Capítulo 54 - Árvore dos Desejos

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No Alasca, Noxan e as tropas americanas partem em naves de transporte para os quartéis nos Estados Unidos da América. As naves de guerra reforçam o ataque à Europa, destruindo tudo que há pela frente e abaixo da linha do horizonte. As tropas asiáticas ora ficam com o controle da base do Alasca juntamente com a aliança Rússia/Japão/Coreia do Sul, que por hora assumem o controle, também, das zonas de transição ao redor do globo. Tudo sob a autoridade do Novo Estado americano autointitulado Parlamento de Gaya.

Por todas as zonas de transição, a Rebelião é massacrada e seus integrantes, simpatizantes e soldados são todos exterminados, e seus corpos, queimados quando em vias ou lugares públicos. Poucos conseguem a façanha de fugir, e se esconder. Amanda reflete... a fenda parece crescer, irradiar em força a sua imponência. Faltam poucos segundos para o pulso... Ela então pensa:

Talvez... se eu sobrevivi quando cheguei aqui... eu possa sobreviver se for sugada para dentro dessa merda.

Amanda vai até o corpo de Maxine, retira a espada de seu tórax e tenta tirar o traje da caçadora, que chega a agonizar. Faltam 15 segundos para o próximo pulso. Mas Amanda é ligeira; ela se despe de suas roupas, pressiona com o indicador uma esfera localizada na fivela do cinto que fixa o traje na cintura do corpo de Maxine. O traje então se transforma num fluido preto que se aglomera na mão da garota, formando uma bola gelatinosa do tamanho de uma bola de tênis. Amanda aperta a substância, que instantaneamente se adere ao seu corpo, formando um traje de saltos sob medida. Agora é o momento. Ela se vira para a fenda, anda até ela e, quando está a um metro da abertura, ao se esforçar para ficar parada, lutando contra a corrente de ar, pode apenas ver com dificuldade devido à luminosidade extrema. Do outro lado, é possível ver uma árvore cujo tronco é forte e os galhos denunciam as flores da primavera. Mas sua fascinação é interrompida...

PROOOMM

Amanda tem o reflexo de correr contra o portal, mergulhando na luz ao ponto de ser puxada para dentro da fenda, perdendo a visão na branquidão supernova. Ela sente seu corpo flutuar no infinito.

Esfrego meus olhos e continuo não vendo... tudo aqui dentro é um branco infinito. Será que eu morri? Consigo ouvir a voz da minha consciência... bom sinal, mas não sei se aqui é o céu. Sinto minhas pernas e braços; mexo minha cabeça para ver se a vista volta a funcionar... Ora bolas... lá está... cá estou... na sala de estar da casa do menino Todd. Mas... quem é aquela menina sentada com ele na frente da televisão?

— Olá Amanda. Ainda bem que você acordou! — Todd levanta, dando um abraço apertado na amiga. Amanda está de pé na sala de estar da simulação do app interface.

— Mas quem é essa menina? — Perguntou Amanda, aproximando-se da outra criança.

Espanto! A menina arregala os olhos e sorri, o mesmo sorriso no rosto de Todd quando ela, Amanda, o conheceu. A menina era a imagem dela mesma com oito anos de idade. A menina olha sua versão mais velha, continua sentada e volta para sua posição inicial, com o joystick na mão, continua a jogar videogame sozinha, sem a companhia de seu colega, o pequeno Todd.

— Essa menina é tudo que restou das suas memórias após a sua entrada no portal interdimensional. Ela é um ícone do qual posso acessar todas as suas memórias.

— Um Backup?

— Exato. Minha função aqui, neste programa, é conservar sua integridade mental. No momento estamos atravessando o vortex, estamos numa zona intermediária entre o mundo material e o não material, conhecido como tempo espaço. Aqui tudo que há se manifesta na forma de energia pura. Infelizmente não posso aguentar por muito tempo; minha carga de trabalho está no máximo, tive de otimizar minha velocidade para que você acordasse a tempo.

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