Ouço os bips quando digito a senha para entrar em casa. Tiro os sapatos na entrada e me livro da parte de cima do terno, em seguida afrouxo a gravata no meu pescoço. Vejo as luzes acesas, o que significava que minha esposa estava em casa. Assim que entro na sala a vejo deitada no sofá. Havia um pote de sorvete pela metade em cima da mesinha de centro, o que me deixa curioso, já que ela geralmente evita comer qualquer coisa antes do jantar.
Jogo a bolsa com papéis que trouxe para analizar em casa na poltrona mais próxima. Ando até ela, me agachando para depositar um beijo nela, essa que não parecia ter notado minha chegada até aquele momento.
- Oi. - digo. Os olhos dela passeiam pelo meu rosto durante alguns segundos, me pergunto no que ela estava pensando. - Eu cheguei muito tarde? Você já jantou? - me sento no pequeno espaço restante do sofá.
Ela ainda me olha em silêncio. Novamente volto a me perguntar o que se passava na cabeça dela.
- Heeseung... - ela chama meu nome, me surpreendendo com sua voz embargada.
Só agora me dou conta da vermelhidão abaixo dos olhos dela, do nariz vermelho e da caixinha de lenços caída no chão, meio escondida embaixo da mesinha.
- Aconteceu alguma coisa? - me preocupo. Vê-la chorar daquele jeito... tinha que ser algo grande.
Ela se senta no sofá. Seguro o rosto dela, tentando descobrir alguma coisa, qualquer coisa que me dissesse o que estava acontecendo.
Estava machucada? Com dor em algum lugar? Alguém teria feito alguma coisa? Se tivessem machucado ela de alguma forma, quem quer que seja...
- E-eu tô grávida.
Percebi que estava sério demais quando minhas sombrancelhas ficaram menos tensas. Será que eu ouvi errado?
Ajeito as mãos que seguram o rosto dela, coloco alguns fios de cabelo para trás, tentando enxergar cada detalhe nela. Algum traço que indicasse que eu tinha ouvido errado ou que era alguma brincadeira.
- Acho que entendi errado... - digo. Ela continua depositando aquele olhar de medo sobre mim.
- Não, você entendeu certo. - ela confirma.
Meus olhos se movimentam, alternando entre cada canto da sala, forçando meu cérebro a lembrar como poderia ter acontecido. Mas as palavras dela continuam ecoando na minha cabeça.
Por fim, memórias de certa de três semanas atrás voltam como um filme. Consigo lembrar cada detalhe daquela noite...
Um suspiro entediado escapa de mim.
Jogo o corpo para trás esticando os braços.
O quarto vazio do apartamento agora era nada mais que um depósito de papéis do trabalho. Apoio as mãos na pequena mesa e afasto a cadeira para trás ao me levantar. Apago a luz e fecho a porta ao passar. Caminho pelo corredor, rumo ao meu quarto.
Tiro o camisa enquanto entro no banheiro, deixo-a sobre a pia. Haviam cosméticos femininos espalhados de qualquer jeito sobre ela. Lembro então que sou casado, e que minha esposa não se preocupa com organização.
Solto um riso soprado e entro no banho.
Algum tempo depois, saio do box e pego a toalha para me secar. É aí que ouço o som da porta da frente, indicando que alguém chegou. Visto minha calça moletom, mas olho para a camisa e decido que não precisaria dela. Contenho um sorriso, aquele era um pensamento completamente errado. Porém, não custa nada...
Saio do banheiro. Uso uma toalha para secar o cabelo e finjo não perceber a presença dela ainda. Só quando ela deposita sua atenção sobre mim é que olho na direção dela. Minha esposa havia fechado um olho, como se quisesse me analizar.
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A contract - Lee Heeseung
FanfictionSer azarada e quebrar a cara com frequência não era novidade, mas como dizem por aí "tudo que puder dar errado, vai dar errado". Eu achei que seria uma boa ideia sair pra beber, mas a verdade é que tudo pode piorar quando se coloca álcool no meio...
