Uma das características fundamentais de um psicopata é a indiferença pelos sentimentos alheios, a incapacidade de se preocupar com as consequências de suas ações, sejam elas físicas ou emocionais.
Sob essa perspectiva, surge uma dúvida inquietante:...
Fomos para o quarto, e mais uma vez ignorei seu pedido de ajuda. Era claro que havia algo mais por trás daquelas palavras, algo carregado de intenções disfarçadas, e por mais que uma parte de mim quisesse ceder, sabia que Jun Woo estava apenas jogando, brincando comigo.
Ajudei-o a se sentar, observando as expressões de dor que, apesar de disfarçadas, não conseguiam esconder completamente. Aquilo me tocava profundamente, mas me esforcei para manter a compostura. Não podia deixar que ele visse o quanto sua dor me afetava. Sabia que ele me observava, esperando uma reação, e eu não cederia. Estava prestes a mostrar um lado de mim que poucos tinham visto, um lado que não se dobrava facilmente. E então… veríamos quem realmente cederia primeiro.
Ele permaneceu sentado na cama, os olhos fixos em mim enquanto eu o ajudava a tirar o suéter. A camiseta veio a seguir, mas essa foi mais difícil, afinal, ele precisava erguer os braços, movendo a ferida no abdômen. A tensão no ar era palpável, e eu sentia a pressão em cada movimento que fazia. Quando me agachei para ajudá-lo a retirar a calça, uma pequena oração silenciosa passou pela minha mente: Espero que esteja usando cueca.
Com um esforço visível para disfarçar as mãos trêmulas, lancei um comentário sobre suas roupas, tentando manter alguma normalidade no momento, mas a minha voz vacilou, traindo a tensão.
- Use apenas o suéter, não vista a camiseta! - falei, desviando o olhar de seu peito nu. O alívio me tomou ao ver que ele estava de cueca, mas a sensação de calor no meu rosto não desapareceu. - Assim facilita para você se trocar.
- Quer dizer que você não gostou de me ajudar? - a voz dele foi baixa, carregada de uma provocação sutil.
- Não é isso, ou melhor, quer dizer...
Eu hesitei por um segundo, as palavras morrendo na garganta. Mas, antes que eu pudesse dar uma resposta convincente, ele disparou de novo.
- Então você gostou de tirar minhas roupas?
O choque foi imediato. Encarei-o estática, meu coração disparando, como se ele tivesse me dado um golpe direto. Ele sabia o que estava fazendo, estava brincando comigo, tentando me fazer cair na sua armadilha. Mas o que me incomodava não era a provocação em si - era a sensação de que, para ele, eu era apenas a policial curiosa, a mulher distante, enquanto o que eu precisava era ser reconhecida como a mulher que ele desejou em sua cama. E o silêncio entre nós parecia uma guerra não declarada. Ele me desafiava. Pior para ele!!
- Já vi melhores! E você não faz o meu estilo. Tirar suas roupas é como trocar uma criança ou uma mulher. Pra mim não faz a menor diferença.
Ele encarou-me espiando-me torcendo a boca de lado como faz toda vez que é contrariado.
-Hum, ok! -debocha despretensioso me irritando.
"Se você soubesse o quanto esse gesto me atiça... ou, talvez você saiba!"- pensei encarando seus lábios tortos sedenta para beijá-los. Vê lo sentado na cama usando apenas aquela cueca boxer me atiçou. Mesmo com o corpo ferido seus músculos e boa forma ainda eram evidentes. Sua pele bronzeada naturalmente o deixava muito sexy e seu peitoral me enlouquecia.
-O chuveiro já aqueceu bem, o banheiro está com bastante vapor... é assim que gosta não é?
-Sabe bem sobre mim então...- percebo que novamente fui flagrada falando sobre o que não deveria, já que sabia daquele detalhe devido a noite que passamos juntos e ele comentou sobre.
-Imagino! -comento numa tentativa frustrada de esconder algo que já parecia estar cada vez mais claro para ele.
Ele caminhou para o banheiro e apenas o ajudei a apoiar se dentro do boxe e encostar-se na parede. Claramente sentia dores, pois gemia com dificuldades fazendo expressões doloridas.
-Tem certeza que daqui consegue sozinho? - pergunto preocupada.
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Ele segura novamente em meu braço, me encara por alguns instantes e diz:
-Se insiste tanto, então toma banho comigo!
Naquele instante, percebi com clareza que suas palavras não emergiam apenas da superfície, como tantas outras proferidas ao longo do dia com a única intenção de me desestabilizar. Havia nelas um resquício de verdade – um timbre sereno e quase suplicante, mais próximo de um clamor silencioso por socorro do que de uma insinuação lasciva. Ainda assim, eu sabia que não podia me permitir ser enredada por ele a tal ponto.
Seria sensato conter-me, não ultrapassar aquela tênue linha que separa o desejo do precipício. Contudo, ao sentir o calor de seu toque percorrer minha pele, o aroma sutil e inebriante que exalava de seu corpo, a textura aveludada de suas mãos deslizando sobre mim, meu corpo inteiro se encheu de uma tensão elétrica que me dominava por completo. Resistir, naquele momento, já não era mais uma escolha racional – era uma batalha perdida diante da força irrefreável do desejo. Simplesmente resistir seria algo além da minha vontade.
Jun Woo sabia como incendiar o corpo de uma mulher, e mesmo que pudesse fazer isso em seu sentido literal, o conhecimento de tal fato excitou-me ainda mais. Eu não queria que ele parasse. Ele certamente também não queria parar.
Uma voz dizia "ele precisa de sua ajuda!" e outra recomendava "cuidado! Ele estará nú e molhado. E próximo a você!" Meu corpo gritava desesperadamente "sim! O ajude a tomar banho", mas felizmente meu cérebro estava no comando.
-Quem sabe outro dia não é?
A dúvida deixou-me incerta do que fazer e optei em dar as costas deixando o lavar-se sozinho.
Saio do banheiro com meu corpo em efervescência. Eu deveria agir cautelosamente para não pôr tudo a perder.
No quarto, deixei um suéter e uma calça de moletom em cima da cama. Eu sabia que ele teria dificuldades em se trocar, mas sabia também que não resistiria a mais uma provocação. Eu perderia o controle seja para bem ou mal. E meu orgulho ferido não deixaria ele perceber que eu era louca por ele! Jun Woo teria que me reconhecer como aquela a quem amou, mesmo que em uma única noite, ou então eu seria muito mais forte e não cederia.
Naquela casa havia apenas dois quartos e como Jun Woo ficara com o meu, fui descansar no quarto ao lado. Deitar a cabeça e dormir depois daquele dia exaustivo foi reconfortante. A cabeça e o corpo pareciam pesar, mas eram os pensamentos que pareciam incomodar. Não sabia o que me aguardava no dia seguinte.
Só sabia que estava louca para passá-lo com minha companhia preferida.
...
Data de publicação: 04/04/2024
Eita que tem gente pegando fogo! Não era de esperar menos desses dois sozinhos na cabana!
E vou liberar outro capítulo fresquinho só pq estou endoidecida enquanto escrevo o penúltimo capítulo - sim, hoje em meus arquivos, estou finalizando a história e senhoras e senhores se preparem!!!