Capítulo 2 - A Tempestade (b): Um sonho recorrente.

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Os olhos se abrem e o corpo está envolto no que parece ser um líquido azul translúcido. A menina se vê dentro de um tanque, no fundo para ser mais exato. Seu corpo está em choque repousando de uma série de espasmos; a menina acordou dentro d'água a tempo de tentar pela última vez salvar a sua vida e subir até a superfície. Lá a luz é muito forte, ela não consegue ver o que a espera; só consegue subir na ânsia de respirar; subir, subir, subir... O ar começa faltar em seus pulmões. Vai estender os braços, mas lá pela metade do tanque, onde o volume do líquido é mais denso a mobilidade se torna lenta. Está quase lá... com os olhos pesados e a vista escurecendo, Amanda faz um último esforço e alcança a superfície.

ÂHHHHHHHHHH

6:16 da manhã

Amanda acorda subitamente no leito de um quarto de Hospital, parecia recém saída de um pesadelo. Um respiro profundo seguido de um suspiro a trouxeram de volta a realidade. Num lugar que não reconhecia; um quarto grande com janelas amplas e todas as paredes espelhadas. Os equipamentos de ponta denunciavam o alto nível de atendimento durante a cirurgia de remoção da bala no ombro esquerdo e da bala no abdômen. Tudo automatizado e monitorado por câmeras e telas de LCD fazendo as medições de pulso e taxas hormonais assim como o controle remoto de nano Robôs. Tudo isso lhe custaria anos de trabalho e tráfico, resumindo, nunca poderia realizar sua viagem a marte. Levantou do leito querendo respirar o ar de fora, aproximou-se da janela depois de desplugar os tubos que a ligavam as máquinas.

Lá fora a cidade pulsa. São algumas horas da manhã cinzenta enevoada em algum lugar que não conseguia reconhecer. As autoestradas aéreas com seus carros voadores, se cruzando formando retângulos quadrados e cubos no ar denunciavam o caráter de metrópole do lugar. No chão as ruas pulsavam com pessoas andando com seus guarda-chuvas dividindo seu andar com as calçadas cheias de motos e hologramas com anúncios de produtos domésticos. Os prédios ao redor eram contemporâneos todos equipados como a mais alta tecnologia de prestação de serviços desde a garagem aérea até os vidros refratários das janelas. Era o que conseguia ver da sua perspectiva...

Tks

Ouviu a porta se destravar. Seu rosto vira 180° a direita acompanhando o reflexo da porta nas paredes espelhadas. Ela Caminha até a entrada do quarto e da porta até uma enorme sacada à esquerda no final do corredor também espelhado. No final corredor podia ver a figura de um homem loiro de média estatura, (1,70m) de costas, braços voltados pra trás apoiando as duas mãos no quadril, vestindo um terno discretamente rosa em tom pastel.

Ao entrar no perímetro da sacada pode respirar o ar poluído da cidade e finalmente encostar-se ao para peito da varanda e alongar o corpo. Era apenas uma jovem de 19 anos.

— Você não deveria estar andando descalça a essa hora, você pode pegar um resfriado

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— Você não deveria estar andando descalça a essa hora, você pode pegar um resfriado... – O rosto de Gerard era calmo, um semblante suave de um menino, um tanto feminino e dócil, mas ao mesmo tempo misterioso. Uma certa aura de sabedoria parecia emanar daquele homem.

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