho que combina bastante comigo.
As seis e quarenta Heeseung já estava buzinando o carro em frente a minha casa, acho que ele queria sair antes para chegar às sete lá.
Sai de casa e fui até o carro dele que se manteve ligado o tempo todo, ele não parecia mesmo desposto a esperar. Adentrei o carro e fechei a porta, logo pude sentir o perfume que exalava em cada canto do conversível.
Heeseung bateu os olhos sobre mim por alguns segundos mas rapdamente voltou a atenção para o volante, sem falar absolutamente nada, pisa no acelerador e em um piscar de olhos já não estávamos mais na minha vizinhança.
Se tivesse um cronômetro aqui, diria que ele levou exatos 20 minutos para chegar, até porque não tinha muito trânsito hoje.
Heeseung desce do carro e eu faço o mesmo. Assim que saio de dentro posso ver melhor a figura dele, que trajava roupas pretas e sofisticadas. É incrível como qualquer coisa cai bem nele.
O moreno estende o braço e eu logo seguro o mesmo. Assim que adentramos o local somos recebidos por diversos fleches. Caminhamos até um local reservado para tirar fotos.
O braço que antes era segurado por mim, agora rodeava minha cintura. Era de certa forma desconfortável, mas estávamos apenas atuando afinal.
As pessoas ali pareciam um tanto curiosas, e não disfarçavam a surpresa de vê-lo chegar acompanhado por mim. Não achei que fosse ficar pior, até um dos fotógrafos gritar "Que tal um beijo!".
Seria mentira se dissesse que não estava o chingando mentalmente. Porém mantive meu sorriso forçado e ignorei a existência daquele senhor. Ele não deve saber que a minha vida já é complicada o suficiente, não precisava de ajuda pra me ferrar.
Em meio ao meu colapso mental, sinto o Heeseung se mover e me puxar, de forma com que ficássemos frente à frente. A outra mão subiu até a minha nuca, e assim selando nossos lábios.
Sem Pânico! Apenas atue! Nem era um beijo de verdade, ele apenas colou nossos lábios para as fotos. Não havia sentimento, carinho e muito menos língua.
Após se desprender de mim, ele estende novamente o braço e seguimos até o salão. Que por sinal estava bem cheio, mas não o suficiente para esbarrar em alguém por exemplo.
— Devia ter me avisado que faria algo assim.
— Eu não planejava fazer isso. — ele diz. Heeseung não me parece alguém que mede esforços para conseguir o que quer, e isso pode se tornar um problema, principalmente pra mim. — Eu vou no banheiro, me espera aqui.
— Tudo bem. — respondo e o vejo sumir em meio as pessoas do salão. — É claro que eu vou ficar paradinha te esperando voltar Lee Heeseung.
Eu não iria me afastar muito, só ia até a mesa de bebidas pra pegar alguma coisa. Volto antes dele.
Caminhei até uma mesa que tinha por perto, haviam vários petiscos, mas nada de bebida. Eu não tava muito afim de comer, então resolvi voltar. Mas por sorte, alguém passou com uma bandeja de bebidas, eu obviamente peguei uma delas.
É eu sei que tinha dito que não colocaria uma gota de álcool na boca, mas é inevitável. Eu só vou beber um pouco, nada que vá me embebedar. Estava tão distraída encarando a taça de champanhe, que nem notei alguém chegando por trás.
Me assustei ao sentir uma mão no meu ombro. Virei para ver quem era, mas não o conhecia, era um homem de figura alta, cabelos pretos e usava terno. Devia ter no máximo uns 25 anos.
— Desculpa eu te conheço?
— Não, você ainda não me conhece. — o homem diz sorrindo gentilmente. — Sou Kim Ji-hoon, prazer.
— Prazer Ji-hoon, sou S/n. — digo estendendo minha mão e logo retribui o aperto.
— Você veio com o Heeseung, certo?
— Certo.
— Devo te alertar sobre algo? — ele arqueia a sombrancelha antes de terminar a frase. — Não se sinta muito especial apenas por estar com ele.
— O quê? — Indago incrédula com o que ele acabara de falar, queria eu ter essa capacidade de enganar minha vítima, ele me enganou direitinho. — O que você quer dizer com isso?
— Eu conheço o Heeseung há muito tempo, e realmente não entendo o que você fez para conseguir isso... — ah mas se você soubesse que foi ele quem me prendeu em um contrato maluco dobraria sua lingua. — Porém não acho que vá durar muito tempo.
— Eu não sei que tipo de idiota você é mas...— esboço um sorriso de canto. — Sinceramente não ligo para o que você pensa, e sobre o tempo que vai durar... hum, eu acho que não é você quem dita isso.
— Você está confiante demais pra quem acabou de chegar, não tente bater de frente comigo garotinha.
— Sim eu estou confiante, é quase como se eu tivesse um contrato em minhas mãos. — sorri ironicamente com o meu próprio comentário, em outra época teria escutado calada as asneiras dele, mas infelizmente ele me pegou em um péssimo dia. — Sobre a "afronta" da qual você está falando, foi você quem veio atrás de mim, então acho que não tem muita moral pra exigir nada.
— O que está fazendo aqui? Disse pra me esperar lá. — Heeseung diz se aproximando, ao ver quem estava ao meu lado ele rápdamente pega meu braço e me afasta, ficando entre mim e Ji-hoon. — Por que está incomodando ela? Já disse pra ficar longe de mim e de quem estiver à minha volta.
— Calma, agente só tava esclarecendo algumas coisas.
— É melhor sair daqui antes que eu perda a paciência.
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A contract - Lee Heeseung
FanfictionSer azarada e quebrar a cara com frequência não era novidade, mas como dizem por aí "tudo que puder dar errado, vai dar errado". Eu achei que seria uma boa ideia sair pra beber, mas a verdade é que tudo pode piorar quando se coloca álcool no meio...
